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É lançada, em São Paulo, a Frente de Solidariedade ao Povo Haitiano

Juliane Cintra

Tradução:

Juliane Cintra*

Após uma semana do terremoto que destruiu a vida de milhares de haitianos e provocou uma devastação sem precedentes nessa pequena ilha do Caribe, cerca de 20 entidades e representantes de movimentos sociais se reuniram, em São Paulo, e lançaram a Frente de Solidariedade ao Povo Haitiano.

A principal preocupação dessas lideranças é garantir que a reconstrução do país seja feita em conjunto com os haitianos. “Nesse momento de comoção mundial, devemos mover uma campanha de solidariedade atrelada ao ideal de autonomia e soberania do Haiti.” – ressaltou Dirceu Travesso, representante da Coordenação Nacional de Lutas (CONLUTAS).

Outro aspecto debatido foi o cancelamento da dívida, uma antiga bandeira desses movimentos sociais, e sua possível conversão em investimentos a longo prazo em setores fundamentais para reconstrução de qualquer nação, como a educação, ou para a reestruturação de organizações sociais haitianas. Em setembro do ano passado, o Haiti tinha uma dívida externa de 1,885 milhões de dólares, dos quais 214, 8 milhões já foram perdoados pelo Clube de Paris.

A socioeconomista e representante da Rede Jubileu Sul Brasil, Sandra Quintela, atentou para uma possível política de ajuste estrutural vinculada às doações. “Não podemos permitir que as doações ou o cancelamento [da dívida] tenham contrapartida, como aconteceu no caso da privatização da telefonia haitiana.” – explica.

Muitos relatos dos participantes que retornaram recentemente ou têm companheiros no Haiti apontaram a logística como uma das questões centrais a serem resolvidas, caso contrário as doações não chegarão aos necessitados. O desencontro de informações sobre a real situação no país é outra temática a ser trabalhada pela Frente, que é contrária à ideia de que possíveis ondas de violência e saques no país legitimem o envio de mais soldados.

As bandeiras defendidas pela Frente de Solidariedade ao Povo Haitiano são:

  • Fora as Tropas da Minustah;
  • Defesa da soberania e autodeterminação do povo haitiano;
  • Toda solidariedade às organizações sociais haitianas;
  • Cancelamento da dívida;
  • Repúdio ao Cônsul do Haiti no Brasil George Samuel Antoine
  • Pela reparação histórica e responsabilização da comunidade internacional;
  • Pressão ao governo brasileiro para que viabilize efetivamente a ajuda ao Haiti.

A próxima reunião da Frente será no dia 23 de fevereiro, para mais informações entre em contato com redacao@websul.org.br.

Conheça as entidades já que fazem parte da Frente de Solidariedade ao Povo Haitiano: Via Campesina, Jubileu Sul, Cáritas, Marcha Mundial das Mulheres, Conlutas,  Assembléia Popular, Comitê Pro-Haiti, Action Aid;  Reprip; CUT, Intersindical; Movimento Negro Unificado e Articulação de Mulheres Brasileiras, Rebrip, ABONG, Defender o Haiti é defender a nós mesmos e Espaço Cultural Diálogos do Sul.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Juliane Cintra

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