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Em liberdade, Jesús Santrich denuncia que embaixada dos EUA impõe guerra na Colômbia

“Minha determinação é vencer ou morrer. É uma questão de dignidade política”, disse o ex-guerrilheiro ao explicar que não aceitará extradição para os Estados Unidos
Vanessa Martina-Silva
Diálogos do Sul Global
São Paulo (SP)

Tradução:

O líder do partido Força Alternativa Revolucionária do Comum (FARC, ex-guerrilha) Seuxis Paucias Hernández Solarte, conhecido como Jesús Santrich, foi posto em liberdade nesta quinta-feira (30).

Ao sair do cárcere, ele afirmou que não é possível confiar que o Estado colombiano siga avançando com os acordos de paz firmados com a ex-guerrilha das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). “Quem impõe a linha da guerra é a embaixada estadunidense”, disse.

Em entrevista exclusiva concedida à TeleSUR, Santrich afirmou que o processo de paz foi “lançado no pântano da perfídia” pelo governo do presidente Iván Duque.

“O Estado queria chegar no ponto de entrega das armas por parte da insurgência para avançar ao estado de traição”, afirmou.

O caso do líder popular gerou comoção no país porque havia a possibilidade de que ele fosse extraditado aos Estados Unidos. Há cerca de duas semanas, ele chegou a ser libertado para, em seguida, ser preso novamente, aumentando os temores da extradição. 

“Minha determinação é vencer ou morrer. É uma questão de dignidade política”, disse o ex-guerrilheiro ao explicar que não aceitará extradição para os Estados Unidos

Reprodução Twitter
Santrich falou com apoiadores na sede da Força Alternativa Revolucionária do Comum (FARC) em Bogotá após ser solto na quinta-feira (30)

“As ações de Iván Duque parecem ser de muita irresponsabilidade. (…) Atrás de Duque estão as forças externas e dentro delas, a extrema direita encabeçada pelo uribismo”, disse em referência aos partidários do ex-presidente Álvaro Uribe, sobre quem pesam diversas denúncias de vinculações com paramilitares no país.

Santrich estava detido sob a acusação de envolvimento com tráfico de drogas. A esse respeito, afirmou que se trata de uma montagem midiática, já que não foram mostradas as provas dos crimes que o acusam de ter cometido.

Nesta quinta, em entrevista coletiva concedida à imprensa, ele explicou que irá à Câmara de Representantes para tomar posse no Congresso, já que foi eleito como representante do Partido FARC pelo departamento El Atlântico nas últimas eleições. 

Com relação à continuidade do processo de paz no país, Santrich se declarou cético: “vemos todas estas montagens que aconteceram, incluindo o meu caso, mas também os assassinatos e crimes que se apresentaram contra a militância do partido FARC e contra a direção comunista”.

Sobre a possibilidade de extradição, ele declarou: “minha determinação é vencer ou morrer. É uma questão de dignidade política, como quando alguém vai a uma batalha com a palavra de ordem pátria ou morte” e negou qualquer possibilidade de admitir uma eventual extradição para os Estados Unidos.

Entenda

Santrich estava detido desde abril de 2018 sob a acusação de tráfico de drogas a pedido dos Estados Unidos, que queria sua extradição. 

Devido aos acordos de pacificação do país, foi criada a Justiça Especial para a Paz (JEP), que trata de casos que envolvem ex-guerrilheiros e que tenham ocorrido antes da assinatura do acordo. A instituição solicitou a libertação de Santrich no último dia 17 por entender que não haviam provas suficientes capazes de atestar se e quando ele teria realizado tais atos.

Sobre o caso, o Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou, por meio de seu porta-voz, Morgan Orgatus, afirmou que os requerimentos para a extradição de Santrich aos Estados Unidos estão em curso apesar de a Justiça de seu país ter declarado que respeita a decisão de libertação emitida pela Corte Suprema de Justiça da Colômbia.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

Vanessa Martina-Silva Trabalha há mais de dez anos com produção diária de conteúdo, sendo sete para portais na internet e um em comunicação corporativa, além de frilas para revistas. Vem construindo carreira em veículos independentes, por acreditar na função social do jornalismo e no seu papel transformador, em contraposição à notícia-mercadoria. Fez coberturas internacionais, incluindo: Primárias na Argentina (2011), pós-golpe no Paraguai (2012), Eleições na Venezuela (com Hugo Chávez (2012) e Nicolás Maduro (2013)); implementação da Lei de Meios na Argentina (2012); eleições argentinas no primeiro e segundo turnos (2015).

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