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EUA anunciam "centros de processamento" na América Latina para conter imigração

Altos funcionários do Governo Biden afirmam que os EUA estão "em conversações" com países para ampliar a quantidade desses locais
Redação Prensa Latina
Prensa Latina
Washington

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O governo dos Estados Unidos anunciou na última quinta-feira (27) que estabelecerá centros de processamento de imigrantes na América Latina, aumentará as deportações e ampliará as vias de imigração legal em uma tentativa de reduzir a passagem ilegal pela fronteira.

Estas novas medidas fazem parte do esforço da administração de Joe Biden para desacelerar a imigração na fronteira entre Estados Unidos e México, uma vez que o Título 42 expira em maio.

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Sob o amparo desta política, implementada por Donald Trump (2017-2021), o governo expulsava os imigrantes sem tramitar suas solicitações de asilo.

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Segundo as projeções, espera-se que depois deste dia as chegadas de imigrantes à fronteira sul aumentem entre 10 mil e 13 mil pessoas por dia.

De fato, as passagens ilegais pela fronteira aumentaram no período prévio à mudança de política, especialmente no Vale do Rio Grande do Texas, informa a CBS News.

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Detenção nas fronteiras

Nesta o dia 25, a Patrulha Fronteiriça registrou 7.500 detenções de imigrantes, um aumento de mais de 40% em relação à média diário de março, disse a publicação.

Os centros de processamento físicos anunciados servirão como instituições regionais para avaliar os imigrantes e determinar se qualificam em diferentes opções para ingressar legalmente nos Estados Unidos.

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Estariam situados em países da América Latina pelos quais transitam muitos imigrantes em rota para a fronteira sul dos Estados Unidos, começando por Colômbia e Guatemala.

Conversações

Altos funcionários da administração disseram que os Estados Unidos estão “em conversações” com outros países para ampliar a quantidade de centros de processamento.

Os imigrantes processados nos centros regionais serão examinados para determinar sua elegibilidade para permanecer no país de acolhida ou serem reassentados no Canadá ou Espanha, que concordaram em receber referências destas dependências.

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O governo também anunciou que ampliaria um programa de reunificação familiar que atualmente permite a haitianos e cubanos ingressar nos Estados Unidos desde que tenham sido aprovadas as solicitações de visto de imigrante de familiares que são cidadãos estadunidenses ou residentes permanentes.

Este programa será ampliado para Colômbia, Guatemala, El Salvador e Honduras, o que permitirá aos cidadãos destes países viajar para o país sob liberdade condicional humanitária, antes que seus vistos de imigrante estejam disponíveis, caso seus familiares solicitem patrociná-los.

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A administração Biden também pretende implementar uma regra que desqualificaria os imigrantes do asilo caso ingressem ilegalmente no país depois de não buscar proteção humanitária em um terceiro país pelo qual transitem em seu caminho para os Estados Unidos.

Incentivos a migrantes

Os funcionários da administração argumentam que esta política desalentará as passagens ilegais e incentivará os imigrantes a solicitar duas iniciativas dadas a conhecer em janeiro: um programa de patrocínio que permite que até 30 mil cubanos, haitianos, nicaraguenses e venezuelanos voem para o país mensalmente, e um telefone que os solicitantes de asilo no México podem usar para pedir a entrada pela fronteira.

Em um comunicado, o Departamento de Segurança Nacional disse que a quantidade de voos de deportação semanais para alguns países duplicaria ou triplicaria.

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Uma vez que se levante o Título 42, os Estados Unidos têm a intenção de continuar deportando cubanos, haitianos, nicaraguenses e venezuelanos para o México se cruzarem a fronteira sul ilegalmente, esclareceu a CBS News.

Durante a sessão informativa, um alto funcionário estadunidense afirmou que a administração está “plenamente consciente de que muitas destas medidas são passíveis de litígios”, e disse que a única “solução duradoura” pode vir do Congresso.

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Os estados liderados por republicanos atualmente solicitaram a um juiz federal que bloqueie o programa de patrocínio, argumentando que a administração não tem autoridade para admitir 30 mil imigrantes por mês fora do sistema de vistos.

Constantemente sob a lupa de democratas e republicanos, o tema imigratório será um ponto importante nas eleições de 2024, de acordo com vários analistas.

Redação Prensa Latina
Tradução: Ana Corbisier


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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