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Eleições na Venezuela deste domingo devem marcar fim da era Guaidó

Direita dividida e impossibilidade de reeleição do autoproclamado presidente trazem otimismo ao chavismo, que espera retomar maioria na Assembleia
Beatriz Contelli
Diálogos do Sul
São Paulo (SP)

Tradução:

Na Venezuela, este domingo (6) será destinado à ida de cerca de 20 milhões de venezuelanos às urnas para escolher os novos representantes do Parlamento. Serão eleitos 277 deputados, que tomarão posse já em janeiro de 2021, sendo que 52% serão escolhidos por listas enviadas pelos partidos e 48% por voto nominal. 

Considerada em desacato pela Justiça após a descoberta de fraude eleitoral no mandato de três deputados da oposição, a Assembleia Nacional é a única dos três poderes que ainda é comandada pelos opositores de Nicolás Maduro. 

Para o pleito deste domingo, foram registrados 107 partidos com candidatos às eleições, sendo 98 da oposição, além de 24 organizações indígenas.

Entre os chavistas, há figuras de peso disputando, como Diosdado Cabello, a primeira-dama, Cília Flores, e Nicolás Ernesto, filho de Maduro. 

Direita dividida e impossibilidade de reeleição do autoproclamado presidente trazem otimismo ao chavismo, que espera retomar maioria na Assembleia

Reprodução Facebook
Guaidó em campanha pela abstenção nas eleições legislativas deste domingo

O atual presidente pediu aos venezuelanos que não deixem de ir às urnas e afirmou que é por meio do voto que a “Venezuela irá recuperar sua renda e riqueza”. 

Já Juan Guaidó e parte da extrema-direita defendem a abstenção com a justificativa de que o processo é fraudulento. Apesar da forte campanha contrária às eleições, grande parte da população vê nos votos a única forma de resolver a situação do país. 

O que está por vir

Além de tentar promover a abstenção, o bloco liderado por Guaidó tem apostado todas suas fichas no apoio da comunidade internacional (leia-se Estados Unidos) e nas sanções econômicas contra a Venezuela para pressionar Maduro. 

Com um novo Congresso, Guaidó, deixará de ser presidente da Assembleia em desacato e não poderá mais ser considerado presidente interino da Venezuela pelos países que tentaram usar este instrumento para forçar a deslegitimação de Maduro, reeleito presidente em 2019. Para tentar manter a pose, ele tem buscado instrumentos alternativos para justificar um novo tipo de autoproclamação. 

Já Maduro, que rompeu relações diplomáticas com os Estados Unidos em decorrência do apoio de Washington à autoproclamação de Guaidó como presidente da nação, tem destacado a crueldade das medidas estadunidenses contra a região sul-americana. 

As ações dos EUA objetivam gerar um cenário de asfixia econômica que provocaria um caos social e, consequentemente, uma mudança de regime no país, como denuncia o mandatário.

Analistas vêem as eleições como positivas para o chavismo, que deve “escutar mais e sacrificar seus interesses partidários pelo interesse geral”. 

No entanto, o aumento no número de casos de covid-19, a dissolução da oposição e a possível desmobilização do chavismo tornam as eleições um tanto incertas, porém, as projeções indicam que a tendência é o chavismo sair vencedor das urnas.

* Beatriz Contelli é estudante de jornalismo e colabora com a revista Diálogos do Sul 


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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