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História de Cuba comprova que mesmo após embargo dos EUA, ilha caribenha tem melhores índices da América Latina

Cuba teve que realizar reformas estruturais profundas e dramáticas, consequência de severos acontecimentos de ordem interna e externa e enfrentar estes obstáculos
Juan Verástegui Vásquez
Diálogos do Sul Global
Lima

Tradução:

*Atualizado em 28/01/2022 às 13:20.

Fulgencio Batista, sanguinário ditador cubano, rompe em 1952 a ordem constitucional em Cuba, suspende o Congresso e entrega o poder legislativo ao Conselho de Ministros; suprime o direito de greve e restabelece a pena de morte. 

Wayne S. Smith, funcionário da embaixada norte-americana descreve, a respeito de Batista: “…torturando e matando os insurgentes, enforcando-os nas árvores, nas estradas”. 

Salim Lamram, Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Sorbonne-Paris IV nos descreve, magistralmente, em suas “Cinquenta verdades sobre a sanção imposta a Cuba pelos EUA”:

Em 26 de junho de 1953 Fidel Castro encabeça uma expedição armada para libertar Cuba e em 1962 dirige-se ao povo cubano, lembrando que “Em nossa guerra de libertação nacional, não houve um só caso de prisioneiro torturado, nem mesmo para conseguir uma informação militar para salvar nossa tropa”. 

Cuba teve que realizar reformas estruturais profundas e dramáticas, consequência de severos acontecimentos de ordem interna e externa e enfrentar estes obstáculos

Montagem Diálogos do Sul
Cuba tem, hoje, indicadores sociais e econômicos invejáveis, sendo líder de quase todos os países da América Latina e do Caribe.

Por outro lado, em julho de 1948, segundo, sempre, Salim Lamram, o Departamento de Estado norte-americano escreveu: “A economia monoprodutora depende quase exclusivamente dos Estados Unidos. Se manipularmos as tarifas ou a cota açucareira podemos mergulhar toda a ilha na pobreza”. 

O Banco Nacional de Cuba descreve que entre 1952 e 1953 o PIB caiu 11,51% e entre 1953 e 1954 cresceu, apenas, 0.9%. As reservas monetárias caíram de 448 milhões de pesos em 1952 para 383,5 milhões em 1953; a dívida da nação chegou a 1,300 milhões em 1959 e o déficit orçamentário chegou a 800 milhões de dólares. O setor açucareiro, em 1952, gerava 623 milhões de pesos e em 1953 caiu para 383,5 milhões.

Quase nunca carne, peixe, ovos ou leite

O Conselho Nacional de Economia dos EUA realizou um estudo sobre Cuba e concluiu que entre maio de 1956 e junho de 1957 o número de desempregados era de 650.000 (35% da população ativa). 

Cerca de 60% dos camponeses viviam em barracões com teto de guano e piso de terra, desprovidos de sanitários e de água corrente; cerca de 90% não tinha eletricidade, cerca de 85% destes barracões tinham uma ou duas peças para toda a família; só 11% dos camponeses consumiam leite, 4% carne e 2% ovos. 43% eram analfabetos e 44% nunca fôra à escola.

O New York Times afirma que “a grande maioria deles nas zonas rurais viviam na miséria, em nível de subsistência”. Segundo o economista inglês, Dudley Seers, as condições no campo eram péssimas: cerca de um terço da nação vivia na sujeira, comendo arroz, feijão, banana e verduras, quase nunca carne, peixe, ovos ou leite; vivendo em barracões, normalmente sem eletricidade nem latrinas, vítima de doenças parasitárias e não se beneficiava de um serviço de saúde. A instrução lhes era negada: seus filhos iam à escola durante um ano, no máximo. 

O Presidente John Kennedy disse: “Penso que não há um país no mundo, inclusive os países sob domínio colonial, onde a colonização econômica, a humilhação e a exploração sejam piores das que houve em Cuba, devido à política de meu país durante o regime de Batista”. 

Arthur M. Schlesinger, Jr. Assessor pessoal do presidente Kennedy, recordou uma estadia na capital cubana e testemunhou: “Me encantava Havana e fiquei horrorizado com a maneira como esta adorável cidade se transformara, desgraçadamente, em um grande cassino e prostíbulo para os homens de negócios norte-americanos (…) Meus compatriotas caminhavam pelas ruas, com garotas cubanas de catorze anos e jogavam moedas só pelo prazer de ver os homens entrar na rede de esgotos para recolhê-las. A gente se perguntava como os cubanos, vendo esta realidade, podiam considerar os EUA senão com ódio.

