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Eleições no Brasil, direitos humanos e integração foram destaque no PARLASUL

A Deputada Federal Fátima Bezerra (PT) participou da sessão plenária e se despediu de seus companheiros de PARLASUL
Agência Parlasul
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Tradução:

Em uma jornada marcada pelo debate político, o PARLASUL se reuniu nesta segunda-feira (12) para realizar sua LIX Sessão Ordinária. As eleições presidenciais do Brasil e os Direitos Humanos na Venezuela foram os principais assuntos.

A esta Sessão compareceram o Embaixador brasileiro ante o Uruguai, Antonio Simões, e o Embaixador brasileiro ante o MERCOSUL e ALADI, Bruno de Rísios Bath.

A Deputada Federal Fátima Bezerra (PT) participou da sessão plenária e se despediu de seus companheiros de PARLASUL

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Deputados venezuelanos denunciaram "Caso Albán" no Parlasul

Eleições no Brasil

O Parlamentar brasileiro Major Rocha expressou a respeito das diversas controvérsias referidas à eleição do Presidente Jair Bolsonaro; “Quero tranquilizar ao MERCOSUL em relação a um novo governo. Aqueles que pregaram o ódio e tentaram matar ao candidato a Presidente. São os mesmos que fazem um balanço de um governo que nem sequer começou, tudo isto para obter créditos políticos. O Brasil vai seguir no projeto MERCOSUL.”

O Parlamentar Humberto Costa (Brasil) expressou que “esta foi uma eleição muito peculiar. O candidato Lula teve sua candidatura impugnada, mesmo sem ter tido nenhuma prova em sua contra. Mas o Poder Judiciário de meu país entendeu em forma contrária. Nós da oposição desejamos que não faça o que prometeu, porque comprometerá não só o Brasil, mas sim todo o hemisfério sul.”

Direitos Humanos na Venezuela

Nesta jornada se debateu por Parlamentares da oposição e do governo da Venezuela a respeito das acusações elevadas em contra da Parlamentar Adriana Pichardo e do Parlamentar Williams Dávila. Debate que esteve pontualmente marcado pela intensa discussão entre o Presidente do Parlamento do MERCOSUL, Tomás Bittar (Paraguai), e membros do oficialismo da Venezuela.

A Parlamentar Dennis Fernández (Venezuela) iniciou seu discurso denunciando as “violações de Direitos Humanos e dos Direitos dos Parlamentares. Em 15 de outubro deste ano, a Parlamentar Adriana Pichardo sofreu algo que não deveria sofrer uma representante do povo. O SEBIN (Serviço Bolivariano de Inteligência) irrompeu na sua casa e se apropriou do telefone da sua mãe para atrair a Parlamentar. E essa mesma mãe foi ameaçada pelo SEBIN para obter informações sobre a Parlamentar Pichardo”, disse Fernández.

A Parlamentar venezuelana Adriana Pichardo ratificou a denúncia realizada por Dennis Fernández. “Irromperam na minha casa sem ordens nem permissões. Se ameaçou à minha mãe. Lamento também ter que trazer a este Parlamento uma nova denúncia de Direitos Humanos. Fernando Albán morreu em condições muito estranhas, caiu do 10º andar do SEBIN, onde nunca o haviam apresentado a nenhum tribunal, estava sequestrado. Solicito uma autópsia independente. Uma vez mais, os Parlamentares da Venezuela tem que vir a realizar denúncias. Queremos saber o que ocorreu. Queremos que este Parlamento se una à União Europeia e se solidarize com a situação dos Direitos Humanos no nosso país. Devemos proteger aos povos”, manifestou Pichardo.

