Pesquisar
Pesquisar

Democrata favorito, Sanders enfrenta poder multimilionário nas primárias estadunidenses

Principal rival do senador neste momento, Mike Bloomberg é um dos homens mais ricos do planeta e está literalmente tentando comprar a nominação
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

Um socialista democrático e um multimilionário dominam por ora o concurso democrata que selecionará um candidato para enfrentar o multimilionário na Casa Branca nas eleições presidenciais, o que em grande medida resume a essência desta conjuntura política no país.

O senador Bernie Sanders encabeça as preferências entre democratas nacionalmente nas pesquisas mais recentes e em várias das eleições internas do Partido Democrata que serão celebradas entre agora em 3 de março e que poderiam determinar se o socialista democrático consolida sua posição como o candidato que chegará à Convenção Democrata com a pluralidade de delegados.

Seu principal desafiante neste momento é o ex-prefeito da Nova York, Mike Bloomberg, um dos homens mais ricos do planeta que está literalmente tentando comprar a nominação presidencial democrata, no que já gastou aproximadamente 300 milhões de dólares de sua própria fortuna para inundar a televisão, o rádio e as redes sociais com sua propaganda. Disse que está disposto a investir até um bilhão de dólares em sua cruzada para derrotar Donald Trump – que antes considerava um “grande tipo” e com quem jogou golfe (há fotos).  

A estratégia de Bloomberg foi entrar tarde ao concurso – só há 10 semanas – depois de concluir que o ex-vice-presidente Joe Biden, o favorito da cúpula, estava fracassando e só começar a submeter-se ao voto nos 14 concursos estatais que se realizam na chamada “super terça-feira”, em 3 de março.  

Seu investimento sem precedente nos meios colheu uma rápida subida chegando ao segundo e terceiro lugar em algumas pesquisas nacionais entre democratas – com o que também (depois de uma mudança de regras do partido em seu benefício) conseguiu um convite ao debate entre os seis principais candidatos democratas realizado na quarta-feira (19). 

No entanto, aparentemente não se preparou e o consenso entre analistas foi que – dadas as altas expectativas – o multimilionário que se apresenta como a única opção viável para derrotar Trump por sua experiência exitosa como empresário e prefeito, foi o grande perdedor. 

A senadora Elizabeth Warren, candidata da ala progressista do partido, foi particularmente devastadora ao questionar seu comportamento sexista e suas políticas policiais racistas quando foi prefeito de Nova York, mas deu-lhe um soco no fígado por sua defesa dos interesses dos mais ricos deste país. Falando desta eleição, afirmou que “não podemos substituir um multimilionário arrogante por outro”

Para Sanders, a chegada de Bloomberg ao cenário é perigosa mas ao mesmo tempo afortunada já que a mensagem central de Sanders é o sequestro e a corrupção da democracia pelos mais ricos deste país. Sanders repetiu que é “imoral” que em tempos nos quais multimilionários como Bloomberg são cada vez mais ricos, a maioria está igual ou pior que há 30 anos. Indicou que a fortuna pessoal de Bloomberg (uns 60 bilhões de dólares) é maior que a riqueza dos 120 milhões de estadunidenses mais pobres.  “Sabe que, senhor Bloomberg, não foi só o senhor que ganhou toda essa grana, talvez os seus trabalhadores tenham tido um papel nisso também, e é importante que esses trabalhadores compartilhem os lucros”. 

No sábado será realizado o terceiro concurso eleitoral entre estes candidatos democratas, desta vez em Nevada, onde por primeira vez o voto latino se torna fator crítico (representam 29% da população estatal, e quase 20% dos cidadãos com direito a voto já registrados). Sanders domina, por enquanto, nesse setor, como entre os jovens em todos os setores.  

Depois de Nevada segue Carolina do Sul na próxima semana, onde o voto afro-estadunidense desempenha um papel determinante, e onde a campanha de Biden está apostando tudo para ressuscitar o candidato da cúpula. 

Mas o prêmio maior é, sem dúvida, a “super terça-feira” na qual está em jogo um terço do total de delegados que são os que votam para selecionar o candidato do partido na convenção nacional no verão. Sanders encabeça pesquisas em vários desses estados, incluindo os dois maiores, Califórnia e Texas.  

Se é necessário um multimilionário para ganhar de um multimilionário nas eleições dos Estados Unidos, já não somos uma democracia, somos uma plutocracia”, opinou a ex-dirigente do sindicato nacional de enfermeiras RoseAnn DeMoro, que está apoiando Sanders.

La Jornada, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

Veja também


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

LEIA tAMBÉM

Netanyahu
Pouco há para comemorar na decisão da Corte Penal Internacional contra Netanyahu
Nationale Sozialisten,Demonstration,Recht auf Zukunft,Leipzig,17
Conluio da extrema-direita realizado em Madri é só a ponta do iceberg
EUA-fentanil
A DEA, a ofensiva contra o México, o fentanil e os mortos por incúria
Wang-Wenbin-China
China qualifica apoio dos EUA a separatismo em Taiwan como “grave violação” e exige retratação