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“Evita Perón das Trans": Paula Arraigada será a primeira mulher trans a disputar vaga de deputada na Cidade de Buenos Aires

A Argentina avança. Há cerca de um mês, o Congresso argentino aprovou uma lei que obriga o Estado a reservar pelo menos 1% das vagas na administração pública para travestis, transexuais e transgêneros
Redação Diálogos do Sul
Diálogos do Sul Global
São Paulo (SP)

Tradução:

Após uma grande campanha sob o slogan #TransEnLasBancas (trans nos mandatos, em tradução livre), a ativista e feminista Paula Eva Arraigada, conhecida como “Evita das trans”, em referência a Evita Perón, oficializou sua pré-candidata a deputada da cidade de Buenos Aires pela Frente de Todos, que congrega os apoiadores do presidente Alberto Fernández.

A Argentina vai celebrar eleições legislativas em 14 de novembro deste ano. As primárias para definir os candidatos que participarão do pleito serão realizadas em 12 de setembro. Serão renovadas 127 das 257 cadeiras de deputados e 24 das 72 do Senado.  

A candidatura de Arraigada, que é assessora parlamentar da Câmara dos Deputados, é um marco importante. Ela será a primeira mulher transgênero a se candidatar para um cargo público na história da cidade de Buenos Aires, hoje governada pela oposição ao kirchnerismo. Na eleição de 2019, ela foi candidata a deputada federal, mas não se elegeu.

Arraigada é fundadora do grupo La Nelly Omar, um espaço de formação política com perspectiva de gênero e cujo objetivo é “construir o poder popular”, segundo sua própria definição.

Em entrevista ao jornal argentino Clarín, Arraigada explicou a importância dessa conquista. “Temos demonstrado que somos capazes de lutar e ter vitórias. Nós vamos provar que somos fiéis ao povo”, disse ao relatar que sempre viveu de perto a emoção das inscrições: “hoje estou exultante”, acrescentou.

A Argentina avança. Há cerca de um mês, o Congresso argentino aprovou uma lei que obriga o Estado a reservar pelo menos 1% das vagas na administração pública para travestis, transexuais e transgêneros

Twitter / Paula Arraigada
A ativista e feminista Paula Eva Arraigada, conhecida como “Evita das trans".

Cargos públicos para travestis, transexuais e transgêneros

Há cerca de um mês, o Congresso argentino aprovou uma lei que obriga o Estado a reservar pelo menos 1% das vagas na administração pública para travestis, transexuais e transgêneros. Ao mesmo tempo, também legitimou a Lei de Cotas Trabalhistas Trans com 55 votos a favor, contra 2 voto negativo e 6 abstenções.

Essa regulamentação estabelece cota de mão-de-obra de travestis de 1% no Estado Nacional, incentivos à contratação de travestis e trans no setor privado e apoio financeiro para projetos pessoais.

A nova legislação é uma vitória para a causa LGBTQIA+ na Argentina e um exemplo para os demais países. 

Com a exclusão do mercado de trabalho formal, nove em cada 10 travestis e pessoas trans não possuem vínculo empregatício no país vizinho, o que condiciona a maioria ao exercício da prostituição e da deterioração da saúde física e mental, além de aumentar o risco à violência institucional.

Mudanças no cenário brasileiro

Aqui no Brasil, país que mais mata travestis no mundo, tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei semelhante ao argentino proposto pelo deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP). Caso aprovado, a nova legislação obrigará que 3% das vagas em empresas ligadas ao governo federal sejam direcionadas para travestis e transexuais.

Em São Paulo, uma petição pública com mais de 30 mil assinaturas questiona a ausência da classe nos ambientes de trabalho e pede a mesma porcentagem de reserva de vagas para cargos públicos nos três poderes. 

Assim como nossos vizinhos, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) confirma que 90% das mulheres trans estão fora do mercado formal de trabalho e que, por isso, muitas delas recorrem à prostituição. 

* Com informações de Clarín e Uol


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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