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Foto: Presidência República Dominicana / Flickr

Grupos rebeldes invadem prisões no Haiti para vingar assassinato de Jovenel Moïse

Ofensiva demandou medidas da chancelaria da Colômbia, já que 17 colombianos estão presos em Porto Príncipe acusados de participar do atentado ao então presidente
Jorge Enrique Botero
La Jornada
Bogotá

Tradução:

Beatriz Cannabrava

Os 17 colombianos presos no Haiti, acusados ​​de participar do assassinato do então presidente Jovenel Moïse, não participaram da fuga de milhares de presos da Penitenciária Nacional de Porto Príncipe, onde estavam detidos no último sábado, e foram transferidos para outro local de confinamento na capital haitiana, informou a chancelaria da Colômbia.

“A transferência dos colombianos privados de liberdade ocorreu após a chancelaria ter enviado uma nota diplomática ao governo da República do Haiti solicitando que fosse dada proteção especial e integridade aos nacionais presos naquele país”, indicou o Ministério das Relações Exteriores em uma breve declaração.

Após o assalto ao centro de detenção mais importante do Haiti, algumas versões sustentavam que entre os milhares de prisioneiros fugitivos estavam alguns dos envolvidos no crime contra Moïse, mas o comunicado da chancelaria, bem como os depoimentos de familiares, confirmaram que os mercenários colombianos optaram por não participar do motim.

A advogada Sandra Macollins, que representa os ex-soldados colombianos detidos, disse que os seus clientes estão numa esquadra e não descarta que serão libertados.

Segundo Macollins, os mercenários contratados para matar Moïse escaparam de ser mortos durante a tomada da Penitenciária Nacional por bandos armados liderados por “Barbecue”, que – afirma a jurista – queria fazer justiça com as próprias mãos para vingar a morte do ex-presidente.

“Os homens de Barbecue mataram o chefe de segurança de Moïse, que também estava detido, e os colombianos escaparam de serem metralhados porque estavam numa área mais interna da prisão à qual os assaltantes não puderam chegar”, explicou a advogada.

Embora na semana passada tenha sido divulgado que Mario Antonio Palacios, um dos ex-militares colombianos que fez parte do comando mercenário que matou Moïse, foi condenado à prisão perpétua por um tribunal federal de Miami, a situação jurídica dos demais membros do grupo que cometeu o assassinato ainda é incerta.

O processo está congelado há vários meses em meio a um mar de versões confusas dos acontecimentos, baseadas no relato da viúva do ex-presidente, que passou de testemunha principal a suspeita de cumplicidade no crime.

Alejandro Rueda, diretor para a América da chancelaria colombiana, afirmou esta tarde que os colombianos estão sob custódia da polícia judiciária: “Pode ser temporário. O que mais nos interessa é que suas vidas não corram perigo. A cônsul está atenta para que seus direitos humanos sejam respeitados e que sejam bem tratados”, disse a meios locais.

O Haiti declarou estado de emergência após grupos armados, que querem forçar o primeiro-ministro Ariel Henry a renunciar, invadirem duas prisões em Porto Príncipe, permitindo a fuga de milhares de presos.

La Jornada, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Jorge Enrique Botero Jornalista, escritor, documentarista e correspondente do La Jornada na Colômbia, trabalha há 40 anos em mídia escrita, rádio e televisão. Também foi repórter da Prensa Latina e fundador do Canal Telesur, em 2005. Publicou cinco livros: “Espérame en el cielo, capitán”, “Últimas Noticias de la Guerra”, “Hostage Nation”, “La vida no es fácil, papi” y “Simón Trinidad, el hombre de hierro”. Obteve, entre outros, os prêmios Rei da Espanha (1997); Nuevo Periodismo-Cemex (2003) e Melhor Livro Colombiano, concedido pela fundação Libros y Letras (2005).

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