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Guatemala: Uma lembrança oportuna

Carolina Vásquez Araya

Tradução:

Carolina Vásquez Araya*

Jimmy Morales O Presidente Jimmy Morales

O presidente Jimmy Morales já desfrutou das honras de uma tediosa cerimônia de transmissão de mando, rodeado por uma corte pródiga da afagos e parabéns. Também teve a satisfação de caminhar do compasso da La Granadera – sem dúvida um dos sonhos mais acalentados pelos políticos – e compartilhar com um bom número de visitantes estrangeiros que deram mais realce à transcendental jornada.

Porém, enquanto isso ocorria nas esferas de governo, a cidadania se mantinha séria, alheia, apática, afastada do barulho próprio da ascensão ao poder. Isso deixa transparecer a falta de motivação suficiente para aplaudir a chegada de um novo líder para quem não houve canções nem gritos de vitória na Praça da Constituição, nem desfiles para celebrar, tampouco fogos de artifício para mostrar ao mundo o entusiasmo cidadão por uma mudança há longo tempo desejada.
Essa atitude expressa muito mais que qualquer proclama. Com clareza meridiana diz ao mandatário uma verdade incontestável: “Não estamos convencidos, esperamos resultados e estaremos vigilantes. Não acreditamos nem vamos confiar por que sim”.
Em seguida, 48 horas depois de toda aquela parafernália cerimonial, uma manifestação pacífica destinada a eliminar qualquer dúvida sobre o sentimento da cidadania. Mesmo não tendo lotado a praça como em anos passados, a manifestação conseguiu o objetivo de lançar uma advertência ao novo governo através de uma plataforma mais coerente e pontual.
Este ato de exercício cidadão se manifesta como uma nova ordem de coisas, uma relação de maior poder e menos submissão por parte da população e seus grupos organizados, seus líderes e especialmente sua juventude. É uma maneira de se fazer presente para recordar às novas autoridade que não vão governar sós nem escondidas, porque há uma comunidade humana capaz de participar mas que, sobretudo, deseja fazê-lo.
Essa nova relação de poder ainda carece de força suficiente para obrigar a certos setores de muito poder e influencia a desistir de cometer atos de corrupção e outros delitos. Não obstante, é como uma suave maré capaz de anunciar um tsunami se provocada suficientemente. É um murmulho em crescendo cuja presença provoca algo mais que um incomodo auditivo para que converteu suas privilegiadas posições em covil de ladrões.
Coincidente com os primeiros dias do ano, o exercício de analisar, avaliar e submeter a escrutínio os novos funcionários se deverá extender a todos os setores da sociedade. Não existe um só posto no governo cujas ações não afetem de maneira direta ou indireta os interesses da cidadania e principalmente suas oportunidades de desenvolvimento. A população deve cuidar o futuro de seus filhos e filhas, exigir o cumprimento estrito dos juramentos pronunciados em público e diante do mundo – estabelecido por lei como condição para assumir função pública – durante os atos de posse para presidente, vice presidente, deputados, secretários, ministros, prefeitos e outros.
Esses juramentos, constantemente desrespeitados pelos setores do poder político e econômico, constituem um compromisso derivado de lei e implicam uma obrigatoriedade absoluta. Os que se pronunciaram devem estar conscientes de que estão sob a mira fiscalizadora de uma sociedade mais alerta, envolvida e disposta a atuar pela defesa, integridade e o futuro de seu país.
* Colaboradora de Diálogos do Sul, de Guatemala.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Carolina Vásquez Araya Jornalista e editora com mais de 30 anos de experiência. Tem como temas centrais de suas reflexões cultura e educação, direitos humanos, justiça, meio ambiente, mulheres e infância

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