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Fósforo branco: organizações pressionam EUA a cortar envio de "arma incendiária" a Israel

Legislação estadunidense já proíbe transferência do químico a países que violam direitos humanos, mas Casa Branca alega “fins militares legítimos”
Guilherme Ribeiro
Diálogos do Sul Global
Bauru (SP)

Tradução:

Um abaixo-assinado, intitulado “Pare o uso de fósforo branco em civis”, busca pressionar a Casa Branca a interromper o envio da arma a Israel.

A petição está disponível no site Just Foreign Policy e dá voz aos apelos de organizações e defensores dos direitos humanos sobre as graves violações do Estado sionista.

“Representantes da administração Biden prometeram ao público que as armas que fornecemos aos nossos aliados não serão utilizadas para violar os direitos humanos. Mas é exatamente isso que os militares israelenses estão fazendo com o fósforo branco em Gaza e no Líbano”, diz o texto.

O fósforo branco é uma arma brutal, especialmente quando usado contra pessoas com acesso limitado a cuidados médicos e serviços de emergência.

O composto queima a pele até os ossos e mesmo lesões mínimas podem resultar em insuficiência respiratória e de órgãos. Com apenas 10% do corpo atingido, civis frequentemente morrem. Já incêndios iniciados pelo químico queimam por períodos indefinidos.

A própria legislação dos EUA já proíbe o país de enviar o fósforo branco a países envolvidos em violações dos direitos humanos e do direito humanitário internacional. No entanto, o Governo Biden mantém a “ajuda” para “fins militares legítimos” sob alegação de que o exército israelense não viola essas diretrizes.

Os números falam por si. Desde o agravamento do conflito em Gaza, em 7 de outubro, mais de 24 mil palestinos foram mortos por ataques israelenses, incluindo mais de 10 mil crianças.

No fim de dezembro, a África do Sul apresentou, junto ao Tribunal Penal Internacional, em Haia, uma denúncia formal contra Israel por genocídio. A iniciativa tem apoio de diversos países, incluindo o Brasil. A primeira audiência aconteceu em 11 de janeiro.

Leia também: Haia tem poder limitado, mas aumenta pressão e isolamento sobre Israel e EUA

Especificamente sobre o uso do fósforo branco, New York Times, Reuters e Washington Post já evidenciaram o uso da arma pelas forças de Israel contra alvos civis e áreas povoadas. Já ONGs como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch documentaram a prática, inclusive por meio de entrevistas com testemunhas de regiões que foram alvos desses ataques.

Em 1º de novembro de 2023, a deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez apresentou uma emenda para fazer valer a lei estadunidense e proibir a transferência do recurso a Israel.

“A implantação de fósforo branco perto de áreas civis povoadas é um crime de guerra. O fósforo branco é indiscriminado”, disse a parlamentar em comunicado.

No entanto, o Partido Republicano, líder da Câmara e pró-Netanyahu, sequer permitiu que o texto fosse votado.

Para saber mais sobre a iniciativa do Just Foreign Policy, clique aqui.

Guilherme Ribeiro | Jornalista e colaborador na Diálogos do Sul.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

Guilherme Ribeiro Jornalista graduado pela Unesp, estudante de Banco de Dados pela Fatec e colaborador na Revista Diálogos do Sul.

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