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Folha, que apoiou ditadura militar, golpe contra Dilma e eleição de Bolsonaro, faz editorial contra Lula

Tão ciosa da democracia na Nicarágua, Folha ataca Lula em editorial canhestro que só prova a culpa do jornalão pela ascensão de Bolsonaro
Laura Capriglione
Jornalistas Livres
São Paulo (SP)

Tradução:

Chega a ser constrangedora a tentativa da grande imprensa brasileira de estigmatizar o Partido dos Trabalhadores e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atribuindo a eles a defesa de “ditaduras amigas da esquerda brasileira”. 

Foi isso o que fez a “Folha de S.Paulo” em sua edição de ontem (24/11) quando, num texto ruim, repleto de adjetivos e carente em fundamentação, tachou de “escalafobética” a argumentação do ex-presidente Lula; disse que Daniel Ortega é um “ditador”; que o processo eleitoral nicaraguense foi de “fancaria”; que Lula usou um “repisado” sofisma; que são “bajuladores” os integrantes do “círculo lulista”, (que círculo é este?); que Lula profere frases dignas de um “bestialógio”, e por aí vai. Muito xingamento e pouca argumentação, os males da opinião da Folha

Tão infantil e precário é o expediente que nem valeria a pena refutá-lo, se não houvesse o agravante do cinismo extremo do jornal paulista.

A Folha, tão ciosa da democracia na Venezuela, em Cuba e na Nicarágua, países aos quais critica por levarem à prisão adversários políticos dos governos atuais, foi uma das maiores incentivadoras da Operação Lava Jato levada a cabo pelo ex-juiz Sérgio Moro, em conluio criminoso com a força-tarefa de Curitiba.

Todos sabem disso.

Tão ciosa da democracia na Nicarágua, Folha ataca Lula em editorial canhestro que só prova a culpa do jornalão pela ascensão de Bolsonaro

Ricardo Stuckert
O ex-presidente Lula vem sendo perseguido pela grande mídia depois de sua viagem bem sucedida pela Europa

A mesma Folha diz agora que “ditaduras negam aos encarcerados o direito de apelar pela liberdade e a inocência até a última instância perante juízes independentes”. Atenção para a expressão “juízes independentes”. E conclui: “Essa é uma prerrogativa exclusiva do estado democrático de direito de que tem usufruído à plenitude, o ex-presidente brasileiro [Lula]”.

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Ora, ora… Até as pedras sabem que a Operação Lava Jato não tinha um “juiz independente” e que, portanto, as apelações de Lula por sua liberdade e inocência foram ignoradas tanto quanto foi possível pelo juiz parcial Sergio Moro. Portanto, de que “prerrogativas exclusivas do estado democrático de direito Lula usufruiu à plenitude”? Hein, Folha???

A Folha e o barco de lata

Vamos lembrar: Lula ficou preso 580 dias. Já preso, foi impedido de velar e se despedir do próprio irmão Genival Inácio da Silva, conhecido como Vavá, morto de câncer aos 79 anos. Lula foi impedido de concorrer na eleição de 2018, ele que era o candidato favorito do eleitorado, como comprovaram TODAS as pesquisas eleitorais.

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E tudo isso sem provas. Ou pior, com o uso de expedientes espúrios, como as “delações premiadas”, obtidas de empresários presos, aos quais a Lava Jato oferecia a liberdade desde que delatassem supostos crimes de Lula. Tortura moral é como se chama? 

Ah, e também houve as “denúncias” terríveis, feitas pela Folha, como se fosse a sério, da compra por Marisa Letícia Lula da Silva, mulher de Lula, de um barco de lata, no valor de R$ 5.000. Sim, você entendeu bem. A Folha noticiou como se fosse uma prova incontestável de corrupção, a compra por Dona Marisa, de um barco no valor de R$ 5.000! Impostura é como se chama?

A verdade é que a Folha, um dos mais entusiasmados integrantes do fã-clube da Operação Lava Jato, não se indignou com a prisão injusta de Luiz Inácio Lula da Silva. Não assumiu a sua parcela de responsabilidade pela eleição de Jair Bolsonaro, quando apoiou a prisão do único ser humano (Lula) que poderia então fazer frente ao ascenso do fascismo em nosso país.

Mas sobre isso a “Folha de S.Paulo” não se penitencia. Não pede desculpas por ter feito mau jornalismo, por ter se submetido de maneira obediente ao roteiro escrito pela força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol e asseclas à frente, por ter engolido sem críticas, como se verdadeiros fossem os “vazamentos” que inundaram toda a grande mídia naquele período.

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E então, esse jornal, que não tem moral para falar em democracia, direitos e prerrogativas, aventura-se a criticar Lula por suas posições a respeito de Cuba, Venezuela e Nicarágua. (lembremos que, além do apoio ao golpe que destituiu Dilma Rousseff do cargo de presidenta, a Folha apoiou o golpe militar de 1964)

Isso porque Lula recusou-se a condenar a priori o governo nicaraguense de Daniel Ortega, há 14 anos no poder. Em vez disso, Lula disse que, “se Daniel Ortega prendeu a oposição para não disputar a eleição, como fizeram no Brasil contra mim, ele está totalmente errado”. E Lula está corretíssimo!

Porque não é qualquer prisão de adversário político que constitui ataque à Democracia. E é fácil prová-lo. Se Jair Bolsonaro for condenado, depois de provada sua atuação no esquema das rachadinhas, ou sua participação ativa na disseminação da Covid-19, que matou até agora 613 mil brasileiros, ou ainda, a sua intromissão indevida na compra de vacinas, visando ao favorecimento econômico de aliados, anti-democrático não será prendê-lo, mas sim deixá-lo solto. Porque a democracia não é salvo conduto para a prática de crimes. Antes pelo contrário. O cuidado com a coisa pública é condição de existência da verdadeira democracia.

O resto é a Folha, tentando de novo criminalizar o PT e Lula. Mas isso o povo não permitirá que ocorra novamente. Não mesmo.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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