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Dar fim às políticas neoliberais: o desafio argentino após vitória de Massa

Se Massa ganhar, nossa vitória consistirá em que o problema que enfrentaremos será enorme, mas é o problema que preferimos
Ovejo Negro
Diálogos do Sul
Buenos Aires

Tradução:

Entendo a necessidade emocional de um respiro, de uma alegria para o brinde, de uma ilusão esperançosa, de romantizar as hipóteses e os pareceres, porque fica mais épico.

Se Massa ganhar, nossa vitória consistirá em que o problema que enfrentaremos será enorme, mas é o problema que preferimos, eu incluído.

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Neste segundo turno não escolheremos entre dois modelos de país, essa é a consigna Disney da política vernáculaalienada e violenta, perversa e vende pátria dos oligarcas mais reacionários (os de Milei) e um cínico perverso vende pátria (Massa).

Ver Urtubey convidado para o debate por Massa me provocou náuseas… porque se o verso da amplitude fosse esse, Milagro Sala também teria estado livre e convidada para o debate.

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Para saber mais sobre a disputa eleitoral no país, confira nossa editoria especial: Eleições na Argentina.

Mas fustigou-o com a pobreza e a miséria que paga a todos os aposentados. Está claro que quando os oligarquistas (Oligarquista: seco inculto que defende os oligarcas) pensam nos pobres, é para matá-los.

Se Massa ganhar, nossa vitória consistirá em que o problema que enfrentaremos será enorme, mas é o problema que preferimos

Facebook | Reprodução
A realidade vai nos juntar de novo e a maturidade deverá prevalecer

E é aqui que nos diferenciamos:

Os do lado de cá, dizemos não entender como se pode ser tão idiota para votar em um louco.

Os do lado de lá, dizem não entender como se pode ser tão idiota para votar em um tipo que nos mantém empobrecidos e desesperados com a escalada dos preços.

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Se eu fizesse parte do projeto da campanha, proporia uma última consigna de campanha: “Se ia votar em Milei, vota em Massa, que vai fazer a mesma coisa, porque também é de direita. Ou você pensava que ele era peronista?”.

Por sorte, ontem Massa me disse que eu não era o único e que ele sabia que “muita gente” nem mesmo votará nele convencido, mas o fará para não eleger o outro caminho que é violência, que é ódio, que é dano.

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A militância órfã tem uma enorme dificuldade de estudar prospectiva política, que é com o que sempre nos ganha o poder, que a maneja às mil maravilhas. Dificuldade que surge do caráter adolescente dessa orfandade, que perde tempo buscando quem a adote, resistindo a sua maioridade.

Os estudos de prospectiva política não se fazem pela vã aspiração de ter razão, fazem-se para traçar o caminho, com diferentes estratégias defensivas para eludir às dificuldades imponderáveis e deixar de ser o furgão da fila, que se queixa pelos golpes da conjuntura.

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O alberto-massismo nunca deixou de ser acólito da embaixada, da marcha dos guarda-chuvas de Nisman, da legalização da estafa do FMI e da neo-escravização dos trabalhadores, que por excelentes que sejam, não chegam a satisfazer suas necessidades básicas.

Nos trocaram Perón por Braden. É isso que votaremos no domingo (22) e ainda não estudamos como sair desta armadilha.

Espero que Massa ganhe, certo. Mas o que vamos fazer com a continuidade das políticas neoliberais? Vamos continuar como bobos submetidos ao slogan de “não fazer o jogo da direita”? Organizados em que corrente vamos nos manifestar? Com mais mensagenzinhas de WhatsApp?

Companheiros, festejem, divirtam-se, cantem, dancem, neste momento xinguem-me, mas lembrem-se do que lhes digo: a realidade vai nos juntar de novo e a maturidade deverá prevalecer.

Sou Enrique Box, o Ovelho Negro | Colunista na Diálogos do Sul, direto de Buenos Aires.
Tradução: Ana Corbisier


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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