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Em meio à pandemia, haitianos pedem a saída de governo acusado de corrupção

O país vive instabilidade política desde 2016, quando o presidente chegou ao poder sob acusação de fraude eleitoral

Vanessa Nicolav
Brasil de Fato
São Paulo (SP)

Tradução:

Após sequência de desastres naturais que devastaram o país, em 2010 e 2016, o Haiti enfrenta agora um novo desafio: o avanço do coronavírus.

O país, que é o mais pobre do continente, não possui sistema público de saúde e tem pouco mais de 900 médicos para atender toda a população, segundo dados Instituto Haitiano de Estatísticas. 

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Brasileiros que integram movimentos sociais no país contam que as políticas neoliberais dos últimos governos agravaram as condições de vida do povo haitiano, e que hoje, além do vírus, estão sofrendo ainda mais com a fome.

O país vive instabilidade política desde 2016, quando o presidente chegou ao poder sob acusação de fraude eleitoral

Reprodução: Pxhere
Haitianos participam da mobilização contra o presidente do país, Jovenel Moise, em Porto Príncipe, capital do país

“O país enfrenta do ponto de vista econômico um aprofundamento da extrema pobreza, um desabastecimento alimentar um aumento excessivo do preço dos alimentos. Inclusive, com boa parte da população sem condições de comprar alimentos. Alta inflação e desvalorização da moeda local ou seja as políticas neoliberais do governo aprofundaram a crise da sociedade haitiana.” afirma Paulo Henrique, militante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra que atualmente atua no país caribenho. 

Tais políticas vêm se agravando no Haiti desde as eleições de 2016, quando Jovenel Moise, do Partido Haitiano dos Cabeças Raspadas, chegou ao poder com o apoio do governo americano. O processo eleitoral, na época, foi marcado por tumultos e acusações de “golpe de estado eleitoral”. 

A recente publicação de uma nota da Organização dos Estados Americanos, (OEA), defendendo a ampliação do mandato do presidente para 2022, trouxe ainda mais preocupação para as organizações populares.

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“A conjuntura atual é de um grande debate na sociedade sobre a remoção do presidente Jovenel Moïse, que deve acontecer o quanto antes. Um presidente que está implicado na delapidação dos fundos da Petro-Caribe e não atende às demandas da juventude Haitiana. Ele já devia ter saído em fevereiro do ano passado” afirma Islanda Micherline do Movimento Camponeses de Cabeças Unidas do Haiti (TK).

O militante brigadista do MST também lembra que a influência americana sobre o governo haitiano é um desrespeito à soberania do país. “Essa defesa da postergação do mandato é uma afronta ao povo haitiano. Essa atitude significa mais uma intervenção do imperialismo em especial dos Estados Unidos contra a sociedade haitiana.” afirma Paulo Henrique.

Greves organizadas por movimentos sociais pedindo a saída do presidente e revoltas populares violentas causaram a deposição do ministro da Justiça do país, após o titular da pasta endurecer a repressão contra as manifestações. Nesse contexto, os movimentos apontam os desafios para o próximo período no país.

“O primeiro é acumular forças no campo progressista nas mobilizações de massa para impedir a postergação do mandato do presidente e, depois, fazer uma grande luta no enfrentamento ao novo coronavírus e as suas repercussões na vida do povo haitiano.” conclui Paulo Henrique.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Vanessa Nicolav

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