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Depois do desastre neoliberal de Bolsonaro, Brasil precisa de Projeto de Salvação Nacional

Meio ambiente, recursos humanos e econômicos, saúde, educação, ciência e tecnologia: tudo definha desde que a gestão do país foi entregue aos EUA
Amaro Augusto Dornelles
Diálogos do Sul
São Paulo (SP)

Tradução:

2022 coloca o eleitor diante da missão de entrar na luta pela independência do país mais do que nunca. Ou então aceitar a submissão irrestrita ao Império do Norte. Ou seja, deixar Bolsonaro, família/milícias & seu ‘oficialato de aluguel’ terminar a devastação do Brasil inteiro.

Em anos a turba travou e inviabilizou o progresso: reduziu verbas para educação, bolsas d’estudo, pesquisa, ciência e tecnologia. Os Ianques sabem como acabar com um país.

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O poder de seus dólares, das redes antissociais, aliados à crônica falta de caráter de empresariado nativo, não costumam falhar. Tudo com direito a duas cerejas no bolo: Congresso Nacional & Superior Tribunal Federal.

O governo Imperial, que posa de exemplo da democracia no mundo, conta como favas contadas a reeleição de seu lacaio terminar o que iniciou. 

Mas a esperança é Vermelha

Há 200 anos o que era pra ser liberdade no futuro virou tempestade d’areia em pleno Pantanal, no ano da desgraça de 2021 e 22 – em boa parte de Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste. O sertão da Bahia virou mar. E matou na enchente. Já no Pampa – metade do território do Rio Grande do Sul e partes de Uruguai e Argentina – um deserto avança sobre o verde graças à devastadora seca provocada pelo Agro.

O mundo é devastado pela peste pandêmica – mas a ideologia “Time’s Money” não admite contraordem: a mando da Casa Branca, o capitão, expulso do exército eleito presidente, desafia a ciência e o mundo para cumprir as ordens do Império. Como avestruz, o ‘lacaio’ nega a peste, que já dizimou mais de meio milhão de vidas. E segue a perseguir quem não concorda com seu plano de ’entrega’ do que sobrou do país.

No bicentenário, nossa independência é obra inacabada; Brasil segue sem ter projeto nacional

À época da Independência, a voracidade com que Portugal avançou sobre o Brasil – para compensar seu ‘prejuízo’ por perder a colônia – parece lição de catecismo, diante da fúria capitalista sobres países que já foram chamados de emergentes – como Brasil. Trump, Biden, Kennedy. Republicanos e Democratas se alternam no poder sem mudar o “modus operandi”.

O professor *André Martim – entrevistado especial desta edição – é taxativo: “O Brasil é o maior responsável pelo desenvolvimento do capitalismo no mundo. Uma revolução brasileira pode quebrar o capitalismo mundial, creriam. A exploração dos recursos naturais no País é absurda”, revolta-se. Devastação (solo e subsolo) em Alcântara (MA), Amazônia (MA), Pantanal…É como se Pindorama tivesse saído das garras do gato para deixar o lobo entrar. 

A eleição no ano da Festa dos 200 anos da ‘Independência ou Morte’ coloca o cidadão diante da missão de optar pela luta pela independência de novo. Ou aceitar bovinamente a submissão irrestrita aos ‘irmãozinhos do Norte’.

Aparelhados com dólares e a quarta frota, caso necessário, eles sabem o que fazer, como mostra a história. Apear do poder a horda de militares e civis corruptos é obrigação do eleitor neste pleito – o mais importante da história desta triste república, que paga o preço amargo de situar-se perto demais do Pentágono. 

Planeta Vermelho

Caso a reeleição ocorra, a única saída para os conterrâneos será colonizar Marte, o Planeta Vermelho. No clássico dos clássicos da Ficção Científica de Ray Bradbury – “As Crônicas Marcianas” – o homem coloniza Marte, depois de empestear o planeta e começar mais uma guerra mundial.

No início do século XX, Ray vislumbrou os flagelos que a Terra enfrentaria no III Milênio. Se já não bastasse a poluição em quase toda superfície, quem vê o planeta do espaço sideral não pode deixar de ver ‘calotas de lixo espacial’, deixado pelos adeptos do american “way of life: “usa e joga fora”.

