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Da libertação da África à Independência de Angola: as batalhas de Fidel em seus 94 anos

A profissão que exerceu foi o entregar-se e suas palavras emergem hoje com a força de sempre de um modo crescente nos mais diversos auditórios do mundo
Gustavo Espinoza M.
Diálogos do Sul
Lima

Tradução:

Quem não está com Cuba, com sua revolução, com Fidel Castro está do outro lado, da ignomínia e da traição. Se a Revolução Cubana se extinguisse seríamos apagados da lousa do mundo.

Pablo Neruda

Fidel Castro Ruz é a mais destacada figura da América Latina e do Caribe em nosso tempo. Por isso vive – e viverá – na consciência de todos os que lançam um grito de guerra contra a opressão e a injustiça.

Desde aqueles dias de 1952 quando irrompeu nos corredores do Poder Judicial cubano para interpor uma denúncia contra Fulgêncio Batista pelo Golpe de Estado de 10 de março, até sua mais recente e grande vitória, a liberdade dos 5 Heróis Cubanos Prisioneiros do Império e arrancados dos cárceres nessa memorável manhã de 17 de dezembro de 2014, o itinerário de Fidel foi uma concatenação sucessiva de lutas e vitórias que suscitam crescente admiração no mundo inteiro. 

As batalhas de Fidel conheceram os mais diversos cenários e modalidades. Foi Santiago de Cuba e a heroica jornada de 26 de julho de 1953, o Julgamento do Moncada e “A história me absolverá”; a luta guerrilheira na Sierra Maestra; a vitória de janeiro de 1959; o ascenso ao Poder; Playa Girón e o caráter Socialista da Revolução; a crise dos mísseis em 1962; as tarefas pela construção de uma nova sociedade em uma ilha cercada; a mão estendida ao processo revolucionário latino-americano; a solidariedade com povos e governos progressistas na Ásia, África e América Latina; sua identificação com o Chê; sua voz no concerto dos Países Não Alinhados; seu apoio às experiências de Juan Velasco e Salvador Allende, no Peru e no Chile; seu julgamento da crise do socialismo; sua perseverança absoluta após a queda da URSS; e a batalha final pela recuperação dos seus aferrolhados nas masmorras do Império; foi uma série sucessiva que formou parte de uma extensa história: a do Processo Revolucionário Latino-americano que ainda não está concluído.

Ao completar-se nos próximos dias, o 94º aniversário de seu nascimento, cada um destes episódios será evocado inúmeras vezes; e de todos brotará uma mesma lição: a luta está colocada em todos os terrenos porque os inimigos dos povos ainda têm poder em diversos confins do planeta.

A profissão que exerceu foi o entregar-se e suas palavras emergem hoje com a força de sempre de um modo crescente nos mais diversos auditórios do mundo

Prensa Latina
Hoje comemora-se o 94º aniversário do nascimento do líder da Revolução Cubana.

A luta de Fidel foi nos mais diversos planos. No terreno das armas nos duros anos da guerra, entre 1956 e 1959, mas também depois, inclusive na libertação da África, e na decisiva batalha de Cuito Canavale que consagrará a Independência de Angola.

Nessas lutas brilhou não só o estrategista lúcido e arriscado, mas também o comandante audaz e valoroso que se jogou inteiro pela causa dos povos. E nessas lutas cresceu também na consciência de milhões a vontade de enfrentar o domínio do Império e abrir caminho ao desenvolvimento emancipador de países, que hoje somam verdadeira maioria no concerto mundial das nações.

Mas a batalha se deu também nas tarefas cumpridas pela construção de uma nova sociedade, mais humana e mais justa. Encarar os problemas de seu povo e desenvolver políticas capazes, destinadas a entregar saúde, educação, moradia, emprego e alimentação a milhões de cubanos, foi um verdadeiro paradigma para todos os que pensaram em forjar um modelo de construção social em que se dessem as mãos a dignidade e o compromisso cidadão.

A batalha solidária foi um zênite dessa política. Uma solidariedade social que comprometeu a todos os cubanos uns com os outros para sair adiante juntos, sem desmedro de suas potencialidades individuais, mas vendo sempre no acionar coletivo das massas a ferramenta transformadora da sociedade. 

Essa vontade solidária se estendeu depois pelas mais diversas latitudes do planeta, em muitos momentos e em múltiplas modalidades. E se projetou – desde o início do século XXI – na ação das Brigadas Médicas Cubanas que hoje operam no mundo levando saúde e vida a milhões de pessoas. 

A defesa dos princípios esteve no centro das preocupações de Fidel de uma maneira constante e clara. Foi intransigente na matéria e pôs toda a força de sua vontade na defesa do que bem poderiam ser considerados os ideais supremos da vida humana: a fortaleza na luta e a generosidade na vitória, indicadores ambos de uma personalidade bem integrada. 

Essa política de princípios o levou sempre a tomar partido pelas causas mais justas; a solidariedade com o Vietnã; o apoio às lutas de libertação no Continente Negro; o combate à penetração imperialista na América Latina; a identificação com a bandeira da paz; e o empenho constante por marcar a fogo a ação guerreirista do governo norte-americano. Em tudo isso foi imbatível. 

A batalha de ideias foi uma ferramenta decisiva em sua mensagem para povos e governos. Não houve evento internacional, encontros de mandatários, conferências em Universidades e Centro Acadêmicos, em discursos às multidões, entrevistas aos meios de comunicação e às personalidade da cultura, da arte e da política, em que não pôs empenho em sublinhar a decisiva importância da mensagem. Suas palavras emergem hoje com a força de sempre e se valorizam de um modo crescente nos mais diversos auditórios. 

Como se recorda, em sua vida tumultuosa, foi objeto de numerosos atentados.  O inimigo o assediou sempre e buscou destruí-lo a qualquer preço. De todas as tentativas saiu vitorioso e empenhado sempre em perseverar em sua identificação com as forças mais avançadas do planeta. 

Seu decesso, há penas quatro anos, comoveu a milhões de pessoas em todos os países. E parafraseando Alberto Hidalgo, poderia dizer-se de Fidel, com toda a propriedade:  

“A profissão que exerceu foi o entregar-se. 

Proporcionava uma amizade de figueira, dava alimento e sombra. 

E por isso depois de atacá-lo a morte percebeu

que havia abatido não somente um homem, mas uma árvore

Ainda restam suas raízes na terra”

Gustavo Espinoza M., Colaborador de Diálogos do Sul de Lima, Peru.

Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Gustavo Espinoza M. Jornalista e colaborador da Diálogos de Sul em Lima, Peru, é diretor da edição peruana da Resumen Latinoamericano e professor universitário de língua e literatura. Em sua trajetória de lutas, foi líder da Federação de Estudantes do Peru e da Confederação Geral do Trabalho do Peru. Escreveu “Mariátegui y nuestro tiempo” e “Memorias de un comunista peruano”, entre outras obras. Acompanhou e militou contra o golpe de Estado no Chile e a ditadura de Pinochet.

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