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Expansão de arsenal militar russo pode indicar preparo para longo período de guerra

A indústria militar “está acelerando o ritmo de produção em toda a gama de armamento convencional", anunciou Putin nesta quinta-feira (23)
Juan Pablo Duch
La Jornada
Moscou

Tradução:

O titular do Kremlin, Vladimir Putin, anunciou nesta quinta-feira (23) que o exército russo a partir deste ano “terá disponíveis em estado de alerta cooperativo as primeiras instalações de lançamento do sistema de mísseis Sarmat, com o novo míssil (intercontinental) pesado”, o componente mais poderoso do arsenal nuclear deste país é capaz de portar múltiplas ogivas e apelidado de Satan II pelos Estados Unidos e seus aliados da OTAN.

Disse isso em sua mensagem de felicitação do Dia do Defensor da Pátria, gravado e difundido pelo serviço de imprensa da presidência, no qual também mencionou que “continuará a produção em série de mísseis hipersônicos Kinzhal para a força aérea e começará o fornecimento de mísseis hipersônicos Tsirkon para a armada”.

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Indicou que, à parte do submarino nuclear de última geração Imperador Aleksandr III já incorporado à marinha de guerra, nos próximos anos a frota russa terá três submarinos nucleares adicionais. 

O mandatário adiantou que seu exército “logo receberá novos sistemas de ataque, recursos de inteligência e comunicações, drones e complexos de artilharia”.

A indústria militar “está acelerando o ritmo de produção em toda a gama de armamento convencional, assim como a fabricação em série dos modelos mais inovadores para o exército e a armada, para as forças aéreas e espaciais”, assinalou também Putin.

A indústria militar “está acelerando o ritmo de produção em toda a gama de armamento convencional", anunciou Putin nesta quinta-feira (23)

Defesa.net
Moscou continuará a produção de mísseis hipersônicos Kinzhal para a força aérea e começará o fornecimento de mísseis hipersônicos Tsirkon




Ênfase

Alguns observadores consideram que não é casual a ênfase que Putin pôs em seguir modernizando as forças estratégicas do seu arsenal nuclear, dois dias depois de suspender a participação da Rússia no Tratado o START-III, o último convênio que limita o número de ogivas e rampas de lançamento entre Moscou e Washington, assim como destacam seu compromisso de aumentar a fabricação de armas convencionais. 

Acreditam que os anúncios de Putin encerram uma tríplice mensagem: um aviso aos Estados Unidos, junto à Grã Bretanha e França, da necessidade de atualizar o START-III; uma advertência de que a Rússia tem com que responder a qualquer desafio contra sua segurança; e uma constatação de que o Kremlin se prepara para uma longa guerra e suas tropas receberão em breve o armamento convencional que está faltando nos campos de batalha na Ucrânia.

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Os mais céticos, por outro lado, acreditam que com este vídeo, por ocasião da festa dos militares russos, o presidente tratou de compensar o mau sabor na boca que teria deixado o mais recente ensaio de um míssil Sarmat, em 20 de fevereiro, que a Rússia lançou no mesmo dia em que o presidente estadunidense, Joe Biden, estava em Kiev e que o Pentágono, baseando-se nos dados recolhidos por seus satélites e radares, se encarregou de difundir que terminou em fiasco através da cadeia de televisão CNN.

Desmentido

O vice-ministro de Relações Exteriores russo, Serguei Riabkov, desmentiu a notícia da CNN ao dizer que “nada tem que ver com a verdade” e a qualificou de “difusão sem outro fim que provocar e causar dano”.

Em outra ordem de coisas, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, expressou nesta quinta-feira estar molesto pelo fato de que o máximo responsável da diplomacia chinesa, Wang Yi, viajou a Moscou para detalhar a iniciativa chinesa para a paz ao presidente Vladimir Putin e não considerou necessário falar com ele em Kiev, transmitindo seu conteúdo ao chanceler Dmytro Kuleba durante a reunião que mantiveram em Munich ao assistir a Conferência de Segurança. 

Não o firmou assim, mas o deu a entender ao dizer: “Não vi nenhum plano chinês para pôr fim à guerra (…) só ouvi algo sobre as propostas chinesas através de diplomatas ucranianos”. 

Zelensky, não obstante sua moléstia, disse: “Gostaríamos de nos reunir com a China, está em nosso interesse”, e considerou alentador que o gigante asiático queira mediar para alcançar a paz.

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Juan Pablo Duch | Correspondente do La Jornada em Moscou.
Tradução: Beatriz Cannabrava.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Juan Pablo Duch Correspondente do La Jornada em Moscou.

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