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Do meio ambiente a recursos humanos, econômicos, investimento em controle ambiental, censos, saúde, educação, ciência e tecnologia. Tudo o que interessa ao país definha – ou é simplesmente extirpado com canetaço – desde que os EUA assumiram a gestão do país pelas mão de “Jair se Acostumando ao Caos”.

Nesta entrevista, o especialista mostra o valor da Geopolítica para compreender a história: “O país vive uma situação parecida com o que protagonizou na época da proclamação da Independência. Ou aceitava seguir como colônia – governada pelas Cortes lusas (hoje o capitalismo do Norte) – ou se insurgia contra o Império Português. 

A própria mídia hegemônica – responsável pela catapultagem de Bolsonaro ao Palácio do Planalto em 2016 – mostra todo dia a expansão avassaladora da fronteira agrícola. A ferro e fogo, eles avançam por cerrado, Amazônia; invadem reservas indígenas; assassinatos; devastação da floresta e subsolo, exploração de madeira – além da exploração mineral em reservas de povos ainda sem contato com o homem branco.

Desde que foi ocupado por Bolsonaro e sua tropa, a nação passou a ser “Protetorado dos Estados Unidos”, desfecha André.

Meio ambiente, recursos humanos e econômicos, saúde, educação, ciência e tecnologia: tudo definha desde que a gestão do país foi entregue aos EUA

Wilfredor / Wikimedia Commons
Há dois possíveis caminhos à frente: através de Justiça Social e prosperidade da nação brasileira ou pela escravização do povo

A Elite Quer

Diálogos do Sul – A palavra que não sai das manchetes políticas da mídia hegemônica é III Via. Que troço é esse, professor? 

André Martin – Boa questão, pois busca-se, na verdade, um terceiro candidato, e não um conjunto de ideias diferentes das outras, novos ideários. Está tudo muito centrado na pessoa. Temos uma política muito personificada no País. Então, na verdade tentam conseguir um terceiro candidato.

Frei Betto: No bicentenário da independência do Brasil, teremos razões para comemorar?

Se formos ver com atenção, onde está a grande diferença entre Lula e Bolsonaro? Na política econômica? Será que a ideia de pôr Alckmin para vice de Lula não visa seguir a política de Paulo Guedes? Ora, isso é tudo o que a nossa elite quer. Essa me parece ser a questão que dificulta colocar, realmente, a ideia de uma III via. No fundo, o que se quer preservar é o neoliberalismo. A todo custo…

Mas o PT e Lula podem representar o neoliberalismo?

Se a opção deles for aceitar o vice e as indicações do grande capital – da burguesia paulista, claro que quer Alckmin como vice – penso que o sinal dado à sociedade é sim. Mas em termos de política econômica não se espere nada tão diferente do ‘Posto Ipiranga’. Esse parece ser o ponto central. Sabemos que para se diferenciar do Bolsonaro nem é tão difícil. Basta não ser estúpido.

Mas porque III Via? E o que se quer impedir numa vitória do Lula? Se quer impedir uma política social. Uma política industrial, de desenvolvimento, nacionalista. É por isso que, na minha opinião, esta ideia de III Via é uma falácia. Mas dependendo como for escolhido o vice do Lula, aí sim teremos a opção de escolher entre um projeto neoliberal e outro desenvolvimentista.

Portanto, são duas vias em disputa. Aí então teremos condições de ver qual delas está mais aderente às necessidades do País. Se ficar só, Bolsonaro e Lula não é tão difícil a escolha: independência ou morte. Mas o PT tem de mostrar que a postura dele é a defesa da soberania nacional. 

Estado Centro da Economia

Depois da traição de Temer na queda de Dilma Rousseff, é preciso ser tão pragmático e pegar um vice com o perfil de Alckmin? Mandou a PM bater e jogar bombas em alunos em protesto contra fechamento de escolas, ‘criou’ Ricardo de Aquino Salles, ministro do Meio Ambiente. E ainda trouxe Alexandre de Moraes, hoje no STF, para ser Secretário de Segurança. O crime organizado faz parte do pacote. 

