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Dez anos de Telesur, uma década ganha

Niko Schwarz

Tradução:

Niko Schvarz*

telesur_logoSou um espectador permanente de Telesur. Vejo-a diariamente, sem exceção, valorizo-a em altíssimo grau, e por esta razão uno-me aos festejos que estão se realizando nestes dias na Venezuela e em outros países em comemoração a seus 10 anos de transmissões ininterruptas, a partir da inauguração em 1995 (exatamente, em 24 de outubro) por iniciativa do presidente Hugo Chávez, que nos deixou, entre outras muitas, esta herança sem preço. Nestes dias, Fidel Castro e Daniel Ortega enviaram mensagens de felicitação a Telesur por seu 10º aniversário, afirmando que Telesur é “a voz de Nossa América no mundo”. No mesmo sentido que os líderes de Cuba e da Nicarágua, o presidente boliviano Evo Morales afirmou que “a Telesur é como um grande escudo para os povos que hoje lutam por sua libertação”.

Na própria Venezuela, o presidente Nicolás Maduro disse que “Telesur é uma grande janela para a verdade e a liberdade” e o ex-presidente colombiano Ernesto Samper, secretário geral da Celac (que reúne todos os estados latino americanos e caribenhos), felicitou Telesur por transmitir “notícias positivas e sul-americanas” ao longo destes 10 anos. O acontecimento foi celebrado na capital venezuelana com um concerto da Orquestra Nacional de Caracas. O próprio canal transmitiu sexta-feira passada novas entrevistas com Evo Morales e Nicolás Maduro, em que afirmaram que, se não fosse pela Telesur, milhões de pessoas não tomariam conhecimento de muitos fatos que acontecem no mundo e de seu real significado. Foi dito nas transmissões que a Telesur é ao mesmo tempo a voz dos povos indígenas, dos povos da África e dos do sul da Europa sofridos com a crise, e que era uma voz ativa capaz de contar a verdade ao mundo.

Destacou-se também, com sua presença ao vivo, o trabalho de muitos correspondentes da Telesur distribuídos por todos os continentes e de seus enviados especiais às regiões afetadas por duros conflitos ou por dolorosos terremotos. Recordou-se a frase de Hugo Chávez segundo o qual Telesur tem “as asas da liberdade”.

O resumo de todas estas manifestações é que dez anos de Telesur significam uma década ganha. E a presença viva e atuante, a todas as horas, de Telesur em cada acontecimento de destaque internacional, reveste uma imensa importância no mundo em que nos foi dado viver, eivado de conflitos de grande envergadura que abarcam diversas regiões do planeta.

Portanto, devemos ver hoje a projeção de Telesur nessa escala mundial, e na queda de braço contra o monopólio mediático, contra a ditadura dos grandes meios de comunicação monopolizados em escala planetária e sempre a serviço dos poderes dominantes, do neoliberalismo rampante, como se percebe hoje claramente no caso da Grécia e contra os governos de tendência progressista que dirigem os destinos da maioria dos países de nossa América Latina e caribenha pela vontade soberana de seus povos.

O que pode ser comprovado diariamente. Ante cada acontecimento relevante, em cada confronto originado nos países de nosso continente, Telesur é a voz da verdade. Em primeiro lugar, da informação verdadeira, real. Aquela que é escamoteada sistematicamente pelas grandes cadeias de televisão quando se trata de informar sobre a grande obra que estão realizando os governos progressistas nos países latino-americanos, contribuindo para elevar sistematicamente o nível de vida das grandes maiorias populares, ao mesmo tempo em que defendem firmemente a soberania nacional de nossos países e sua resistência frente aos desígnios do imperialismo e das forças reacionárias. Nessa luta sistemática vemos Telesur todos os dias, informando e ilustrando, difundindo as opiniões orientadoras dos dirigentes de nossos povos, de suas forças populares e movimentos sociais, lançando luz e desvirtuando as manobras mentirosas e diversionistas.

Repito: diante de cada acontecimento, hoje podemos confrontar as versões difundidas mil vezes pelos meios de comunicação monopolizados, com a voz da verdade proporcionada por Telesur.

E embora isto diga respeito primordialmente a nosso continente, também é válido para o que acontece em outras regiões do mundo, até onde chegam correspondentes permanentes ou enviados especiais de Telesur, que já passaram a ser figuras reconhecidas em nossa tela e nos informam a cada dia com seriedade e rigor profissional, pondo à prova uma intensa capacidade de trabalho e sacrifício no cumprimento de seu dever jornalístico. Recordo em particular, como um exemplo entre muitos, a campanha feita em função dos desastres sísmicos registrados na região de Cachemira, em que os correspondentes de Telesur puseram em risco a própria vida. Mas isto se refere também a muitos outros casos análogos.

