Guaidó: Uma conspiração contra a democracia, a paz e a independência da América Latina

Juan Guaidó se "autoproclamou presidente” e recebeu o apoio público de Trump e de outros governos "fantoches" latino americanos

Alberto Betancourt Posada
La Jornada
Cidade do México

Tradução:

Na terça-feira 22 de janeiro, na sala oval da Casa Branca, foi realizada uma conspiração contra a democracia, a paz e a independência da América Latina. Josh Roguin afirma, no The Washington Post que nesse dia houve uma reunião parcial do Conselho de Segurança Nacional, com a participação de John Bolton, Mike Pompeo, Steve Mnuchin e Joseph Dunford, quando decidiram investir em Juan Guaidó como novo “presidente” da Venezuela.

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Depois de receber a anuência de Donald Trump, o vice presidente Mike Pence falou por telefone com Guaidó e o autorizou a autoproclamar-se  “presidente interino” e o instruíram do que teria que dizer. Durante a noite, os conspiradores telefonaram para vários chefes de Estado para induzi-los a reconhecer o novo “presidente”da Venezuela. Na manhã do dia seguinte, Juan Guaidó se “autoproclamou presidente” e recebeu o apoio público de Trump e de outros governos. Mike Pompeo pediu às forças armadas da Venezuela para proteger a Guaidó e exigiu do presidente constitucional Nicolás Maduro a abandonar o cargo. A conspiração de 10 pessoas pretendeu substituir o voto de 6 milhões de venezuelanos.

Na quinta-feira, 25, Pompeo anunciou que Elliot Abrams seria o encarregado de restaurar a democracia na Venezuela. A notícia, seguramente, causou calafrios los que perderam alguns entes queridos nos massacres cometidos em El Mozote, El Salvador, e em Estela, Nicarágua. Em 1982, o exército de El Salvador, treinado, financiado e assessorado por Estados Unidos, violou dezenas de mulheres e meninas e em seguida  massacrou a 500 civis desarmados, inclusive uma criança de três anos, no rincão chamando El Mozote. Diante das denúncias internacionais, Elliot Abrams disse que a informação não era confiável por prover seguramente da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional. Abrams nesse momento se esforçava por defender os assassinos ante a opinião pública.

Dez anos depois uma comissão da verdade confirmou que os soldados assassinaram intencional e sistematicamente a 500 pessoas desarmadas. Nesse mesmo ano, a emenda Boland proibiu o governo estadunidense continuar financiando os bandos contra revolucionários que incendiavam campos cultivados e degolavam camponeses na Nicarágua. Anos mais tarde, uma sentença judicial condenou Abrams a dois anos de prisão no âmbito do escândalo Irã-Contras, por ter mentido ao Congresso e ter continuado com o mortífero financiamento aos mercenários que tentavam derrubar o governo sandinista. Nicarágua acusou os Estados Unidos à Corte Penal Internacional pelo assassinato de 38 mil pessoas.

Na quinta-feira 25 de janeiro, o porta voz do Departamento do Tesouro congelou as contas e bens do governo da Venezuela. Posteriormente, anunciou que todas as relações econômicas de Estados Unidos com Venezuela seriam administradas por Juan Guaidó. Na segunda-feira, 28 de janeiro, o Departamento de Tesouro congelou e confiscou os recursos da PDVSA, 7 bilhões de dólares em ativos e 11 bilhões anuais pela venda de petróleo. Na terça-feira, 29, Bolton comemorou o fato de Guaidó ter aberto entregue o petróleo venezuelano à participação de empresas privadas estadunidenses. 

O chamado “furacão Bolton” -por ter criticado sistematicamente a ONU- chegou a dizer que o dia mais feliz de sua vida foi quando foi dizer ao “negrinho” (Kofi Annan), então secretário geral da ONU, que ele tinha que deixar o cargo. Agora Bolton se encarregou de anunciar o que podemos chamar como o roubo do século.

Juan Guaidó se "autoproclamou presidente” e recebeu o apoio público de Trump e de outros governos "fantoches" latino americanos

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Depois de receber a anuência de Trump, o vice presidente Mike Pence falou por telefone com Guaidó e o autorizou a autoproclamar-se

Crise multidimensional 

É fora de dúvida que a Venezuela enfrenta uma grave crise multidimensional: econômica, social e política, mas a intervenção de Estados Unidos, longe de ajudar, piora as coisas. Acentua o ódio, empurra a crise à uma guerra civil, um conflito regional (por exemplo, uma guerra entre Colômbia e Venezuela), ou, inclusive, um confronto global. Além disso, dissolve a soberania venezuelana, ameaça a independência da América Latina e impõe uma solução colonial.

Em 24 de janeiro, numa tensa reunião do Conselho de Segurança da ONU, o representante russo, Vasily Nevenzia, disse que Venezuela não constitui um tema para ser tratado no Conselho de de Segurança porque não representa nenhuma ameaça a segurança mundial nem à paz mundial. O autêntico perigo, afirmou, constitui a flagrante ingerência estadunidense nos assuntos internos da Venezuela, prova de que Estados Unidos considera América Latina como sua zona exclusiva, arrematou.

A política exterior do México tem defendido valiosos princípios para a região e o mundo: a autodeterminação dos povos, a não intervenção em assuntos internos de outros países e a solução pacífica dos conflitos.

O embaixador mexicano Juan José Ignacio Gómez Camacho, em enérgica e assertiva intervenção no Conselho de Segurança, apoiou o secretário geral no apelo à todas as partes envolvidas a aliviar as tensões e evitar uma escalada do conflito e qualquer manifestação de violência. Igualmente exigiu uma solução pacífica e democrática em que seja o próprio povo venezuelano que escolha seu próprio rumo, e sugeriu um novo processo de negociação com mediação internacional. Uma saída pacífica ainda é possível, mas requer de uma vigorosa pressão da opinião pública contra a maquinária propagandística que disfarça como “ajuda humanitária”um conspiração contra a democracia na América Latina.

*Pesquisador na Universidade Nacional do México. Original de La Jornada – direitos exclusivos


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Alberto Betancourt Posada

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