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CEPAL: É urgente mudar o modelo de desenvolvimento econômico da América Latina

Crescimento registrado na região é medíocre, 21 dos 33 países da América Latina e do Caribe desaceleraram sua economia

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) fez uma forte declaração no sentido de que era hora de mudar o paradigma do modelo econômico na região. A reflexão foi feita pela secretária executiva da agência, Alicia Barcena Ibarra, durante a XVI Conferência de Ministros e Chefes de Planejamento da América Latina e do Caribe, realizada em Montevidéu entre 29 e 30 de agosto.

Observando que a região exige "uma mudança de paradigma de desenvolvimento", Barcena explicou que a crise financeira de 2008 marcou uma virada no modelo econômico, gerando uma hiperglobalização que resultou em uma financeirização de alto risco; mudanças na riqueza global e crescentes desigualdades nos países e sociedades de renda média que não estão investindo no futuro.

“Julgamos que a crise de 2008 havia passado e que a situação mundial melhoraria, mas já faz 11 anos e ainda existem problemas fundamentais. Isso resultou na crise do multilateralismo, migração e democracia”, afirmou o chefe da CEPAL, uma agência das Nações Unidas.

Ela também explicou que o mundo está passando por um viés recessivo no crescimento e no comércio e alertou que as desigualdades não estão mais entre o centro e a periferia, mas ocorrem nos mesmos países.

“O crescimento é geralmente medíocre na região. 21 dos 33 países da América Latina e do Caribe desaceleraram sua economia e temos o maior endividamento da história, o que não resulta em maior investimento produtivo”, afirmou.

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A pobreza aumentou na América Latina

A dívida dos países do Caribe

Ela disse que as receitas tributárias dos países da região vão para o pagamento da dívida e de seus interesses, principalmente no Caribe, onde 60% de seu PIB é destinado ao pagamento do serviço de seus compromissos externos. “Isso é insustentável! É por isso que a CEPAL propõe alívio da dívida para o Caribe”, afirmou.

Barcena comemorou os esforços da região na luta contra a pobreza, mas insistiu que a desigualdade persiste: a América Latina e o Caribe continuam sendo a região mais desigual do mundo, onde o decil mais rico concentra 30% dos recursos, enquanto do que o quintil mais pobre, apenas 6%.

"A pobreza é 20 pontos percentuais, maiorr nas áreas rurais e afeta crianças e adolescentes em maior medida. No caso dos povos indígenas, a pobreza é ainda maior e chega a 23 pontos percentuais", afirmou.

Ela pediu um modelo de desenvolvimento a longo prazo, para a qual é necessária uma mudança de paradigma.

“Precisamos passar de um estilo de desenvolvimento com crises ambientais, com desigualdades, para um novo modelo, que inclua um grande impulso ambiental”, recomendou.

“Hoje, mesmo os mais ortodoxos reconhecem que é preciso combinar para crescer, que não é suficiente crescer para combinar. O atual modelo de crescimento se esgotou. Temos que mudar a cultura do privilégio”, afirmou.

Ela instou os governos da América Latina e da região a prestarem atenção à crise atualmente enfrentada pelo multilateralismo e aos problemas migratórios, bem como às dificuldades vividas pelas democracias liberais.

No âmbito desta reunião, a CEPAL apresentou o documento Planejamento para o desenvolvimento territorial sustentável na América Latina e no Caribe,  que analisa 153 políticas territoriais da região, suas múltiplas abordagens e temas e propõe um modelo de trabalho para abordá-las de maneira sistêmica.


Tradução: João Baptista Pimentel Neto

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