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Eliminar a fome não é uma utopia

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

<<Por Cira Rodriguez César>>
De Orbe, tradução Diálogos do Sul

É inaceitável que 990 milhões de pessoas, uma de cada sete habitantes no mundo, morra de fome em um planeta no qual além de tudo se está produzindo o dobro dos alimentos de que se necessita, assegurou recentemente a  Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO)

A situação atual nos mercados mundiais de alimento, caracterizada por um forte aumento nos preços do milho, o trigo e a soja, dispararam também o temor de uma repetição da crise alimentar mundial de 2007/2008, quando na realidade se diminuiu a produção e reduziu a comida.

Diante desses acontecimentos, a FAO afirmou que uma atuação internacional rápida e coordenada pode evitar que isso aconteça. “Necessitamos atuar com urgência para assegurarmo-nos de que essas oscilações de preços não degenerem em uma catástrofe que afetem a dezenas de milhões de pessoas nos próximos meses”.

Sobre o assunto o chefe de comunicações e relações exteriores da FAO, Enrique Yeves, afirmou que se pode eliminar a fome, pois não é uma utopia, apesar de que muita gente considere que seja um problema endêmico.

Em sua opinião, é um escândalo social, político e moral, no qual o importante é contar com o apoio da comunidade internacional e que ela esteja sensibilizada para, dessa forma, pressionar os governos para que adotem medidas para acabar com esse flagelo.

Não obstante, a difícil situação econômica pela qual atravessam as nações ocidentais, em particular algumas da Eurozona, propicia o incremento dos famintos, não por falta de comida, mas sim pela escassez dos meios para acessar a ela.

Sob essa base, a FAO considera que o planeta não assiste hoje a uma crise alimentar, pelo contrário, há alimentos suficientes. Do que se trata é de uma crise nos preços dos alimentos com uma forte especulação dos mercados.

Por outro lado, é preciso esclarecer que o cenário é mais complexo, uma vez que existem dois problemas interconectados: preços altos de alguns produtos que afetam os países dependentes das importações e aos pobres, e a questão de como produzir, comercializar e consumir em uma época de crescimento demográfico, de alta demanda e mudanças climáticas.

Afortunadamente, muitos países contam com sistemas de proteção social e redes de segurança – assistências a pequenos agricultores, apoio nutricional a mães e crianças e alimentação escolar – para assegurar que seus cidadãos com menos recursos tenham o suficiente para comer.

Esses programas contudo devem ser ampliados de forma significativa nas nações mais pobres, torná-los acessíveis, previsíveis e transparentes pela imperiosa necessidade de proteger aos mais vulneráveis do “vai e vem” dos custos e às crises decorrentes.

Os pequenos produtores de alimentos devem estar também melhor equipados para aumentar a sua produtividade, ampliar seu acesso aos mercados e reduzir sua exposição ao risco.

E é claro necessitamos de empregos e renda dignas para adquirir o necessário para alimentar-se e sair da pobreza. A maneira mais óbvia é produzir mais comida e não elevar seus preços.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Revista Diálogos do Sul

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