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Denúncia contra império empresarial de Trump e investigação de tentativa de golpe de Estado deixam Trump na berlinda

As acusações, segundo notícias vazadas, já que o processo até agora foi secreto, giram em torno a possíveis fraudes de impostos e de manipulações ilícitas da contabilidade da empresa, entre outros delitos
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

Em um dia desfavorável para Donald Trump, foram apresentadas, nesta quinta-feira (1º) acusações criminais contra seu império empresarial em Nova York, o que pode marcar o fim de seus negócios e prejudicar seu perfil político, enquanto a câmara baixa aprovou a formação de uma comissão seleta para investigar a tentativa de golpe de Estado que ele incitou em janeiro, diante do que o acusado se refugiou em seu muro fronteiriço.

Um grande júri em Nova York apresentou acusações formais contra o negócio da família Trump, Trump Organization, e seu principal executivo financeiro e íntimo aliado, Allen Weisselberg, segundo fontes citadas por vários meios nacionais.

Seriam as primeiras acusações criminais contra a empresa de Trump desde que começaram investigações de promotores de Nova York e autoridades estaduais. No entanto, não se espera que sejam apresentadas, por ora, acusações pessoais contra o ex-presidente.

As acusações, segundo notícias vazadas, já que o processo até agora foi secreto, giram em torno a possíveis fraudes de impostos e de manipulações ilícitas da contabilidade da empresa, entre outros delitos. Alguns especialistas sublinharam que a surpresa são as acusações formuladas contra a própria empresa, e que se forem graves poderiam provocar a bancarrota da Organização Trump, pois poderiam implicar na ruptura de relações com todos os bancos e outras empresas. 

As acusações, segundo notícias vazadas, já que o processo até agora foi secreto, giram em torno a possíveis fraudes de impostos e de manipulações ilícitas da contabilidade da empresa, entre outros delitos

Fotos Públicas
O ex presidente Donald Trump

Invasão do Capitólio

Enquanto isso, em Washington, pela primeira vez o Congresso vai impulsionar uma investigação a fundo do assalto violento do Capitólio instigado por Trump e seus aliados, ao ser aprovada hoje na câmara baixa por 222 votos contra 190 – só dois republicanos se somaram a todos os democratas – a formação de comitê especial em torno aos eventos do passado 6 de janeiro.  

Embora mais de 500 participante desse ataque, cujo propósito foi interromper a certificação final do processo eleitoral que culminou com a derrota de Trump, tenham sido detidos e, portanto, há um longo trajeto judicial desse incidente, a tentativa de estabelecer uma comissão independente bipartidária para realizar a investigação foi anulada pelos republicanos no Senado há um mês. Diante disso, a presidenta democrata da câmara baixa, Nancy Pelosi, promoveu o criação do comitê especial no Congresso.

O comitê seleto, segundo a medida aprovada hoje, “investigará e reportará os fatos, circunstâncias e causas” do que os democratas chamam de “ataque terrorista doméstico” sobre o Capitólio. Em particular, um enfoque será sobre o papel de Trump no incidente. 

No entanto, embora seguramente vá haver mais revelações – foram gravados mil vídeos e fotos, algumas das quais foram tiradas pelos próprios participantes e usadas para identificá-los e os deter – muito sobre os acontecimentos desse dia já se sabe.

O comediante político Stephen Colbert resumiu a notícia do novo comitê assim: “finalmente poderemos ficar sabendo do que já todos sabemos que aconteceu”.

Trump e os republicanos 

Trump, por ora, parece manter o controle sobre grande parte do Partido Republicano, obrigando a 190 legisladores votarem contra o fato de esclarecer o pior assalto violento ao Capitólio desde a Guerra de 1812.

De fato, alguns deles estiveram entre os instigadores do ataque de 6 de janeiro ao reiterar a acusação falsa do então presidente de que a eleição tinha sido ilegítima por uma fraude massiva. Portanto, seguem rechaçando a gravidade do que aconteceu, e politicamente sabem que não lhes convém que esse tema continue presente.

Diante disso, já começaram a desqualificar o comitê como apenas uma manobra partidária dos democratas. 

Alguns observadores como Ari Berman, de Mother Jones, recordaram que 139 republicanos na câmara baixa haviam votado para anular os resultados eleitorais de 2020 depois de haver instigado a chamada “insurreição”, e que hoje 190 republicanos votaram contra a instalação de um comitê bipartidário para investigar essa insurreição. 

Porém alguns republicanos estão enfurecidos. Bill Kristol, una figura influente conservadora, acusou hoje que “um partido nacional deseja encobrir o atentado para subverter a eleição mais recente”. 

“Caça as bruxas” 

Trump, como sempre, qualificou todas as investigações contra ele como “uma caça às bruxas” motivadas politicamente. Na última quarta-feira (30), talvez para buscar desviar a atenção, realizou uma volta pela fronteira a convite do governador do Texas, Greg Abbott, que entre outras coisas declarou que continuará construindo o muro fronteiriço iniciado pelo ex-presidente Trump. Aí mais 20 deputados federais republicanos se somaram à visita, onde escutaram o mesmo roteiro de que a fronteira está pior do que nunca, com “milhões de pessoas chegando”.

Depois de saber que haverá acusações criminais contra sua empresa e que será investigado por seu papel em uma intentona golpista, Trump declarou na fronteira: “Biden está destruindo nosso país, e tudo começou com uma falsa escolha”.

David Brooks, correspondente de La Jornada em Nova York

La Jornada, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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