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Entidades apontam papel dos EUA e México em incêndio de prisão mexicana para migrantes

“Infelizmente continuaremos vendo cada vez mais tragédias de ambos os lados da fronteira", afirma a organização latina Mijente
Jim Cason
La Jornada
Nova York

Tradução:

O governo dos Estados Unidos estendeu suas condolências às vítimas do incêndio do centro de detenção de migrantes em Cidade Juárez, ofereceu assistência para investigar a tragédia e, ao mesmo tempo, admitir os feridos para que recebam tratamento nos Estados Unidos.

O Departamento de Estado expressou suas condolências às famílias que perderam seus entes queridos no incêndio na noite de segunda-feira (27), declarou o porta-voz Vedant Patel. Agregou que “esta tragédia é um recordatório desolador dos riscos que enfrentam migrantes e refugiados ao redor do mundo”. 

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Pontuou que as autoridades mexicanas estão investigando as causas da tragédia e que o governo estadunidense “está preparado para oferecer qualquer assistência que (o México) poderia solicitar”.

“Infelizmente continuaremos vendo cada vez mais tragédias de ambos os lados da fronteira", afirma a organização latina Mijente

La Notícia Regional
"Uma montanha de países está fracassando em proteger as pessoas que têm o direito de ser protegidas”, afirma membro da Anistia Internacional

Por sua parte, a agência federal de Aduanas e Patrulha Fronteiriça (CBP) anunciou que “está preparada para receber aqueles que foram feridos no incêndio e transportá-los em ambulância às instalações médicas estadunidenses para que sejam atendidos. Agregou que lhes estenderá liberdade condicional (parole) para que possam ingressar legal e rapidamente nos Estados Unidos. 

Aaron Reichlin-Melnick, diretor de políticas do American Immigration Council, respondeu à mensagem do governo estadunidense: “Os comentários do Departamento de Estado sobre isto como ‘um recordatório do perigo que enfrentam os migrantes e refugiados’ parecem um tanto ocos à luz do fato de que o Departamento de Estado provavelmente ajudou a negociar os acordos que levaram a que as vítimas estivessem encarceradas no México”.  

Organizações de imigrantes e defensores de direitos humanos também reagiram ante a notícia. A Aliança Américas, rede nacional de organizações de imigrantes, emitiu um comunicado declarando que “estes fatos são responsabilidade do México”.

O diretor executivo, Oscar Chacon, sublinhou que a tragédia é resultado das políticas migratórias obsessivamente enfocadas em deter os fluxos de pessoas que buscam desesperadamente apoio e proteção para suas vidas. Nenhuma pessoa deveria estar privada de liberdade por razões migratórias. Lamentavelmente, as políticas estadunidenses são adotadas e implementadas pelo México”.

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A organização recordou que não é o primeiro incêndio em um centro de detenção de imigrantes no México, e, portanto, para que não se repita este tipo de tragédia, exigiram que o México ponha fim à detenção de migrantes. 

Amy Fischer, diretora de advocacia para as Américas da Anistia Internacional Estados Unidos, culpou as autoridades de ambos os países: “é inadmissível que no México estas pessoas que estão buscando segurança sejam postas em centros de detenção em condições cruéis e tenham tido negado o acesso a asilo nos Estados Unidos. Uma montanha de países está fracassando em proteger as pessoas que têm o direito de ser protegidas”, comentou em entrevista a Al Jazeera.

A organização latina Mijente também deplorou a tragédia, e Isa Noyola, a subdiretora, comentou que “infelizmente continuaremos vendo cada vez mais tragédias de ambos os lados da fronteira enquanto os governos dos Estados Unidos e do México continuam brincando com políticas baseadas no temor, que nutrem a ideia de que os migrantes são descartáveis”.

Jim Carson e David Brooks | Correspondentes de La Jornada em Washington e Nova York.
Tradução Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Jim Cason Correspondente do La Jornada e membro do Friends Committee On National Legislation nos EUA, trabalhou por mais de 30 anos pela mudança social como ativista e jornalista. Foi ainda editor sênior da AllAfrica.com, o maior distribuidor de notícias e informações sobre a África no mundo.

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