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Espanha: em apoio a Sánchez, Zapatero defende anistia a independentistas catalães

“A anistia é uma instituição da qual dispõem todas as democracias avançadas e homologáveis à espanhola”, afirma o ex-presidente espanhol
Armando G. Tejeda
La Jornada
Madri

Tradução:

O ex-presidente do governo espanhol Jose Luis Rodríguez Zapatero, que governou o país entre 2004 e 2011, mostrou seu apoio sem restrições por uma anistia generalizada aos independentistas catalães que têm acusações pendentes com a justiça espanhola por sua participação na declaração unilateral falida de independência de outubro de 2017 e como ferramenta útil para superar o “conflito político”. “A anistia é uma instituição da qual dispõem todas as democracias avançadas e homologáveis à espanhola”, afirmou.

Em uma entrevista radiofônica, na emissora nacional Onda Cero, Rodríguez Zapatero iniciou o que parece ser uma campanha dirigida desde a presidência do governo espanhol, presidido pelo socialista Pedro Sánchez, para explicar a eventual aprovação de uma lei de anistia, tal como exigem os grupos nacionalistas catalães para apoiar a investidura de Sánchez à presidência.

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Na metade das negociações entre o PSOE e os demais grupos, nos quais os assuntos mais polêmicos são precisamente a lei de anistia e “trabalhar” para levar a cabo um referendo de autodeterminação, Rodríguez Zapatero voltou a se erigir como um dos porta-vozes mais eficazes do Partido Socialista Obreiro Espanhol (PSOE) para convencer seu eleitorado sobre a mudança de critério em torno deste assunto à raiz do resultado eleitoral do passado 23 de julho. 

Rodríguez Zapatero manteve uma dura entrevista com o jornalista Carlos Alsina, na qual defendeu seu apoio total a uma potencial medida que beneficie não só o ex-presidente Carlos Puigdemont, residente em Bruxelas desde outubro de 2017, mas sim ao resto dos militantes e dirigentes do independentismo catalão que estão sendo processados por sua participação no movimento de secessão daquela época.  

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Rodríguez Zapatero insistiu que a “anistia é plenamente constitucional” e está contemplada nos ordenamentos jurídicos de todas as democracias avançadas e que sua aprovação serviria para “o reencontro entre Catalunha com o resto do Estado depois de um conflito gravíssimo”, que deixou como herança “uma divisão profunda tanto na própria Catalunha como dos catalães com o resto dos espanhóis”. 

“A anistia é uma instituição da qual dispõem todas as democracias avançadas e homologáveis à espanhola”, afirma o ex-presidente espanhol

La Jornada
Zapatero está disposto a “ajudar em tudo o que possa” para apoiar a reeleição de Pedro Sánchez

“Não há nenhum país ocidental, democrático, europeu, que tenha renunciado à anistia. Algumas figuram na Constituição, outras não, sobretudo ante uma situação excepcional, como foi precisamente a de 2017”, explicou o ex-mandatário, que no entanto se mostrou contra a possibilidade de celebrar um referendo de autodeterminação, já que na sua opinião é contrário à legislação espanhola. 

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Ante a versão de que ele próprio está à frente das negociações com os grupos nacionalistas catalães para desbloquear a investidura, Zapatero insistiu que tem que manter a “máxima discrição” sobre esse assunto, sobre o qual se mostrou disposto a “ajudar em tudo o que possa” para revalidar o governo de coalizão que “conseguiu fatos históricos” e um “desempenho extraordinário”.


Paz Esteban imputada por delito de espionagem 

Paz Esteban, ex-diretora do Centro Nacional de Inteligencia (CNI), foi imputada por um delito de espionagem pelo juizado de Instrução número 29 de Barcelona à raiz de uma ação interposta pelo atual presidente da Catalunha, o nacionalista Pere Aragonés.

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Esteban foi destituída do cargo em maio de 2022 pelo atual presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, porque foi revelada a trama de vigilância ilegal através do sistema informático Pegasus, realizada a partir de instituições do Estado contra líderes e militantes do movimento separatista catalão. 

O juiz cita a declaração a Esteban como “investigada”, que deverá esclarecer os pormenores do uso desse sistema informático para conhecer os movimentos dos líderes separatistas. Até a presente data, o governo atual não esclareceu quem ordenou essas supostas tarefas de espionagem. Para o presidente Aragonés, “a admissão da querelante é um passo importante para esclarecer toda a verdade. Queremos saber quem ordenou espionar o independentismo. A violação dos direitos fundamentais e políticos não pode ficar impune”.

Armando G. Tejeda | La Jornada, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.
Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

Armando G. Tejeda Mestre em Jornalismo pela Jornalismo na Universidade Autónoma de Madrid, foi colaborador do jornal El País, na seção Economia e Sociedade. Atualmente é correspondente do La Jornada na Espanha e membro do conselho editorial da revista Babab.

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