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Existir nesse mundo e a autenticidade de atrever-se a ser

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

Imagem: Pixabay

Toda pessoa deve a si mesma a autenticidade de seu ser, de seu pronunciamento e das ações em sua vida e, com isso, da responsabilidade das consequências. Toda pessoa deve a si mesma a transparência de suas palavras embora a dor, a raiva, a urgência, a confusão, o desencanto, o transtorno e o vazio tratem de engoli-la para arrebatar nossa única e última resistência.

Por Ilka Oliva Corado*

Ilka Oliva CoradoPorque a palavra: é o sangue, a pele, a ternura, a luta, o ímpeto que transcende a história do tempo, porque viaja no vento, que é o frescor e o rescaldo do espírito. A memória. O que não se pronuncia não existe, é ausência no silêncio.

Por isso a autenticidade é um pronunciamento constante que geralmente é rechaçado, por ter a certeza da alma pura, que está muito distante da fachada. Defender a autenticidade é defender a loucura ou a intransigência, qualquer uma das duas é censurada pela manada que ousa viver em uma bolha de aparências: por medo, fraqueza, descaramento, comodidade, oportunismo e por incoerência.

A autenticidade está inundada de solidão, de caos, só na solidão e no silêncio, em uma busca constante que traz consigo questionamentos, cansaço, dúvidas e experiências de ser. O ser humano aprende de sua nudez: da dor de viver, porque viver dói. Dói a quem sente a vida nos poros, no tato, na sensibilidade, nas pupilas, porque observar arranca as cortinas e a realidade que é crua cospe no rosto das utopias e deixa duas alternativas: ser ou imitar.

Ser é em parte uma perda, de tudo quanto é externo que está fora do alcance de nossas mãos e que não podemos controlar; essa perda não é importante é apenas uma miragem que podemos descartar. Ser significa interiorizar-se e encontrar em si mesmo a resistência que, ainda que venhamos a cair, permite que nos ponhamos em pé para continuar, é a força interior, inquebrantável. Imitar é falsificar, nenhum ser humano pode encontrar a si mesmo no plágio.

Ser nós mesmos nos leva a equivocar-nos e a decepcionar, a perfeição na alma humana não existe. Não se busca a perfeição, isso seria arrogância e também egocentrismo. O que se busca é proteger a natureza da essência, que é frágil e por isso é sublime.

A autenticidade caminha de mãos dadas com a integridade, também com o desassossego que sente quem está vivo. A autenticidade se alimenta de quimeras porque só na mente de um alienado pode existir tanto candor.

*Colaboradora de Diálogos do Sul em território estadunidense


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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