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Cuba apresentará à ONU resolução para pedir fim ao bloqueio dos Estados Unidos contra a ilha

Em plena pandemia da COVID-19 a estrutura política, legal e administrativa que sustenta o bloqueio se mantém intacta
Casa de Las Américas
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Havana

Tradução:

Se quisermos buscar o exemplo de uma política absurda, obsoleta, ilegal e moralmente insustentável; se nos perguntarmos qual é o sistema de sanções unilaterais mais injusto, severo e prolongado que se aplicou contra país algum; se queremos mostrar um ato de agressão unilateral que é uma ameaça permanente contra a estabilidade de Cuba, suas possibilidades de desenvolvimento e o bem-estar de seu povo só há uma resposta: é o bloqueio. 

Em plena pandemia da Covid-19 a estrutura política, legal e administrativa que sustenta o bloqueio se mantém intacta, agravada pelas mais de 240 medidas tomadas durante a administração Trump, que não foram derrogadas pelos novos inquilinos da Casa Branca. Junto a tudo isto, intensificou-se a campanha midiática contra Cuba, baseada, como sempre, na mentira e na difamação. 

O bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pela governo dos EUA contra Cuba constitui, em meio a pandemia da Covid-19 e apesar do esmero do sistema de saúde pública e da indústria farmacêutica cubana, um lastro macabro aos esforços dirigidos a barrar o avanço do vírus, salvar vidas e cooperar com outros países contra a doença. 

Em plena pandemia da COVID-19 a estrutura política, legal e administrativa que sustenta o bloqueio se mantém intacta

Reprodução: Flickr
Cuba sofre com bloqueio econômico, comercial e financeiro por parte dos estadunidenses há 60 anos.

Que tipo de cooperação se poderia realizar a partir de Cuba que já enviou brigadas médicas por todo o mundo e que prepara cinco candidatas vacinais, se o bloqueio tivesse fim? Não será a aplicação extraterritorial do bloqueio que afeta os interesses de todos os estados do planeta, viola o direito internacional e prejudica gravemente o multilateralismo, uma forma de estender o domínio da morte e castigar a solidariedade tão necessária em meio de uma pandemia?

Segundo o Informe elaborado por Cuba anualmente, em virtude da Resolução 74/7 da Assembleia Geral das Nações Unidas intitulada “Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos de América contra Cuba”, durante as seis décadas de aplicação dessa desumana política, os prejuízos acumulados ascendem a 144 bilhões e 413,4 milhões de dólares. 

No período de abril de 2019 até março de 2020 o país sofreu perdas da ordem de 5 bilhões e 570,3 milhões de dólares, número que supera em um bilhão e 226 milhões de dólares o período anterior e é a primeira vez que se registra uma cifra de mais de cinco bilhões de dólares, evidência do recrudescimento do bloqueio nestes tempos. 

Diante dos muros que ergue esta política cruel, a vocação da Casa de las Américas tem sido a de abrir portas a partir da cultura. Quiseram cortar os vínculos entre Cuba e o resto do mando, mas a Casa tem sabido estender pontes, não só na América Latina e no Caribe, mas inclusive com o povo estadunidense. 

No próximo 23 de junho, Cuba apresentará ante a Assembleia Geral das Nações Unidas a resolução anual para pedir fim ao bloqueio dos Estados Unidos contra a Ilha e que no ano 2020 foi preciso adiar devido à pandemia. Pedimos o apoio e o respaldo dos amigos e amigas da Casa de las Américas, por meio de todas as vias aos seu alcance durante os dias e semanas prévias à votação, para respaldar a voz de Cuba na ONU. 

O bloqueio não tem cumprido nem cumprirá o propósito de dobrar a decisão patriótica do povo cubano de preservar sua soberania e independência e receberá sempre nossa condenação mais enérgica e o rechaço de todos os homens e mulheres de bem do Caribe e da Nossa América e do mundo. 


** Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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