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Em confrontação direta com os EUA, Putin quer garantias do fim da expansão da OTAN ao leste

Segundo Putin “as legítimas preocupações da Rússia em matéria de segurança foram passadas por alto e agora sucede a mesma coisa”
Juan Pablo Duch
La Jornada
Moscou

Tradução:

O titular do Kremlin, Vladimir Putin, pediu, nesta quarta-feira (1), que se iniciem as negociações para obter garantias vinculantes que ponham fim à expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para o leste, concretamente até a fronteira com a Rússia, quando se afirma desde Bruxelas, sede da aliança norte-atlântica, que Moscou não tem direito a vetar o ingresso da Ucrânia ao bloco militar capitaneado pelos Estados Unidos.

“A Rússia não tem nenhum veto, nada tem que dizer, nem tampouco tem o direito de controlar seus vizinhos. Ucrânia será membro, mas corresponde a nós, aos 30 integrantes, dizer quando Ucrânia está pronta para ingressar, após cumprir os requisitos da OTAN”, disse o secretário-geral da aliança, Jens Stoltenberg.

Entretanto, o homólogo ucraniano de Putin, Volodimyr Zelensky, reiterou em Kiev que a Rússia prepara uma invasão ao seu território e propôs a Moscou começar “negociações diretas” para resolver o problema do sudeste desse país eslavo. 

Putin falou em Moscou na cerimônia de recebimento de cartas credenciais de novos embaixadores e Zelensky o fez em Kiev ante o Parlamento, mas ambos não puderam subtrair-se do contexto de crescente tensão que marca a situação na fronteira russo-ucraniana, que se agudizou desde que uns e outros estão há dias acusando-se mutuamente  de estar se preparando para uma guerra de verdade — algo que, no fundo ninguém quer — e, desmentindo de imediato.

Situação na fronteira da Ucrânia se agrava e não há que descartar intervenção russa no país

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Diante de uma vintena de chefes de missão de outros países, o líder russo sublinhou que é necessário começar “negociações substanciais” para obter “garantias vinculantes” de que a OTAN não vai continuar com sua ampliação para o leste, uma vez que a aliança norte-atlântica “não cumpriu suas promessas verbais” e fez “precisamente o contrário”. 

Segundo Putin “as legítimas preocupações da Rússia em matéria de segurança foram passadas por alto (quando Moscou aceitou desmantelar o bloco militar do Pacto de Varsóvia depois da reunificação da Alemanha) e agora sucede a mesma coisa”.

Segundo Putin “as legítimas preocupações da Rússia em matéria de segurança foram passadas por alto e agora sucede a mesma coisa”

Divulgação / Kremlin
O titular do Kremlin, Vladimir Putin.

Enquanto o mandatário russo denunciava os riscos que vê chegar desde Ocidente, em Kiev a concentração de tropas e armamento russos na fronteira com a Ucrânia foi vista como um sinal de iminente invasão de seu território. “Há que ser sinceros: não poderemos evitar uma guerra se não iniciarmos negociações diretas com a Rússia”, admitiu Zelensky diante dos legisladores ucranianos.

Crise de refugiados na fronteira entre Bielorrússia e Polônia acende alerta vermelho na Alemanha e na Rússia

Moscou nega rotundamente ter essa intenção e alega que seus movimentos militares são só uma medida preventiva, com o propósito de estar prontos em caso de que se produza nessa zona uma crise migratória similar à da fronteira da Bielorrússia com a Polônia e, por extensão, com a OTAN. 

E para pôr mais lenha na fogueira do confronto, o presidente da Bielorrússia, Aleksandr Lukashenko, em uma entrevista à televisão pública russa reiterou ontem que se a Polônia fechar a fronteira com o seu país, vai fechar os fornecimentos de gás natural para a Europa, mesmo que isso suponha incumprimento de contratos por parte da Rússia, e se fosse pouco, está disposto a pedir a Putin que instale armas nucleares em seu território, inclusive se tiver que renunciar ao status de neutralidade da Bielorrússia e reconhecer a Criméia como parte da Rússia (o que não fez até agora).

Em Riga, a Capital da Letônia, o secretário estadunidense de Estado, Antony Blinken, se atribuiu o direito de falar em nome da aliança norte-atlântica e ameaçou com a imposição de sanções econômicas à Rússia – que, no momento, disse, tem se abstido de aplicar – no caso de que seja lançado um ataque militar contra a Ucrânia. 


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Juan Pablo Duch Correspondente do La Jornada em Moscou.

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