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Henry Kissinger: criminoso de guerra morre aos 100 anos sem pagar por sua barbárie

Kissinger é conhecido por seu papel na política externa dos EUA, especialmente nas negociações de paz durante a Guerra do Vietnã, recebendo o Prêmio Nobel de Paz em 1973, mesmo sendo responsável pelo assassinato de milhares de pessoas.
Redação Esquerda Diário
Esquerda Diário
São Paulo (SP)

Tradução:

Kissinger que considerava o poder ‘o maior afrodisíaco’ é visto por algumas mídias burguesas como grande estrategista do século XX, onde se destaca seu desempenho em um papel na política externa dos Estados Unidos durante a Guerra Fria, sendo o principal arquiteto da diplomacia diminuindo a tensão com a União Soviética e a República Popular da China. Outro ponto destacado a Kissinger foi a ajuda na negociação dos Acordos de Paz de Paris de 1973, que encerraram a Guerra do Vietnã e por promover uma política de equilíbrio de poder entre as superpotências e a busca em reduzir as tensões entre os blocos ocidental e oriental.

Mas o que se evita dizer sobre a atuação de Henry Kissinger são os crimes cometidos, como por exemplo a política assassina externa dos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã e o apoio a regimes autoritários em países como Chile e Argentina, sem contar as acusações de violações dos direitos humanos em suas políticas e decisões. Henry Kissinger é mais um exemplo dos representantes burgueses que morrem impunes e celebrado por políticos e jornalistas.

Idealizador do imperialismo sanguinário dos EUA, golpista Henry Kissinger chega a 100 anos

Kissinger, idolatrado pelos seus Acordos de Paz, foi o mesmo que sabotou junto a Nixon em 1968 esses mesmos Acordos despejando 4,7 bilhões de litros de pesticida, conhecido como Agente Laranja, usado em bombas desfolhantes lançadas sobre florestas dominadas pela guerrilha Vietcong durante o conflito armado com os EUA e o mesmo que em 1957 publicou o livro ‘Armas Nucleares e Políticas Externas’ onde expõe sua face assassina disfarçada de boa intenção propondo o conceito de ‘guerra nuclear limitada’, que poderia ser vencida através de uso ‘tático’ de armas nucleares, substituindo o conceito de ‘guerra nuclear total’, que por essência ainda assim é uma tática de extermínio levando efeitos devastadores para as populações envolvidas.

Henry Kissinger teve uma atuação marcada com sangue na história, caracterizada por uma política externa baseada em interesses próprios e pragmatismo, muitas vezes em detrimento dos direitos humanos e da soberania de outros países. Suas ações com o apoio a regimes autoritários e a condução de guerras sanguinárias, incluem o apoio a regimes autoritários, como no Chile de Augusto Pinochet, que resultou em violações dos direitos humanos e repressão política.

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Além disso, sua política de realpolitik (conceituada por Kissinger como “política exterior baseada em avaliações de poder e interesse nacional”) levou à intervenção militar no Vietnã, causando um grande número de mortes e prolongando o conflito. Sua abordagem pragmática foi presente na condução da política externa dos Estados Unidos, tais abordagens incluíam a busca por interesses nacionais imediatos e a manutenção do equilíbrio de poder, muitas vezes em detrimento dos direitos humanos e da soberania de outros países, especialmente quando se tratava de apoiar regimes autoritários ou utilizar métodos questionáveis para alcançar os objetivos políticos dos Estados Unidos.

Kissinger é conhecido por seu papel na política externa dos EUA, especialmente nas negociações de paz durante a Guerra do Vietnã, recebendo o Prêmio Nobel de Paz em 1973, mesmo sendo responsável pelo assassinato de milhares de pessoas.

Foto: David Shankbone/Flickr (modificado)
Para Kissinger, a Alemanha deveria apoiar Israel, o que ilustra sua sede em saciar os interesses imperialistas dos EUA e seu DNA assassino

Golpe no Chile

Em meio a seus acordos e exaltações por parte dos políticos, vale ressaltar que durante a ditadura no Chile liderada por Augusto Pinochet de 1973 a 1990, estima-se que cerca de 3.200 pessoas foram mortas ou desapareceram.

Henry Kissinger, apoiador do golpe militar e posteriormente a ditadura de Pinochet, forneceu apoio político e econômico ao regime devido a seus interesses geopolíticos e econômicos, devido a preocupação dos EUA em relação a influência comunista na região e nesse sentido buscava proteger seus interesses econômicos, especialmente nas indústrias do cobre e do salitre no Chile, vendo Pinochet como um aliado na implementação de políticas econômicas neoliberais favoráveis aos interesses imperialistas dos EUA, deixando claro e em negrito que não era paz que Kissinger desejava, nem tão pouco o distensionamento entre países e, sim, os interesses imperialistas a serem conquistados por meio da violência em sua representação.

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Trazendo para atualidade, onde vemos o massacre de Israel ao povo Palestino, onde jovens, mulheres e jornalistas são mortos, Kissinger, em outubro deste ano, lança criticas políticas em relação a protestos pró-Palestina na Alemanha, criticando a decisão de Berlim de admitir um número de imigrante de outra cultura e religião, declarando ao jornal Die Welt ao comentar as ações pró-Palestina que ocorrem na Alemanha:

“Foi um erro muito grave permitir a entrada de tantas pessoas com antecedentes culturais e religiosos completamente diferentes”

Na opinião de Kissinger, Berlim deveria ficar ao lado de Israel, o que poderia incluir apoio militar, mostrando mais uma vez, antes de morrer, sua sede em saciar os interesses imperialistas do seu País e seu DNA assassino e criminoso.

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Por fim, a morte de Kissinger é mais um elemento de revolta, mais um criminoso que morre sem pagar seus crimes despejando nas civilizações suas estratégias e articulações deixadas nas mãos dos imperialistas, que apenas a organização da classe trabalhadora, lutando para impor com seus métodos cada passo da luta contra os ataques imperialistas, poderá garantir o triunfo nessa luta e o fim de diplomatas e articuladores que tem como ordem do dia eliminar civilizações e inocentes.

Redação Esquerda Diário


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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