Do bordel norte-americano à Cuba digna

Cinquenta e quatro anos depois de ser o “Grande cassino e o bordel norte-americano” de todos os fins de semana e arrastando, também, indicadores socioeconômicos desastrosos, Cuba tem, hoje, indicadores sociais e econômicos invejáveis, sendo líder de quase todos os países da América Latina e do Caribe (A.L. e C.) e, inclusive, disputando com países desenvolvidos, como Alemanha, EUA, Japão etc.; tendo, portanto, um mérito invejável e extraordinário por ter, além disso, superado as draconianas sanções econômicas impostas pelos EUA.

Em 2014, de acordo com a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL), em “Panorama Social da América Latina” – 2015, a POBREZA na América Latina chegou, como média regional, a muito mais da quarta parte (28.2%) de sua população, alcançando a elevada cifra de 168 milhões de pessoas pobres. E em situação de INDIGÊNCIA, chegou a 11.8%, equivalentes a 70 milhões de indigentes na região. 

Não obstante, em 11 de março de 2014 Cuba recebeu, da “Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura” (FAO), por meio de seu representante Regional, Raúl Benítez um reconhecimento por ter erradicado a fome em Cuba, indicando que esta experiência e o compromisso de Cuba nos dá um roteiro para seguir a meta regional e global de conseguir fome zero.

O jornal BBC-Mundo informa que a Organização das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em seu Balanço de 2009 afirma que em Cuba não existem problemas de “Desnutrição Infantil”, que é o primeiro dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM). Outro dos Objetivos que é o “Ensino primário seja universal”, Cuba já alcançou, há muitos anos; a educação beneficia até as crianças que vivem no mais intrincado das montanhas. No que se refere à “Igualdade de Gênero e Autonomia da Mulher”, devemos dizer que sendo elas a metade da população, ocupam 63% dos lugares universitários. Quanto ao trabalho, entre 1970 e 2008, o número de mulheres dirigentes cresceu 7 vezes e o das técnicas multiplicou-se por 5. Quanto à “Redução da Mortalidade Infantil”, Cuba tem um índice que só é comparável ao de alguns países desenvolvidos. Enfim, os ODM já estão cumpridos em Cuba. 

Cuba se situa em um lugar privilegiado na “Proporção da população subalimentada” alcançando um apreciável lugar de menos 5% de sua população subalimentada, comparável, só, com regiões adiantadas como EUA, Alemanha, França, República da Coreia etc., acima de “Regiões em desenvolvimento” e muito adiante de “Países menos adiantados”. O que mais se destaca, deste comportamento, é seu caráter histórico: De 2000 a 2002 menos 5%; de 2005 a 2007 menos 5%; de 2009 a 2011 menos 5%; de 2012 a 2014 menos 5% de população subalimentada em Cuba. (O estado da insegurança alimentar no mundo – 2014, da FAO, do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola e do Programa Mundial de Alimentos).

A par com essas conquistas, Cuba tem um “Gasto Público Social” equivalente a 42% do PIB. Muito acima da média da América Latina e do Caribe que representa 19,5%, o que quer dizer que Cuba tem um gasto social que representa 215% da média simples da A.L. e C. (“Programa Social da América Latina” da CEPAL-2015).

“Mortalidade Infantil” .- Outro indicador muito sensível é o da Mortalidade Infantil; se nos aproximamos, retrospectivamente, de 1970, só 8 anos depois de Fidel Castro dirigir os destinos de Cuba, encontramos estimativas feitas pela CEPAL desde 1960 em “Mortalidade na Infância, uma Base de Dados da América Latina e do Caribe”, mostrando que Cuba tem o menor número de crianças mortas por cada mil nascidos vivos, em toda América Latina e Caribe,  escassos 5 por mil; no caso da Bolívia, sempre no ano de 1970, são 22; no Brasil (1966-1967) 91 e no Peru (1963-1973) 165, que corresponde à área urbana; para o setor rural Cuba tinha 38 por cada mil, que é, também, o mais baixo de toda América Latina e Caribe. Em 1990, tanto na área urbana como na rural, em Cuba houve 14 mortos por cada mil, muito abaixo do resto de toda América Latina e Caribe e inferior (menos da metade) do que havia em 1970. Todos estes indicadores estão relacionados à educação da mãe. 

