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Governo golpista perde milhões de dólares na Bolívia ao paralisar obras da usina de ureia

Perdas de pelo menos US$ 30 milhões se contabilizam devido à paralisação do complexo petroquímico boliviano
Nara Romero Rams
Prensa Latina
Havana

Tradução:

O complexo petroquímico, com um investimento de mais de 976 milhões de dólares executado pelo governo de Evo Morales (2006-2019), foi declarado em fevereiro passado deficitário e com supostas quedas de produção em seus dois anos de funcionamento, segundo o ministro de Hidrocarbonetos do regime golpista, Víctor Zamora, e o presidente de Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), Herland Soliz.

Até o momento o governo da autoproclamada presidenta Jeanine Áñez não revelou essas supostas perdas, mas o desabastecimento do fertilizante agrícola no mercado nacional e internacional é hoje uma realidade.

O jornal El Deber lembrou a paralisação da usina em 7 de novembro passado devido à crise política que provocou o golpe de Estado contra o líder aymara três dias depois, assim como o posterior excesso de abastecimento do produto nos armazéns, causado pela falta de vendas e distribuição.

Perdas de pelo menos US$ 30 milhões se contabilizam devido à paralisação do complexo petroquímico boliviano

Prensa Latina
O produto boliviano era em média 20% mais barato que o procedente do Peru

Quebra de contratos

O artigo afirmou também que o país sul-americano, até 2019 exportador de ureia com a implementação de políticas que permitiram duplicar a produção agrícola, contribuir para a segurança alimentar e melhorar a rentabilidade dos cultivos, não conta com os insumos necessários para obter esse item.

O vice ministro da Indústria, Comércio e Armazenamento do Ministério de Hidrocarbonetos, Antonio Pino, revelou a ausência de uréia formaldeído, uma espécie de verniz para fabricar esse produto, e o não cumprimento da entrega de mais de 24 mil toneladas contratadas por clientes do Brasil, Argentina e Uruguai, principalmente.

Segundo técnicos, esse insumo é utilizado como fonte de liberação controlada de fertilizantes de nitrogênio, enquanto a resina não é produzida na Bolívia atualmente e tem que ser importada.

Paralisação também afeta produção de grãos

Os desacertos do regime golpista asfixiaram a economia da nação andino-amazônica, sem que em um futuro próximo chegue o respiro aspirado pelos produtores de grãos, afetados pela paralisação da usina de Bulo Bulo.

A Associação de Produtores de Oleaginosas constitui o principal cliente da ureia no país e, frente ao desabastecimento do fertilizante agrícola, deve importar o produto a  preços mais altos.

O produto boliviano era em média 20% mais barato que o procedente do Peru, afirmava no ano passado o então presidente da YPFB, Ascar Barriga.

Disse que no departamento de La Paz o saco de 50 quilos de ureia importada oscilava entre 195 bolivianos (28,22 dólares) e 220 bolivianos (31,83 dólares), enquanto o produto nacional custa 167 bolivianos (24,16 dólares).

No caso de Cochabamba era comercializado entre 200 bolivianos (28,94 dólares) e 230 bolivianos (33,28 dólares), frente a 161 bolivianos (23,3 dólares) o mesmo produto de YPFB.

Acrescentou que no mercado de Santa Cruz este fertilizante importado custava entre 200 bolivianos (28,94 dólares) e 240 bolivianos (34,73 dólares), muito acima dos 147 bolivianos (21,27 dólares) do produzido na Bolívia.

O governo do presidente Evo Morales manteve a política de abastecer o mercado interno em primeiro lugar e o excedente da produção destiná-lo à exportação, mas atualmente nenhuma das duas atividades é cumprida.

Nara Romero Rams, Jornalista da Redação América do Sul de Prensa Latina.

Prensa Latina, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

Tradução: Ana Corbusier


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Nara Romero Rams

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