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Da Patagônia à Califórnia, Cúpula dos Povos pela Democracia dá voz às nações excluídas

“Estamos aqui para um projeto coletivo de libertação”, afirmou Manolo de los Santos, um dos coordenadores do encontro alternativo à Cúpula das Américas
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

Proclamando o fracasso da Cúpula das Américas por sua falta de inclusão, elogiando a posição do Presidente Andrés Manuel López Obrador e seu colega boliviano por recusar-se a participar pessoalmente por causa da exclusão de vários países, e declarando que “é hora dos povos” para definir o futuro do hemisfério, foi inaugurada a Cúpula dos Povos pela Democracia em paralelo, mas em oposição, à cúpula dos governos e seus convidados. 

Continuando com a tradição de realizar uma contra cúpula cada vez que é convocada a Cúpula das Américas, representantes de um amplo mosaico de forças progressistas ao redor das Américas (sindicalistas, indígenas, movimentos camponeses, defensores dos direitos dos migrantes, de direito civil e mais), marcaram encontro em Los Angeles para oferecer um foro alternativo ao oficial que foi endossado por mais de 250 organizações.

Segundo os organizadores, chegaram delegações de várias partes dos Estados Unidos como do Brasil, Haiti, Argentina, México, Bolívia, Porto Rico, Guatemala, Colômbia, Costa Rica, Venezuela, Gana, África do Sul e Palestina. “Nos próximos dias, construiremos pontos por meio de divisões históricas mediante o diálogo e intercâmbio, vinculando lutas que por demasiado tempo permaneceram isoladas, e elevaremos as vozes de todos os excluídos da Patagônia à Califórnia”, declarou a cúpula alternativa. 

Manolo de los Santos, do Peoples Forum e um dos coordenadores da cúpula alternativa declarou ao inaugurar as sessões que “a cúpula de Biden é um fracasso”, em parte por sua exclusão de Cuba, Venezuela e Nicarágua. “Estamos aqui para um projeto coletivo de libertação” no hemisfério, sublinhou.

“Estamos aqui para um projeto coletivo de libertação”, afirmou Manolo de los Santos, um dos coordenadores do encontro alternativo à Cúpula das Américas

Reprodução – Twitter

Representantes indígenas da Amazônia denunciaram haver sido excluídos da Cúpula das Américas

Em seu primeiro dia, a cúpula dos povos denunciou a ausência de Cuba, Venezuela e Nicarágua na cúpula oficial e elogiou a decisão do presidente López Obrador de não comparecer por essas exclusões, e inclusive circularam citações de sua declaração sobre o assunto.  

Após denunciar que o governo de Joe Biden se recusou a outorgar vistos a vários convidados cubanos, a cúpula alternativa incorporou essas vozes “rompendo o bloqueio” através de intervenções por vídeo. A primeira oradora de Cuba foi a jornalista Cristina Escobar, que ofereceu um resumo dos efeitos do bloqueio e um questionamento sobre porque Biden manteve até agora as mesmas políticas de Donald Trump.  

O integrante e líder juvenil do Movimento ao Socialismo Andrónico Rodríguez destacou que o presidente boliviano decidiu não vir em protesto pelas exclusões de Cuba, Venezuela e Nicarágua na cúpula oficial. Repassou a história recente do intervencionismo estadunidense e da OEA em seu país, incluindo o golpe de estado contra Evo Morales, e o modo em que forças populares, sobretudo os jovens, retomaram o poder para continuar com o projeto de democratização e em defesa da soberania de seu país. “É hora dos povos e não de imposições: é hora dos povos e não dos impérios”, concluiu.

Ao longo do dia foram realizados foros sobre diversos temas, desde as intervenções estadunidenses nas Américas (na qual participou a jornalista mexicana Alina Duarte), a construção do internacionalismo popular, o bloqueio contra Cuba, a saúde como direito humano e a luta pela democracia popular (na qual estava programada a senadora mexicana Citlalli Hernández e o líder migrante da organização de trabalhadores rurais NDLON, Pablo Alvarado), oficinas e intercâmbios, culminando, o que será feito a cada noite, nas próximas três noites, com um concerto. 

Ao mesmo tempo, começou uma série de mobilizações que se realizaram ao longo dessa cúpula alternativa com uma manifestação exigindo o respeito aos direitos humanos dos migrantes no hemisfério como na própria Los Angeles.

Em outro evento paralelo à Cúpula das Américas, o Encontro de Povos Indígenas de Abya Yala (as Américas) está desenvolvendo sua agenda coletiva sobre a livre determinação dos povos indígenas e emitiu um comunicado com algumas de suas propostas e demandas que serão apresentadas à cúpula oficial, incluindo sua oposição ao projeto do Trem Maia no México. “denunciamos a flagrante e sistemática violação do direito ao Consentimento Livre, Prévio e Informado dos povos indígenas no contexto do tratado comercial TMEC e fazemos um apelo à sua administração para deter o Trem Maia”, afirmam em uma carta enviada ao governo mexicano.

Por outro lado, representantes indígenas da Amazônia denunciaram haver sido excluídos da Cúpula das Américas que se celebra esta semana em Los Angeles e “que tem em sua agenda a discussão sobre a mudança climática”, afirmou Atossa Soltani, fundadora e presidenta da ONG Amazon Watch. “Foi negada a entrada a vários delegados indígenas”, agregou.

Separadamente, ativistas brasileiros se manifestaram contra o presidente Jair Bolsonaro, e um caminhão com telas eletrônicas circulou com a imagem do presidente e mensagens de “Fora Bolsonaro” e “Bolsonaro ama Trump”.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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