Este é outro ponto complexo pois levanta a questão da lealdade. É claro que uma aliança se faz necessária, o vice não deve ser necessariamente do mesmo campo do presidente. Procura-se sempre um vice que alargue a base de apoio. Isso é correto. Mas até onde vai essa concessão para conseguir fazer uma aliança.

O ponto principal é a política econômica. É só lembrar: quem definiu a inserção do modelo neoliberal foram os tucanos a partir do governo de SP. Houve Collor antes, mas a definição foi com o PSDB. Isso está destruindo o Brasil. Quem definiu o modelo neoliberal do País no mundo foi o PSDB. Bolsonaro só exacerbou isso ao extremo.

A ideia de privatizar tudo, vender inteiro a patrimônio público, isso está tornando o país inviável. Se não retornarmos a empresas estatais, planejamento, defesa de riquezas naturais, pesquisa e tecnologia, não dá: sem Estado a planejar a Economia não há futuro.

É preciso recolocar o estado no centro da economia nacional. Se o Lula vier com esse discurso, com essa proposta, o Alckmin vai ficar muito desconfortável. Me parece que estão fazendo ao contrário: primeiro querem colocar o Alckmin, para depois tutelar o programa econômico do PT. Vamos ver onde isso vai dar.

Com iminente derrota, Bolsonaro e cúpula militar simulam clima de guerra e instabilidade

Existe a possibilidade dessa conversa de Alckmin vice ser apenas balão de ensaio; há possibilidade de tudo morrer antes mesmo de nascer?

Acho que esta ideia faz sentido. Tanto para o próprio Alckmin discernir seu futuro político, quanto para o próprio PT avaliar o que seria o ganho político, quebrar resistências à candidatura Lula. Pode ser mesmo apenas um balão de ensaio que valha para os dois. E que no final das contas as opções sejam outras.

Acho isso bem factível, por que ao longo desse movimento vai se testando se a ideia é bem aceita, se há resistências, caso positivo, onde estão? Já se verificou, na esquerda e na direita, que nem tudo são ‘favas contadas’. 

Faria Lima em Pânico

Quais seriam as melhores opções para compor com o Operário?

Há problemas. Primeiro estamos em busca da definição de um projeto. Se optarmos por essa linha, primeiro precisamos de um Projeto de Salvação Nacional – depois do desastre provocado por Bolsonaro. É preciso saber como nos comportar na política econômica. Eis a matriz. Desse ponto de vista a união de forças é legítima.

Agora, a questão é que o Projeto Neoliberal se esgotou. De modo que, insistir nele não vai levar o País à salvação. É nesse sentido que vejo a dificuldade em se montar essa chapa, atraindo um neoliberal histórico Geraldo Alckmin, que também sob o ponto de vista da agenda de costumes, é muito conservador. Não combina nada com a postura do PT. Eis um casamento complicado.

Cannabrava | Nossos líderes estão dispostos à quebra do status quo para reconstruir o Brasil?

Mas o fundamental é como iremos nos comportar na política econômica. É “Independência ou Morte”. Aí está a matriz. Se for pra botar o Alckmin e trazer Francisco Dornelles pro BC e coisa que o valha na Economia, não adiantou nada eleição. Precisaríamos de uma chapa com um perfil mais à esquerda para a vice. Urge a retomada do planejamento estatal, o protagonismo do Estado.

Vejo Flávio Dino com esse perfil, Roberto Requião. Até Ciro Gomes. Um dos três poderia mostrar à sociedade que o projeto agora é de Reconstrução Nacional, comandado pelo Estado investidor. É lógico que isso colocaria a Avenida Faria Lima em pânico – mas talvez seja exatamente isso que o Brasil esteja precisando.

Professor, Ciro Gomes é alternativa a Geraldo Alckmin? 

Eu acho sim. Ainda mais depois da loucura da PF invadir a casa dos irmãos Gomes – isso volta a aproximar Lula e Ciro, PT do PDT, é inevitável...