Em síntese, em Cuba, em 1962 houve 59, falecidos por cada 1.000, enquanto em 2012 foram 5,5 falecidos por cada mil; conquista extraordinária, significando uma redução da mortalidade infantil, de cerca de 1.000% (980%).  No que corresponde ao quinquênio 2010-2015 (CEPAL-Anuário Estatístico da América Latina e Caribe-2015), em Mortalidade Infantil, Cuba continua tendo a mesma quantidade, 5,5, que é a taxa mais baixa de toda A.L. e C. que têm 19,8 falecidos por cada mil nascidos, ou seja, que a taxa de mortalidade infantil em Cuba é 260% menor que a média da A.L. e C.; e cerca de 400% (392%) menor que a média do Caribe. Nos EUA, a taxa de mortalidade infantil, em menores de 1 ano, é 20% maior que em Cuba. A taxa de mortalidade infantil neonatal (probabilidade de morrer durante os primeiros 28 dias completos de vida) nos EUA é 33,3% maior que a de Cuba; a do Peru é 166,7% maior que a de Cuba e a do México, 133,3% maior do que a de Cuba.

Merece especial atenção a “Taxa de Mortalidade de Menores de 5 anos” que em Cuba representa 6%, porcentagem inferior à dos EUA que é de 7%; significa que no país do norte, potência mundial, morrem cerca de 17% mais do que em Cuba. Com relação ao México, Cuba tem 150% menos de mortalidade e com relação ao Peru, Cuba tem 183,3% menos de mortalidade de menores de 5 anos.

Sempre de acordo com a CEPAL, até 1965 considerava-se nascidos vivos os recém-nascidos que sobreviviam às primeiras 24 horas. Em 1967 e 1969 foram introduzidas mudanças importantes na legislação e a partir de 1970 o registro de nascimentos e de mortes é praticamente completo.

Quanto à População que consome abaixo do nível mínimo de “Energia Alimentar”, Cuba, junto com Argentina, Brasil, Venezuela, Uruguai etc, tem uma reduzida porcentagem de 5,0% de sua população, o que quer dizer que Cuba e estes países têm uma porcentagem menor que consomem essa quantidade de energia alimentar, em relação à média da A.L. e C. que é de 5,5% de consumo mínimo de Energia Alimentar, o que significa que Cuba e os outros países estão situados em melhor posição que a média da América Latina e do Caribe. Quanto a “Disponibilidade de Energia Alimentar”, em cal/dia por pessoa, Cuba se encontra só abaixo da Argentina, mas, igualmente, acima de todo o resto de países da A.L. e C. no ano de 2014, tocando-lhe apreciáveis 3.533 cal/dia por pessoa diante da média da A.L. e C. que é de 3.069 cal/dia por pessoa. Nos países industrializados o consumo de energias na dieta diária média é de 3.340; nos EUA, 3.620; Itália, 3.480; Áustria, 3.380; Suécia, 3.170, Peru, 2.760 Kcal/dia por pessoa. Evidenciando, então, que o consumo de calorias em Cuba está à altura dos países mais desenvolvidos. (“Anuário Estatístico de A.L. e C.” CEPAL– 2015)

Morre uma criança de fome a cada 5 segundos

A fome é o flagelo mais injusto e desumano da sociedade e é pior, ainda, quando se trata de crianças. Se é condenável quando penaliza adultos, é abominável quando afeta crianças. A manifestação mais direta é a DESNUTRIÇÃO INFANTIL. Quando a criança, ao nascer, tem menos de 2.500 gramas de peso, aumenta o risco de mortalidade infantil e desnutrição. Na América Latina e no Caribe, o baixo peso ao nascer alcança 10% dos nascidos vivos. Na República Dominicana (11%), Guiana (12%), Haiti (21%), Trinidad e Tobago (23%). Nestes dois últimos casos o nível é superior ao da África subsaariana. Em troca, Cuba apresenta uma baixa porcentagem de crianças com baixo peso ao nascer (6%), inferior inclusive à média observada nos países mais industrializados. Em “Desnutrição em Menores de 5 anos” da CEPAL-Série de Publicações sociais 1996-2002, Cuba tem 4,6%, porcentagem muito inferior à média de toda América Latina que tem 15,6%; isto é, A.L. e C. têm 229,1% mais desnutridos que Cuba. A UNICEF assegura que em Cuba não há Desnutrição Infantil.

