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Dos 7 líderes opositores ao governo, 6 estão na prisão ou tiveram que abandonar a Bielorrússia

“No começo nos sequestraram o país, agora sequestram os melhores de nós. Mas no lugar dos perseguidos, virão outros", afirmou a escritora Svetlana Aleksievich

Juan Pablo Duch
La Jornada
Moscou

Tradução:

Recluída em uma prisão de Minsk, María Kolesnikova — membra do Conselho de Coordenação da Oposição que na terça-feira (1) impediu sua deportação à Ucrânia ao romper o seu passaporte – nesta quarta-feira (9) passou de testemunha a imputada por um delito que poderia representar uma condenação de dois a cinco anos de prisão.

Acusa-se a Kolesnikova, que só exerceu seu direito de protestar de maneira pacífica, de “fazer exortações públicas para derrocar o governo ou modificar pela via violenta o regime constitucional da Bielorrússia, de modo direto e também através dos meios de comunicação social”, de acordo com o que tipifica o artigo 361 do Código Penal bielorrusso.
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Segundo se acaba de saber, os serviços secretos de Lukashenko sequestraram o jurista Maksim Znak, encarcerado e acusado pelo mesmo delito de Kolesnikova.

“No começo nos sequestraram o país, agora sequestram os melhores de nós. Mas no lugar dos perseguidos, virão outros", afirmou a escritora Svetlana Aleksievich

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Centenas de milhares de pessoas, a cada dia e sobretudo a cada domingo saem às ruas

Portanto, dos sete integrantes da plana maior da instância criada pela oposição para negociar com Lukashenko, seis deles estão na prisão ou tiveram que abandonar o país contra a sua vontade.

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Só permanece em liberdade a escritora Svetlana Aleksievich, Prêmio Nobel de Literatura, protegida pelos embaixadores de seis países da União Europeia pouco depois de ter difundido uma mensagem por Internet denunciando que uns desconhecidos pretendiam que lhes fosse permitido entrar, enquanto duas patrulha policiais apareceram junto à porta de sua casa.

Esta é a parte medular da declaração de Aleksievich, que resume o que está passando na Bielorrússia: “No começo nos sequestraram o país, agora sequestram os melhores de nós. Mas no lugar dos excluídos de nossas filas, virão centenas mais. Se sublevou não o Conselho de Coordenação. Se sublevou o país inteiro. Eu o disse e torno a repetir; não estávamos preparando um golpe de Estado; não queríamos a ruptura de nossa sociedade. Queríamos que começasse o diálogo em nossa sociedade. Lukashenko diz que não vai falar com a rua, mas a rua são centenas de milhares de pessoas, que a cada dia e sobretudo a cada domingo saem às ruas. Não é a rua. É o povo”. 

O Conselho de Coordenação, formado por cerca de meia centena de representantes de amplos setores, já escolheu – nas palavras da autora de Vozes de Chernobyl — outros dirigentes, cuja identidade não foi revelada.

Juan Pablo Duch, correspondente de La Jornada em Moscou

La Jornada, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Juan Pablo Duch Correspondente do La Jornada em Moscou.

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