Pesquisar
Pesquisar

Genocídio indígena: entenda indícios que levaram STF a ordenar investigação a Bolsonaro

Barroso tomou a decisão após a apresentação de dados sobre a grave situação enfrentada por comunidades indígenas, como a Yanomami

Redação Brasil Atual
Rede Brasil Atual
São Paulo (SP)

Tradução:

30c571e5 0d9b 4255 b47c 346b466232e1

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (30) a investigação de possível prática dos crimes de genocídio de indígenas e de desobediência de decisões judiciais por parte do governo Jair Bolsonaro (PL).

O ministro tomou a decisão após a apresentação de dados sobre a grave situação enfrentada por comunidades indígenas, como a Yanomami. Os nomes das autoridades cujas condutas serão alvos de investigação não foram divulgados.

Lula organiza “operação de guerra” com FAB e ministros para socorrer povo Yanomami

De acordo com lei de 1956, comete o crime de genocídio a pessoa que age com intenção de destruir, totalmente ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso.

Para tomar a decisão desta segunda-feira, Luís Roberto Barroso analisou dados apresentados pelo governo, além de informações e pedidos da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e do Ministério Público Federal.

27e5aa45 813b 4f57 b7db cb2e21b0626c

O ministro do STF determinou ainda que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atue para garantir a retirada de garimpos ilegais em sete terras indígenas e fixou prazo de 30 dias para que seja apresentado um diagnóstico dessas comunidades, com o respectivo planejamento e cronograma de execução de medidas.

Em suas decisões, Barroso afirma que os dados reunidos indicam um “quadro gravíssimo e preocupante, sugestivo de absoluta anomia (ausência de regras) no trato da matéria, bem como da prática de múltiplos ilícitos (crimes), com a participação de altas autoridades federais”.

Barroso tomou a decisão após a apresentação de dados sobre a grave situação enfrentada por comunidades indígenas, como a Yanomami

Foto: Marcos Corrêa/PR
Barroso cita sete falhas, entre as quais possíveis vazamentos de operações sigilosas




Absoluta insegurança

O ministro afirma que documentos sugerem “um quadro de absoluta insegurança dos povos indígenas envolvidos, bem como a ocorrência de ação ou omissão, parcial ou total, por parte de autoridades federais, agravando tal situação”.

Assista na TV Diálogos do Sul

Barroso cita sete falhas, entre as quais possíveis vazamentos de operações sigilosas:

  • na publicação pelo então ministro da Justiça Anderson Torres, no Diário Oficial da União, da data e do local da realização de uma operação sigilosa de intervenção em terra indígena, determinada por decisão judicial em processo sigiloso;
  • da divulgação, pela Coordenação de Operações de Fiscalização (Cofis) do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), por meio de correio eletrônico geral dirigido aos servidores da instituição, da data e do local da operação sigilosa destinada ao combate de crimes na Terra Indígena Yanomami, igualmente determinada em documentos sigilosos.

35ae44ae dfe3 472b 8cc2 340a9a604d73

Há ainda indícios de:

  • mudanças em operações planejadas com as Forças Armadas;
  • retirada irregular e sem aparente explicação de 29 aeronaves ligadas ao garimpo ilegal e apreendidas pela Polícia Federal de seu local de depósito;
  • falta de controle de tráfego aéreo de Roraima;
  • ações e omissões favorecendo o descontrole da situação de segurança e do combate a ilícitos nas áreas afetadas.

Genocídio Yanomami: a naturalização do mal e o nazifascismo anunciado de Bolsonaro

Para o ministro, o descumprimento das decisões do STF para proteção dos indígenas pode guardar parcial relação com a grave crise humanitária na Terra Indígena Yanomami.

Barroso fixou prazo para que o governo Lula apresente um plano ao STF para retirada de invasores sendo que a estratégia de “sufocamento da logística de tais garimpos, não produziu efeitos, se é que foi implementada, devendo-se priorizar as áreas em situação mais grave”.

917e72c8 5781 4bef 941c 685a37406eee

Foi determinado ainda que o governo adote de imediato todas as medidas emergenciais necessárias à proteção da vida, da saúde e da segurança das comunidades indígenas, garantindo a abertura de crédito extraordinário para assegurar os investimentos para o cumprimento da decisão.

Redação | Rede Brasil Atual
Com informações do g1


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

Assista na TV Diálogos do Sul

0711b473 c1cb 4dc0 906d 2b742c7f193a


Se você chegou até aqui é porque valoriza o conteúdo jornalístico e de qualidade.

A Diálogos do Sul é herdeira virtual da Revista Cadernos do Terceiro Mundo. Como defensores deste legado, todos os nossos conteúdos se pautam pela mesma ética e qualidade de produção jornalística.

Você pode apoiar a revista Diálogos do Sul de diversas formas. Veja como:


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Redação Brasil Atual

LEIA tAMBÉM

Do “Aqui é Jerusalém” (1937) ao genocídio televisionado, a mídia palestina resiste
Do “Aqui é Jerusalém” (1936) ao genocídio televisionado, a mídia palestina resiste
Inverno em Gaza quando a consciência do mundo congela
Inverno em Gaza: para crianças e idosos frágeis, cada noite pode ser a última
UNRWA sob pressão política desmonte de agência da ONU para refugiados vai inflamar caos em Gaza
UNRWA sob pressão política: desmonte de agência da ONU para refugiados vai inflamar caos em Gaza
jornalistas em Gaza (1)
Israel assassina mais 3 jornalistas em Gaza. Basta à cumplicidade da comunidade internacional