Por sua parte, o Parlamentar William Pérez (Venezuela) expressou sua vontade de “denunciar ante este Parlamento que o Parlamentar [Williams] Dávila é sócio de uma das empresas cujo dono está implicado diretamente no assassinato do Parlamentar [Robert Serra] e na tentativa de Magnicídio [ao Presidente Nicolás Maduro]. Há dezenas de pessoas detidas, inclusive quem confessou ter passado os drones desarmados pela fronteira. E que explique [Dávila] como uma pessoa sem passaporte pode viajar por todo o planeta para fazer denúncias e pedir uma intervenção em nosso país, sem medir as consequências que pode trazer”, asseverou Pérez. Segundo o parlamentar, o governo venezuelano “não está com o fascismo, não está com aquelas ações que pretendem remover a governos democraticamente eleitos. Hoje querem nos ver como se fossemos fascistas. Manipulando aos organismos multilaterais”.

Respondendo frente às declarações de Pérez, o Parlamentar de oposição Williams Dávila (Venezuela) se defendeu no pleno: “Esta acusação é infundada. Venho a responder e aclarar, não seja que me joguem do 10º andar. Esta constância migratória assinada pelo Presidente da Assembleia me habilita a viajar. É um falso positivo. Assim são os fascistas. Inventam contos. Vocês acreditam que se [eu] estivesse envolvido teria viajado a Pacaraima? Eu saio e entro. Não sou sócio de nenhuma empresa. Quero lhe dizer a cada um de vocês, que se qualquer coisa me acontece, ali vêm vocês aos autores. Não formo parte de nenhuma rede. Não tenho nada que ocultar. Estou aberto a qualquer tipo de escrutínio e de controle” – pontualizou Dávila.

Para a Parlamentar Lilia Puig (Argentina) “é agravante que William Pérez nos envolva no que a dito ao nos acusar sobre que estejamos envolvidos em qualquer tentativa de Magnicidio. Estas acusações não são acusações menores. Isto que ocorre na Venezuela já o vivi na Argentina na última ditadura. Estamos deixando passar um fato de alta significação. Temos que defender, a vida e as liberdades.”

Proposta de Integração e Paz por parte do PARLASUL

O Debate Proposto votado pelo pleno se referiu a uma proposta unificada dos Parlamentares Ricardo Canese (Paraguai) e Jorge Vanossi (Argentina) relacionado à busca pela paz e a integração como metas fundamentais do PARLASUL.

Segundo o Parlamentar Canese, “sem integração, os países desta região seremos balcanizados. Estaremos à mercê dos poderes extrazona. Se não construímos a democracia. Se não rejeitamos essa política de violência a nível interno, se não também entre países. A violência gera mais violência e nós temos que ser o continente da paz e a democracia. Uma postura firme do PARLASUL reivindicando a paz e a integração é algo que devemos fazer”.

Para a Parlamentar brasileira Benedita da Silva “existem ainda governos e pensamentos que querem fechar fronteiras, que são as que fortalecem o MERCOSUL. Estamos criando apartheids ideológicos. Temos que evitar isto, com que impede que hajam fronteiras abertas e soluções. Temos que ter unidade para este instrumento chamado MERCOSUL que é integração em todas suas faces. Não podemos desrespeitar aos outros, nem por ideias ou formas de vida. Democracia não se constrói com palavras, se constrói com gestos.”

Finalizando, o Parlamentar Alejandro Karlen (Argentina) destacou também sobre o valor da educação para a integração e esclareceu que “hoje temos uma guerra comercial e temos que ter cuidado que esses interesses seguem existindo, e que esses interesses não nos dividam. Temos uma oportunidade histórica se fazemos isto para defender a paz, a unidade e a irmandade de nossos povos. Precisamos nos unir e desenvolver. A Pátria Grande é a solução aos problemas de nossos países”.

Despedida da Senadora Fátima Bezerra

Na sua última Sessão como Parlamentar do MERCOSUL, a brasileira Fátima Bezerra se despediu de seus colegas, uma vez que a partir de 1º de Janeiro de 2019, assumirá como primeira governadora de origem popular do estado do Rio Grande do Norte, Brasil. “A educação é um bem público e um Direito Humano. Quero dizer que me despeço deste Parlamento, mas não da luta. Viva a Democracia. Viva o MERCOSUL. Viva o PARLASUL”, saudou Bezerra.

Revisão e edição: João Baptista Pimentel Neto


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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