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Crise no Haiti: Parlamentares discutem rumos do país enquanto milhares dormem nas ruas

As esperanças de um consenso se dissiparam e as ameaças de intensos protestos que poderiam desestabilizar ainda mais a pequena nação, afirmam especialistas
Redação Prensa Latina
Prensa Latina
Porto Príncipe

Tradução:

Quase dois meses após o magnicídio no Haiti, a classe política ainda não chegou a um acordo, enquanto a crise cresce com milhares de pessoas que hoje dormem nas ruas após o terremoto.

Pelo menos quatro grupos propõem soluções para a liderança do país, depois que em 7 de julho um comando armado assassinou o presidente Jovenel Moïse em sua residência e atirou em sua esposa Martine Étienne.

Antes do terremoto de 14 de agosto, que matou 2.020 pessoas e forçou que dezenas de milhares fossem para abrigos improvisados, o governo de Ariel Henry propôs um documento estabelecendo um roteiro de 29 pontos.

O texto também mantém o neurocirurgião à frente do governo, sendo que, o mesmo propõe combater a corrupção, fortalecer o judiciário e realizar eleições.

Na véspera, ele se reuniu com representantes de 200 entidades para analisar o acordo e discutir a governança no atual período.

“Vamos trabalhar juntos para encontrar um acordo político válido, uma forma de criar condições para que possamos realizar eleições locais, legislativas e presidenciais”, dizia a manchete logo após a reunião.

As esperanças de um consenso se dissiparam e as ameaças de intensos protestos que poderiam desestabilizar ainda mais a pequena nação, afirmam especialistas

Wikimedia Commons
Quase dois meses após o magnicídio no Haiti, a classe política ainda não chegou a um acordo.

Paralelamente, a “Comissão para a busca de uma solução haitiana para a crise” divulgou um projeto de consenso ao qual as organizações sociopolíticas devem aderir.

A conferência deste grupo, organizada no hotel Montana desta capital, foi frustrada por ativistas que anteriormente se comprometeram a colocar o atual presidente do Senado, Joseph Lambert, à frente do país.

Segundo as pessoas, não há outro acordo a ser assinado, já que o parlamentar é o agente reconhecido pelo Senado.

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Para aumentar a confusão, a plataforma Nou ap mache pou lavi (Marchamos pela vida), em conjunto com o influente Setor Democrático e Popular (SDP) e outras associações, discutem possíveis soluções para a crise sem aderir aos tratados acima mencionados.

“O SDP continua lutando por um acordo político inclusivo baseado nas demandas do povo haitiano”, disse seu porta-voz, advogado André Michel.

Tudo isso ocorre em meio à deterioração do clima social, ao aumento dos sequestros e às medidas a serem adotadas para enfrentar a crise humanitária gerada pelo terremoto que afetou mais de 650 mil pessoas, segundo dados oficiais.

Apesar das promessas de união do primeiro-ministro que chegou ao poder, após uma briga com seu antecessor Claude Joseph, as esperanças de um consenso se dissiparam e as ameaças de intensos protestos que poderiam desestabilizar ainda mais a pequena nação, afirmam especialistas.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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