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Desafios e soluções em transporte unem as cidades latinoamericanas

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

Emilio Godoy*

3520442680_e18f5cda5e_zA cooperação é uma área que as grandes cidades latinoamericanas deveriam aproveitar melhor para enfrentar desafios compartilhados em matéria de transporte, como o de sua sustentabilidade e o de um desenvolvimento urbano mais humano, sustentam especialistas.

“Os desafios das cidades são semelhantes. Privilegiou-se o uso do automóvel, conforme cresceram com deficiências em seu planejamento, e agora têm que priorizar o espaço público”, disse à IPS/Diálogos do Sul o especialista Bernardo Baranda, diretor para América Latina do estadunidense Instituto de Políticas para o Transporte e o Desenvolvimento (ITDP, nas siglas em inglês). “A cooperação é muito interessante, porque se pode aprender muito com o que se faz em outras cidades. Agora retomam-se projetos de priorizar o transporte público, dar-lhe uma qualidade melhor, assim como alternativas ao usuário para que não use o automóvel”, afirmou.

O ITDP e outras oito organizações internacionais entregaram ao Distrito Federal, sede da capital mexicana, na terça-feira, 15, em Washington, o Prêmio ao Transporte Sustentável 2013, o qual foi recebido por seus responsáveis das áreas de Transportes e Viabilidade e de Meio Ambiente, Rufino León e Tania Müller, respectivamente. No Distrito Federal vivem nove milhões de pessoas, embora, somada sua área metropolitana, que se espalha pelo vizinho estado do México, a população chegue a 20,4 milhões de pessoas, sendo assim a  terceira maior megalópole do mundo, depois de Tóquio e Delhi, segundo a Organização das Nações Unidas.

As outras quatro finalistas foram as cidades de Rosário (Argentina), Rio de Janeiro (Brasil), Bremen (Alemanha) e Kiev (Ucrânia) entre nove candidatas de oito países.?O ITDP e o não governamental Centro de Transporte Sustentável – Embarq, postularam a Cidade do México em agosto, por acrescentar mais uma linha ao sistema Metrobús, uma linha do Sistema de Transporte Coletivo Metrô (trem subterrâneo), estender o programa público de venda de bicicletas Ecobici e instalar parquímetros em alguns bairros. A distinção foi compartilhada na edição de 2012 pelas cidades de São Francisco (Estados Unidos) e Medellín (Colômbia), enquanto em 2011 ia para Guangzhou (China) e em 2010 para Ahmedabad (Índia).

O consultor Roberto Remes disse à IPS/Diálogos do Sul que o prêmio ao transporte sustentável constitui uma oportunidade específica para que as urbes latinoamericanas, postuladas ou não, aproximem-se para compartilhar experiências e possíveis soluções. “As boas práticas são um incentivo, mas é preciso compreender que há uma série de provedores de tecnologia que não necessariamente alinham-se com as boas práticas. É um defeito o fato dos governos buscarem onde aplicar essa tecnologia, em vez de ver como podem resolver um problema específico”, afirmou.

“Seria desejável que os governos agissem com base no estado da arte e nas boas práticas”, concluiu o especialista.

Em abril de 2012 iniciou operações a Linha 4 do Metrobús, um modelo de trânsito rápido por trilhos (BRT nas siglas em inglês) com 28 quilômetros, na capital mexicana, enquanto a Linha 12 do metrô, de 24 quilômetros, entrou em operação em outubro de 2012. Além disso, o Ecobici, um sistema lançado em 2010 pelo governo metropolitano, recebe quase 50.000 usuários que fizeram cerca de cinco milhões de percursos. O esquema conta já com 264 cicloestações e 3.670 bicicletas no centro e no oeste da capital. Finalmente, o projeto de parquímetros Ecoparq funciona desde janeiro de 2012 em dois bairros do oeste da cidade e está em vias de expandir-se para outras zonas.?Estas medidas, aplicadas pelo esquerdista Partido da Revolução Democrática, que governa o Distrito Federal desde 1997, buscam reduzir o uso do automóvel particular, que alimenta um transporte urbano caótico, obtendo beneficios ambientais, como a redução da contaminação.

Na zona metropolitana do vale que concentra o Distrito Federal e vários municípios do vizinho estado do México, ocorrem diariamente 49 milhões de deslocamentos, 53 por ciento dos quais em transporte público e 17 por cento em veículos privados, segundo o Centro de Transporte Sustentável – Embarq. A implantação de sistemas tipo BRT aumentou notavelmente na última década em metrópoles da região, a ponto de existir em pelo menos 17 cidades, o mesmo acontecendo com os programas públicos de empréstimo de bicicletas.

O prêmio é “um reconhecimento e um apelo a que continuem, para torná-lo muito mais agressivo nos próximos anos, dando à população melhores opções de transporte”, afirmou Baranda. “Ainda temos muito que fazer quanto à integração de modos de transporte, para que seja mais fácil para o usuário mover-se de um modo para o otro”, acrescentou o diretor regional do ITDP, que negocia atualmente um convênio de colaboração com a administração da capital.

En 2009, o especialista Carlos Pardo elaborou o relatório “As mudanças nos sistemas integrados de transporte de massa nas principais cidades da América Latina”, para a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal). Ali estão identificados, entre os desafios no setor das cidades regionais, a integração e coerência com outros modos de transporte público, com o transporte não motorizado, com a política urbana e os investimentos públicos e privados em transporte público assim como as respectivas prioridades. Mencionam-se, também, o ajuste dos tempos entre os de execução e os de tipo político, assim como a elaboração de estudos de viabilidade e análises de alternativas, para a realização de projetos de sucesso a médio e longo prazo.

Em 2012 Rio de Janeiro que, com 11,8 milhões de habitantes, é a segunda cidade mais povoada do Brasil, depois de São Paulo, abriu seu primeiro corredor para ônibus rápidos, chamado Transoeste. Além disso, expandiu o programa de bicicletas compartilhadas lançado em 2011 e empreendeu um projeto para o melhoramento do espaço público. A cidade argentina de Rosario, com quase 1,2 milhões de habitantes, concentrou-se em melhorar o transporte, as bicicletas e o espaço público.

Em outubro, o ITDP propôs o plano “Perspectivas de crescimento da rede de Metrobús e transporte integrado do Distrito Federal até 2018”, que apresenta um crescimento anual de 25 a 30 quilômetros desse sistema, para chegar a 10 linhas em 2018, quando passaria a beneficiar dois milhões de pessoas. Para este ano, o governo da Cidade do México planeja estender o Metrobús e o programa Ecobici, de modo a fortalecer a integração multimodal. “É preciso passar para um sistema integrado de transporte. Não importa tanto o modo ou a rota, e sim que o usuário seja atendido por um sistema que tenha baldeações, com tarifas preferenciais. A conectividade de todos os sistemas é muito importante”, acrescentou o consultor Remes. (FIN/2013)

*Emilio Godoy é correspondente de IPS no México


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

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