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Galeano e o “Livro do Mar Roubado"

Redação Diálogos do Sul

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Galeano e sua última declaração pública: Deveria intitular-se “Livro do Mar Roubado”

Eduardo Galeano5O escritor uruguaio e autor de ‘As Veias Abertas da América Latina‘, Eduardo Galeano, que morreu na segunda-feira 13/4 aos 74 anos brindou, em sua última declaração pública, um forte apoio à causa marítima boliviana ao dizer, em sua casa em Montevidéu que o Livro do Mar com o qual a Bolívia defende seu direito soberano a uma costa deveria intitular-se “Livro do Mar Roubado”.

A sugestão foi feita ao presidente boliviano Evo Morales que o visitou em Montevidéu no dia 26 de fevereiro último. Nessa quinta-feira, Morales compartilhou um café da manhã com Galeano e sua família, oportunidade na qual entregou ao escritor o Livro do Mar.
Galeano, que manteve ao longo de seus anos de escritor uma fascinação pela Bolívia, acentuada desde que Morales se instalou no Palácio Queimado de La Paz, em 2006, sugeriu que esse documento devia denominar-se o “Livro do Mar Roubado”, referindo-se à invasão chilena da qual foi vítima a Bolívia 1879, quando se tornou mediterrânea.
Nesse dia, o escritor assegurou que “Bolívia é um exemplo de dignidade para a América Latina”.
Galeano, que havia sido internado em um hospital montevideano na última sexta-feira, morreu por causa de um câncer de pulmão.
A última aparição pública do escritor aconteceu em fins de fevereiro deste ano, e se deu para receber o presidente da Bolívia, Evo Morales. O mandatário visitou Montevidéu para a troca de mando entre José Mujica e o atual presidente Tabaré Vázquez. Nas fotos, Galeano aparecia magro e sorridente, enquanto recebia um livro das mãos de Morales com os argumentos bolivianos para exigir uma saída ao mar, um livro que ele batizou de “Livro do Mar Roubado”, assinala uma nota de sua editora espanhola El País difundido nesta segunda-feira.
Em La Paz, o Presidente da Bolívia lamentou profundamente o desaparecimento físico do prolífico escritor, em uma missiva enviada a seu colega uruguaio Tabaré Vázquez.
“Em momentos de desconsolo como este, ante tal partida, não se pode senão agradecer a Galeano por sua inquebrantável luta pela justiça social e melhores dias para nossa gente”, remarcou em sua carta.
De acordo com o mandatário, o legado de Galeano será “indelével” na Bolívia e asseverou que inspirará os povos a seguir lutando pela liberdade.
“Como muito poucos, quando era mais fácil calar, teve a valentia de denunciar o imperialismo e mostrar que apesar de sua tentativa de deixar eternamente abertas as veias da América Latina, a ponto de buscar tirar sua dignidade, esta região se manteve íntegra”, agregou o mandatário boliviano na epístola póstuma.
Também o presidente da Câmara boliviana de Senadores, José Gonzales, lamentou o falecimento do escritor uruguaio a quem qualificou de aliado da demanda marítima da Bolívia ante a Corte Internacional de Justiça.
“Veja que coincidência: justamente quando estamos apresentando nossa demanda, e estamos preparando nossas alegações, tomamos conhecimento dessa lamentável notícia da morte de Galeano, que fiel a seu estilo rebatizou o livro como “Livro do Mar Roubado”, recordou Gonzales.
Eduardo Germán Hughes Galeano nasceu em Montevidéu em 3 de setembro de 1940.
Em sua paradigmática vida, “Gius” o Galeano, trabalhou como caricaturista, operário em uma fábrica de inseticidas e pintor de cartazes.
Iniciou sua carreira de jornalista no início dos anos 1960.
Sua pena inesgotável descreveu uma visão provocadora da América Latina em títulos tais como Los días siguientes (1963), Los relatos de Vagamundo (1973), El libro de los abrazos (1989), Patas arriba. La escuela del mundo al revés (1998).
 
Fonte: ABI de La Paz e Montevidéu para Diálogos do Sul


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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