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Discriminadas como seres sociais

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

Rafael Contreras*

“As poucas oportunidades de capacitação, o desgaste da dupla jornada de trabalho e a marginalização são produtos dos estereótipos culturais que reinam” – Foto: Flickr/Daniel Zanini H.

A mulher em qualquer ponto da geografia mundial compartilha os problemas de seu grupo social e contribui involuntariamente para que esses problemas se mantenham, por não ter uma retribuição equitativa que a ajude a enfrentar as freqüentes mudanças da vida atual.

Ao se referir à situação política e financeira das mulheres em seu país e na América Latina, a representante do Comitê Chile para a Defesa das Mulheres,  (CCHPAM), Lilian Andrade Marín, disse que os principais problemas continuam sendo o desemprego,  o desamparo e a discriminação em sentido geral.

Lilian Andrade Marín, também membro da Frente Continental de Mulheres, conversou com Prensa Latina por ocasião de uma permanência de 15 dias em Cuba, onde visitou escolas, vários centros de trabalho industrial de Havana, e participou de jornadas voluntárias de trabalho agrícola.

“As poucas oportunidades de capacitação, o desgaste da dupla jornada de trabalho e a marginalização são produtos dos estereótipos culturais que reinam, não apenas no Chile, mas também na Colômbia, México, Paraguai, Costa Rica e outros países, com a exceção de Cuba, onde vi que as mulheres são respeitadas”, disse.

Para a dirigente chilena, o traço mais notável da atividade econômica das mulheres no Chile é a sua reduzida participação na força de trabalho, sendo que as taxas mais altas nesse sentido são registradas na faixa etária de 15 a 24 anos.

Este fato demonstra que as variáveis de estado civil e idade estão estreitamente associadas, pois a taxa de participação por idades começa a cair nos grupos etários quando as mulheres se casam.

No que se refere à população feminina economicamente ativa observa-se que 47 por cento se dedica ao setor de serviços, quase 15 por cento à industria manufatureira, 14 por cento se concentra no comércio, 11 por cento na agricultura e as restantes em atividades não especificadas.

Dos dados anteriores se infere que a escassa qualificação e capacitação da mulher determinam que a força de trabalho feminina se concentre na área de serviços e no comércio que em conjunto abrangem 60 por cento da população ocupada.

Agregou que a mulher desempenha nesse setor de trabalho tarefas nas quais pode ser substituída facilmente e que quase não requerem qualificação. Por isso são oferecidas as remunerações mais baixas e não incluem benefícios sociais.

Por outro lado, a ausência de serviços de infra-estrutura social, tais como creches, lavanderias e restaurantes que facilitem a permanência da mulher no trabalho, induzem ao abandono do emprego diante das dificuldades de complementar as duas jornadas: a remunerada e os serviços domésticos.

Essa atitude é resultado do preconceito dos empregadores, limitando as possibilidades de trabalho da mulher.

De acordo com as cifras oficiais divulgadas em 28 de fevereiro, produziu-se uma baixa de 0,6 pontos no país. O desemprego no Chile abrangeu seis por cento da população economicamente ativa no último trimestre considerado. As cifras indicam que 49.090 chilenos mantêm-se desempregados. Sete milhões, 742 mil e 420 pessoas dispõem de um posto de trabalho.

A Central Unitária de Trabalhadores (CUT) do Chile declarou que os números que mostram um índice de desemprego inferior a sete por cento, não refletem toda a realidade vivida pelos assalariados. De acordo com a presidenta da CUT, Bárbara Figueroa, os postos de trabalho gerados nos últimos anos são, em sua maioria, de alta vulnerabilidade, sem condições de contrato protegido.

É muito bom para o Governo mostrar cifras mais elevadas nessas condições, mas também muito mal, porque atrás dessas cifras o que temos são trabalhos cada vez mais precários e não podemos sentir-nos satisfeitos com um debate apenas de números. Falta um debate real sobre a qualidade do emprego que o Chile está criando, assinalou Figueroa.

 

Europa não escapa da discriminação

Foram também divulgados dados sobre as mulheres da União Européia, que devem trabalhar 59 dias a mais que os homens para receber o mesmo salário, pois ganham em média 16,2 por cento menos, segundo dados dos próprios organismos da comunidade.

Essas cifras foram publicadas em 28 de janeiro quando se celebra o Dia Europeu da Igualdade Salarial, destinado a criar consciência sobre a brecha que ainda existe entre homens e mulheres.

Para a vice-presidenta da Comissão Européia (CE) e responsável da Justiça, Viviane Reding, a jornada recordou as condições de desigualdade salarial que as mulheres ainda enfrentam no mercado de trabalho. Embora a brecha tenha se reduzido em anos recentes, a mudança se deve, sobretudo, à redução dos salários dos homens diante do efeito da crise, especialmente em setores tradicionalmente masculinos como a construção e a engenharia.

A brecha salarial continua sendo ainda muito grande na Europa, considerou Reding, que no ano passado propôs a lei para impor uma quota feminina de 40 por cento nos conselhos de administração de empresas em todos os países do bloco.

*Jornalista da Redação de Serviços Especiais de Prensa Latina

Havana – 2013


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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