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EUA progressistas? Bancada de esquerda avança e representa 20% do Congresso

“Haverá agora mais progressistas fortes da Câmara de Representantes que nunca antes”, declarou o senador socialista democrático Bernie Sanders
Jim Cason
La Jornada
Nova York

Tradução:

Nas eleições intermediárias, há duas semanas, o enfoque foi sobre qual partido controlaria o Congresso e o futuro de Donald Trump e suas bases direitistas, mas atrás das manchetes também há outra história: os triunfos de forças progressistas tanto no nível nacional como regional que serão — argumentam eles — chaves para determinar a pugna pelo futuro dos Estados Unidos.

“Haverá agora mais progressistas fortes da Câmara de Representantes que nunca antes”, declarou o senador socialista democrático Bernie Sanders ao concluir a eleição, sublinhando o triunfo de oito legisladores progressistas, pró-sindicalistas no Congresso.  

Com isso, quase um quarto dos 435 integrantes da câmara de deputados se autodefinem como “progressistas”, e entre esses cada vez mais que se identificam como “socialistas democráticos”.

“Sim, penso que estamos crescendo, e penso que a esquerda está crescendo a amadurecendo”, agregou a deputada federal Alexandria Ocasio-Cortez, a jovem socialista democrática conhecida por sua sigla AOC, que ganhou sua reeleição este ano e continua como líder de um grupo de legisladores progressistas que obtiveram um perfil nacional. 

Em entrevista para The Intercept, AOC agrega que “por muito tempo, a esquerda nos Estados Unidos, até muito, muito recentemente, não estava acostumada ao poder, estar no poder, usar o poder”, em termos de sua presença em postos eleitos. 

“Haverá agora mais progressistas fortes da Câmara de Representantes que nunca antes”, declarou o senador socialista democrático Bernie Sanders

Wikicommons
Alejandra Ocasio-Cortez é jovem socialista democrática e foi reeleita

Porém houve triunfos dramáticos no nível local, onde se realizaram algumas das batalhas políticas mais ferozes. O partido Working Families Party e a organização política Democratic Socialists of America festejaram triunfos através do país, com seus candidatos triunfando em congresso estaduais e municipais, e na obtenção de postos chaves em administração pública, sobretudo os encarregados de moradia, saúde e promotorias locais. 

No bairro de Astoria, na cidade de Nova York, os votantes elegeram candidatos que se identificavam como socialistas democráticos a todos os postos locais com exceção de um. 

“Esta é a primeira vez na história estadunidense, ou pelo menos nos últimos 100 anos, que o vereador municipal, a pessoas na assembleia estadual (câmara baixa estadual), a pessoa que será senador estatal e a legisladora federal não são capitalistas”, sublinhou AOC.

Democracia participativa

Mas estas eleições não eram só sobre postos políticos, mas também sobre mudanças nas políticas. “Nestas eleições, eleitores em mais de 30 estados participaram em uma forma de democracia direta”, ao usar o mecanismo do referendo para promover reformas de leis e políticas sobre vários temas, comenta Sarah Anderson do Institute for Policy Studies. 

Ele afirmou que, com isso, se conseguiu que se aprovasse a defesa de direitos ao aborto em estados como Michigan, financiamento para educação em creches em Nuevo Mexico e a redução da dívida médica no Arizona, entre outros exemplos.

De fato, os eleitores em Michigan, California e Vermont aprovaram medidas para proteger o direito ao aborto em resposta à anulação pela Suprema Corte do direito federal ao aborto, e até em estados conservadores como  Montana e Kentucky os votantes recusaram iniciativas para limitar ainda mais o acesso à prática. 

Por outro lado, eleitores em Maryland e Missouri se somaram a outros 19 estados ao aprovar medidas para legalizar a maconha para uso recreativo. 

Como resultado de outra iniciativa estadual submetida aos eleitores, Arizona se converteu em um dos 19 estados que permitem que estudantes imigrantes indocumentados que residem nesses estados se matriculem nas universidades públicas, pagando o mesmo que cidadãos residentes. 

Veja também:

O Arizona também aprovou uma medida que obriga todo doador que contribui com mais de 5 mil dólares a um candidato político a identificar-se publicamente, pondo fim à prática de ricos ocultarem suas doações a políticos. 

Em Illinois, sindicatos e outros progressistas batalharam contra interesses empresariais para lograr a aprovação de uma medida estadual constitucional garantindo aos trabalhadores seu direito à negociação de contratos coletivos — ante à ofensiva conservadoras de anos para limitar ou anular direitos trabalhistas. 

A emenda também fará mais difícil que legisladores conservadores consigam seu objetivo de que Illinois se some a 27 estados no País que têm leis estaduais antissindicais.

Republicanos derrotados

Mas talvez mais importante seja onde a direita foi derrotada. Embora uns 150 legisladores federais que apoiaram Trump e questionaram a legitimidade da eleição presidencial de 2020 ganharam sua reeleição, quase todos endossados por Trump para governador e para integrar a legislativo federal nos estados-chave do mapa eleitoral perderam. 

E mais ainda, o esforço para instalar políticos em postos que administram e controlam os processos eleitorais estaduais foram recusados em vários dos estados pêndulo. 

“Os que rechaçaram os resultados da eleição presidencial perderam suas eleições para secretário de estado em Arizona, Michigan e Nevada”, e além do mais estes aliados de Trump também perderam a eleição para governador da Pensilvânia e para secretário de estado na Georgia, declarou o agrupamento States United que gastou milhões para este esforço com o objetivo de proteger a integridade das eleições presidenciais de 2024.  

Estes esforços de resistência, com o triunfo de políticos e iniciativas apoiadas por setores progressistas que também marcaram este último ciclo eleitoral, são alguns sinais do potencial de forças democratizadoras nos Estados Unidos.


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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Jim Cason Correspondente do La Jornada e membro do Friends Committee On National Legislation nos EUA, trabalhou por mais de 30 anos pela mudança social como ativista e jornalista. Foi ainda editor sênior da AllAfrica.com, o maior distribuidor de notícias e informações sobre a África no mundo.

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