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Guerra na Ucrânia: Otan só serviu para estender conflito e número de vítimas

Enquanto isso, os EUA vão se derrota em derrota e a Europa sofre os efeitos de uma crise agonizante
Gustavo Espinoza M.
Diálogos do Sul
Lima

Tradução:

Na verdade, a Ucrânia, como Estado, é quase uma ficção. Historicamente não existiu como país soberano, dado que o território que ocupa hoje foi parte do Império Russo. Em 1922, depois da Revolução de 17, os Bolcheviques – por iniciativa de Lenin – criaram a Ucrânia como Estado Independente, porém, ao mesmo tempo, a incorporaram a uma estrutura Supranacional, a União de Repúblicas Socialistas Soviéticas – a URSS – que a Ucrânia integrou até dezembro de 1991.

Nesse tempo interino ocorreu um fenômeno que alterou seu desenvolvimento: a expansiva influência germânica que tomou forma e ritmo sob a administração hitleriana e que logrou o controle de grande parte da Europa. Os setores anticomunistas da Ucrânia atuaram à sombra do poder nazista e armaram destacamentos clandestinos que operaram sob a direção de Stepan Bandera. Produzida a ocupação germânica, estes núcleos se converteram em estruturas terroristas de corte militar, que agiram para perseguir comunistas e judeus. Os crimes contra a população civil foram, naqueles anos, o pão do dia.

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Depois da guerra, Moscou esteve em melhores condições para atender os requerimentos das Repúblicas que integravam a URSS. A Ucrânia foi uma das mais favorecidas porque lhe foram cedidos o território do Donbass, e adicionalmente Crimeia e Odessa. Localidades-chave no Mar Negro. Quando se desintegrou a URSS, finalmente a Ucrânia se sentiu livre do compromisso com a Rússia e buscou melhor acercar-se ao Ocidente, que proclamava o fim da história e a vitória dos Estados Unidos na “Guerra Fria”.

Afirmou-se então o solo ucraniano como território propício para o acionar dos grupos de nazistas e neonazistas que recorreram ensanguentados restos e proclamaram o início de um sonho próprio. Em 2008, a iniciativa se aferrou a quatro letras – OTAN – que contrariamente ao pactuado entre Washington e Moscou, começou a estender-se para o Leste, para assediar o território da Federação Russa e impor-lhe seu modelo.

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Quando isso ocorreu e Moscou denunciou a perversa manobra, o então Secretário-Geral das Nações Unidos reconheceu que a Ucrânia não era propriamente um país e que seus vínculos com a Rússia eram perduráveis. “Não existe sequer fronteira legalmente estabelecida entre a Rússia e a Ucrânia”, admitiu Ban Ki Moon, o sul-coreano nessa circunstância.

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Enquanto isso, os EUA vão se derrota em derrota e a Europa sofre os efeitos de uma crise agonizante

Foto: Casa Branca / Flickr
Na foto, da esquerda à direita: Olaf Scholz (Alemanha), Joe Biden (EUA), Volodymyr Zelensky (Ucrânia) e Rishi Sunak (Reino Unido)

Seis anos depois

A situação se agravou seis anos depois. Em 2014, depois de um levante que tomou a forma de Golpe de Estado -“O Golpe de Maidán”- gerou-se uma violenta ofensiva contra a Rússia que tomou forma em duas vertentes. Por um lado, uma campanha anti-russa em todo o território da Ucrânia, por outro, ataques sistemáticos contra a população do Donbass, majoritariamente russa. Como parte dela se sucederam bombardeios contra cidades situadas no oriente ucraniano, que deixaram uma dolorosa esteia de morte e destruição. Na iniciativa, assomou um regime fantoche, o de Volodomyr Zelenski, elevado a Chefe de Estado pelos grupos mais reacionários e pró-nazistas da Ucrânia.

Aí esteve a origem da “Operação Especial” russa de fevereiro de 22. Hoje é chamada na propaganda do ocidente como “a Guerra na Ucrânia”. É uma guerra especial. Não se orienta contra a população civil ucraniana, nem tem o caráter de uma operação destrutiva. Por isso, não se viu cidades arrasadas, nem edifícios demolidos, nem populações devastadas. Isso tem ocorrido em Gaza por ação do regime sionista de Israel, mas não na Ucrânia.

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Inclusive, embora as unidades militares russas tenham chegado até Kiev, se abstiveram de ingressar à cidade e ocupá-la. Inclusive evacuaram essas zonas, para não intimidar a população que, ademais, não ofereceu resistência. Tratou-se de um operativo calculado cujo fim é desarticular as unidades neonazistas, militares e para militares ucranianas e paralisá-las. Essa ação poderia ser concluída em duas ou três semanas.

Intervenção agravou conflito

Se o conflito se estendeu, isso há que atribuir à intervenção econômica, política e militar da Otan, à presença dos Estados Unidos e à participação da União Europeia. Eles proporcionaram ingentes soma de dinheiro, descomunais arsenais e incontáveis esquadrões de mercenários para oferecer uma “resistência” inútil, que só prolongou a guerra e gerou um injustificável número de vítimas.

O senhor Josep Borrell, porta-voz da União Europeia, disse recentemente que se a OTAN suspendesse sua presença na Ucrânia, o conflito concluiria em apenas alguns dias. E é assim. Hoje, essa afirmação pode converter-se em realidade. Estados Unidos vão de derrota em derrota e os países da Europa sofrem os efeitos de crise agoniante. A Alemanha perdeu 200 bilhões de euros e a França segue pelo mesmo caminho.

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A Rússia, entretanto, não se apoderou do solo ucraniano. Liberou terras russas que estavam arbitrariamente sob o domínio de Kiev. Abdicka, Zaparozhia, Rabotnitza, Abdeyeskaya, Deniep e outras cidades, que hoje as guarnições ucranianas abandonam apavoradas, sempre foram russas. Pelo contrário, o processo russo continua inexorável. Recentemente, o Estado Russo recuperou importantes usinas ilegalmente “privatizadas” na queda da URSS em benefício do Ocidente.

Em outras palavras, a Rússia ressurge no marco de sua vitória.

Gustavo Esppinoza M. | Colunista na Diálogos do Sul direto de Lima, Peru.
Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Gustavo Espinoza M. Jornalista e colaborador da Diálogos de Sul em Lima, Peru, é diretor da edição peruana da Resumen Latinoamericano e professor universitário de língua e literatura. Em sua trajetória de lutas, foi líder da Federação de Estudantes do Peru e da Confederação Geral do Trabalho do Peru. Escreveu “Mariátegui y nuestro tiempo” e “Memorias de un comunista peruano”, entre outras obras. Acompanhou e militou contra o golpe de Estado no Chile e a ditadura de Pinochet.

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