Este trabalho lúcido e eficaz desenvolvido por Telesur há uma década tem em nosso continente um valioso antecedente: a existência da agência de informações Prensa Latina, que é filha autêntica da revolução cubana, nascida em 1º de janeiro de 1959, e de sua rápida passagem ao socialismo. Naqueles momentos inaugurais, que abriram um novo período na história do continente (o de sua segunda e definitiva independência de todos os impérios), a agência de informações Prensa Latina difundiu pelo mundo as conquistas da revolução cubana, também em dura luta de todas as horas contra o monopólio da mídia, ao mesmo tempo em que denunciava sem cessar todas as manobras intervencionistas e as cruentas agressões perpetradas reiteradamente pelo imperialismo norte-americano. Ao mesmo tempo, Prensa Latina foi um ponto de apoio para todos os partidos e movimentos sociais que em cada um de nossos países lutavam pela libertação nacional e o progresso social, o que se expressa hoje de maneira contundente na nova América Latina do século XXI, iniciada nesta última etapa pelas mudanças de fundo na Venezuela sob a direção do comandante Chávez, desde final do século passado e sua primeira eleição à presidência, em 1998. Isto nos toca particularmente, pela participação destacada de jornalistas uruguaios na gênese de Prensa Latina, algumas das quais remontam até a gesta da Sierra Maestra. Agora Prensa Latina continua em pé, e se soma às projeções de Telesur no âmbito não somente continental, como também mundial.

Creio que destas novas realidades tão instrutivas, depreendem-se algumas responsabilidades para todos nós, que levantamos a mesma bandeira, a fim de que sigam crescendo e se reproduzindo em vasta escala. A primeira, é ajudar a difundi-la. Digo isso a todos os leitores que têm total possibilidade de acessar Telesur em sua tela, como eu, o que lhes servirá de eficaz contraveneno todos os dias. E, de passagem, poderão apreciar as mentiras sistemáticas, as tergiversações e as omissões da realidade em que incorrem os programas dos grandes canais de televisão (além das tarjas abusivas de bem pagos anúncios, claro).

Essa é a primeira. Junto a ela, o que devemos fazer é multiplicar este exemplo benéfico em alto grau para os setores populares. Podemos fazer isso, e embora em escala mais reduzida, será de suma utilidade para a sociedade em seu conjunto. E contribuirá ao mesmo tempo para enfrentar o monopólio mediático. Creio há muito tempo que os partidos e movimentos populares, assim como os governos de tendência progressista, devem contar com seus próprios meios de difusão, que propaguem a verdade e a esperança em tempos melhores. Muitas vezes citei a frase do grande tribuno socialista francês Jean Jaurès (assassinado por sua oposição indeclinável à primeira guerra mundial), que declarou, referindo-se à imprensa do grande capital, que “parecem cem campanas, mas as move um só fio”. Essa é uma verdade de a puño, mas foi dita há mais de um século, e não ganhamos nada com repeti-la cada vez que se debate sobre a liberdade de imprensa. Vale a pena fazer algo mais para reafirmá-la e estendê-la. E isso deve traduzir-se, a meu ver, em que os partidos e movimentos de esquerda e progressistas devem criar seus próprios meios de difusão e com eles entrar de cheio na batalha de ideias contra as classes dominantes e seus órgãos de expressão. Isto é hoje mais vigente do que nunca, e em alguns países revela-se de forma categórica, como nos casos do Equador e da Venezuela, por exemplo.

Em nosso país temos exemplos claros da influência decisiva de órgãos de imprensa diários de esquerda na gestação da unidade do movimento operário em uma única central, da unidade das forças progressistas e de esquerda na Frente Ampla e da ulterior conquista do governo por parte desta coalizão política.

Reitero que o exemplo está plenamente vigente. Reproduzi-lo em âmbitos variados e em diversas escalas será a melhor maneira de prestar homenagem à importante iniciativa que gerou a Telesur em seus dez anos de fecunda existência. E que seja por muitíssimos anos mais, na atual América Latina e caribenha amanhecida nos alvores do século XXI.

*Colaborador de Diálogos do Sul de Montevideu, Uruguai – Tradução de Ana Corbisier

 

 

 

 

 


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Niko Schwarz

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