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Há 53 anos, vitória de Allende marcava um divisor de águas na história no Chile

Na noite daquele dia, na sede da Federação de Estudantes do país, o líder socialista faria um discurso que passou à história
Aldo Anfossi
La Jornada
Santiago

Tradução:

Era a quarta vez que o tentava e finalmente havia conseguido: em 04 de setembro de 1970, o socialista Salvador Allende Gossens, candidato da coalizão de seis partidos que integravam a Unidade Popular (UP), com 36,2% dos votos obtinha a maioria e ganhava as eleições presidenciais no Chile. 

Havia derrotado por uma exígua margem de pouco mais de 36 mil votos o ex-presidente direitista Jorge Alessandri Rodríguez, que apoiado pela oligarquia agrícola e industrial obteve 34,9%; e ao candidato da governante Democracia Cristã (DC), Radomiro Tomic Romero (27.8%).

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Golpe no Chile explodiu em 11/09 pois Allende anunciaria um plebiscito, revela ex-ministro

Na noite daquele dia, na sede da Federação de Estudantes do Chile, Allende faria um discurso que passou à história.

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“Triunfamos para derrocar definitivamente a exploração imperialista, para terminar com os monopólios, para fazer uma profunda reforma agrária, para controlar o comércio de exportação e importação, para nacionalizar o crédito, pilares todos que farão factível o progresso do Chile, criando o capital social que impulsará nosso desenvolvimento”. 

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“Quera assinalar ante a história o fato transcendental que realizaram, derrotando a soberba do dinheiro, a pressão e ameaça, a informação deformada, a campanha do terror, da insídia e da maldade. Quando um povo foi capaz disso, será capaz também de compreender que só trabalhando mais e produzindo mais poderemos fazer com que o Chile progrida e que o homem e a mulher de nossa terra, o casal humano, tenham direito autêntico ao trabalho, à moradia, à saúde, à educação, ao descanso, à cultura e à recreação, juntos, com o esforço de todo vamos fazer um governo revolucionário”. 

Allende terminou seu discurso naquela noite prometendo que “à lealdade de todos, responderia com a lealdade de um governante do povo, com a lealdade do companheiro Presidente”. 

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Na noite daquele dia, na sede da Federação de Estudantes do país, o líder socialista faria um discurso que passou à história

Foto: DesertMonster/Flickr
Estados Unidos conspirou para impedir que Allende assumisse, um plano que terminou com o assassinato de general René Schneider

Estados Unidos conspirou

Mas a vitória de Allende, ao não alcançar a maioria absoluta, devia ser ratificada pelo Congresso Pleno. Isso ocorreria em 24 de outubro, depois que Allende e a UP firmaram um Estatuto de Garantias Democráticas, incorporado à Constituição.

Estados Unidos já conspirava para impedir que Allende assumisse; em 22 de outubro, dois dias antes da sessão do Congresso Pleno, o comandante em chefe do exército, general René Schneider Chereau, foi baleado de morte por um grupo ultradireitista que tentou sequestrá-lo, para provocar as forças armadas a dar um golpe de Estado.

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As armas e o dinheiro para essa operação terrorista, ficou demonstrado em documentos secretos revelado e por uma investigação do Senado estadunidense, foram proporcionadas pelo governo desse país. 

Um telegrama da estação da CIA em Santiago, transmitido no dia seguinte do ataque, dizia que “se fez um excelente trabalho guiando o Chile até um ponto em que a solução militar é pelo menos uma opção para eles”, agregando que “se felicita aos COS (chefe de Estação, por sua sigla em inglês) … e à estação por conseguir isto em circunstância extremamente difíceis e delicadas”. 

Aldo Anfossi | La Jornada, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.
Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Aldo Anfossi

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