Presidente Sabota BR

Conveniente para Ciro Gomes, que só sabe bancar o ‘pavio curto’ no discurso. Mas na hora em que precisa dele, vai pra Paris. Sem deixar de destilar venenos contra a Lula e a esquerda – direitista ‘de armário’.

Risos. Isso é verdade. Mas o fato é que ele mesmo, aos poucos, vai ficando com pouco espaço. As coisas vêm se precipitando muito rápido. Tanto que já há pressões para que ele desista da candidatura a fim de fechar apoio ao PT.

Não creio que ele venha a chegar a tanto, não já. Mas o fato é que as coisas andam cada vez mais rápido, esta possibilidade está colocada. Não a descartaria, não.

A ‘incrível fábrica de contrainformação ianque’ na eleição presidencial no Brasil tem ainda mais recursos em sua segunda edição. O que fazer?

Até o momento está tudo em aberto, não vai ser uma eleição simples. Bolsonaro já deu mostras de ser capaz de tudo para se manter no poder. Ele vai tentar manipular as forças armadas, Polícia Federal, Polícias Militares, vai tentar criar um clima de tensão, pois trata-se de um ‘pescador de águas turvas’.

Ele quer que a pandemia continue – está mais do que evidente a sabotagem do Sistema Único de Saúde, SUS. Isso é obra de quem, quem tem interesse nisso?

Este é o grande problema, por isso teremos um ano muito difícil, não vai ser nada simples. Estamos diante de um quadro anormal – não há situação política normal. Tudo é perigoso. Teremos de estar mobilizados e ter muito cuidado.

A sociedade deve se mobilizar para defender seus interesses. O adversário político a ser derrotado não é normal. A situação é insegura. Teremos de tomar muito cuidado e nos manter em guarda.

A luta será renhida: disputa pela presidência em pleno ano do bicentenário da libertação do Brasil. Ou reafirmamos nossa independência, ou aceitamos ser colônia dos EUA.

Voltando à III Via: qual é o papel dela junto ao eleitorado?

Vejo como para praticamente impossível definir claramente que bicho possa ser esse. Tudo sempre fica muito em cima dos personagens. Qual é a polarização que eles querem estabelecer? Ah, direita e esquerda. Não, isso é muito vago. Sendo assim, com quem ficamos? Ah mas tem o centro. Mas o que é esse centro?

Ora, isso nunca se define e esse é o ponto. Porque o que está em jogo são outras questões. O que está em jogo é a questão da Justiça Social, do desenvolvimento econômico, a prosperidade da nação brasileira – ou então justamente o contrário, a privatização de tudo, o desmanche do mercado nacional, a submissão total ao capital estrangeiro, a venda de todo o patrimônio do subsolo, escravização do povo, desemprego.

Projeto Desenvolvimento Nacional

Esse é o ponto. Me espanta o debate sem tocar as grandes questões, de ideias. Basta de neoliberalismo. Só no Brasil essa ideologia tem tanta importância. Nenhum país do mundo tem um cara como Paulo Guedes de mandachuva da Economia. Aí o ponto nevrálgico: ele destrói o Brasil. E não vejo se colocar outra ideia: aqui acaba o neoliberalismo e vamos para um novo projeto de desenvolvimento nacional. Como seria isso?

Inapelavelmente, tal plano deveria retornar ao desenvolvimento econômico com planejamento nacional. O retorno do próprio conceito de nação, que está em crise. A própria ideia do que é a nação brasileira. Quem é o povo do Brasil, o que ele quer? Tais questões precisam ser retomadas.

Enquanto isso, a maioria fica atrás de nomes, uma superficialidade flagrante, ‘o mais simpático, mais moderno, ah esse eu não gosto’. Não é por aí que se acha saída pro Brasil. Temos a oportunidade de apontar um projeto nacional que retome o desenvolvimento. Eu começaria defendendo ser inaceitável a privatização de Petrobras e Eletrobras.

Já tomaram a Vale do Rio Doce, isso são questões fundamentais não sei se tais tópicos serão colados no debate. No fundo, o que se quer mesmo é preservar o neoliberalismo a todo custo.

O Lula tem de mostrar que a postura dele é a favor da soberania nacional.

Amaro Augusto Dornelles é colaborador da Diálogos do Sul


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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