Em “Mortalidade Infantil”, Cuba tem uma taxa de 5,5%, muito abaixo do que têm todos os países da América Latina e do Caribe, de 19.8%; ou seja, Cuba tem 260% menos mortalidade infantil que toda A.L. e C.; México, 18,8%; Peru, 18.6%. (“Anuário Estatístico de A.L. e C.” CEPAL-2015). 

Por isso recobra vigência o diagnóstico de Pedro Rivera Ramos da ARGENPRESS,  quando afirma que a cada cinco segundos morre de fome uma criança menor de 10 anos no mundo; mais de 10 milhões de crianças morrem anualmente por enfermidades que, tranquilamente, poderiam ser curadas porque existem tratamentos. Mais de 60 milhões de mulheres dão à luz sem assistência médica; 2,400 milhões de pessoas carecem de acesso a serviços sanitários básicos; uma terça parte do planeta, segundo a OMS., não tem acesso aos medicamentos essenciais.

Este parágrafo está relacionado ao anterior e se refere a “Esperança de Vida”. No período 2010-2015, sempre de acordo à fonte anterior, Cuba se encontra em terceiro lugar para ambos os sexos, com apreciáveis 79,2 anos de vida, só depois de Ilhas Virgens dos Estados Unidos e Porto Rico, com 79,6 e 79,3 respectivamente; mas muito acima de A.L. e C. com 74,7, e do Caribe com 72,7, ou seja, os cubanos vivem cerca de 5 anos mais que a média latino-americana e 6 anos mais que a sub-região do Caribe, onde está a ilha. Chama a atenção que Cuba tenha uma esperança de vida tão igual à dos EUA. 

Quanto a “partos atendidos por pessoal qualificado”, no Anuário Estatístico da A.L. e C. 2012, Cuba está em primeiro lugar na A.L. e C., com 100% de partos atendidos por pessoal qualificado, diante de 86,0 por cento nesta região, sendo o Peru com 84%.

No que se refere a “Crianças de um ano vacinadas contra o sarampo”, Cuba tem, praticamente, o total de crianças vacinadas, com 99 por cento, diante de 92 por cento na A.L. e C. e 85% por cento no Peru.

Em Médicos por cada 1.000 habitantes, Cuba tem 6,7 médicos por cada 1.000 habitantes, liderando em toda a América Latina e Caribe; México tem 2,1; Chile 1,0; Peru 1,1 médicos por cada 1.000 habitantes. Isto é, Cuba, tem 219 por cento mais que o México; 570 por cento mais que o Chile e 509 por cento mais que o Peru. Extraordinário desempenho de Cuba. (Anuário Estatístico 2015 – CEPAL)

No que se refere a “Leitos de hospital por cada 10.000 habitantes”, Cuba tem uma disponibilidade de 59 leitos por cada 10.000 habitantes, estando em um invejável segundo lugar em toda América Latina e Caribe; México tem 16; Chile 21; Peru, 15 leitos por cada 10,000 habitantes. Cuba, então, tem disponibilidade de leitos 269% mais que o México; 181% mais que o Chile e cerca de 300% (293.3%) mais que o Peru. 

Em “População que Utiliza Água Potável” de acordo a esta mesma fonte, em nível nacional, Cuba possui cerca de 95%, igual à média da A.L. e C.; Peru tem 87%. Quanto a “Saneamento”, Cuba tem 93%, acima da A.L. e C. que tem 83%, Argentina 96%, México 85%, Peru 76%.  

Indicadores de educação  

A taxa de “Alfabetização em adultos de 15 anos e mais”, em ambos os sexos, que a CEPAL toma como fonte, dados da “Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura” (UNESCO), na A.L. e C. é de 92.4%, enquanto em Cuba é, praticamente, a totalidade (99,7%) ocupando o primeiro lugar; ou seja, existe uma diferença de mais de 7 pontos percentuais a favor de Cuba que destina, aliás, 160% mais que o Chile, para esse item. 

A ilha está, portanto, em primeiro lugar e acima de todos os países da América Latina e do Caribe; México tem 94,4%, Peru, 94.5%. Quanto a sexo, em Cuba, mulheres e homens têm quase a mesma porcentagem, com uma diferença de 0,1% a favor dos primeiros. Em jovens de 15 a 24 anos, Cuba tem uma taxa de alfabetização de, praticamente, a totalidade (99,9) acima de toda América Latina e Caribe que têm 97,7%; México, 98,7%, Peru, 98.9%.

Outro item que merece atenção é “Gasto Público em Educação”, Cuba, em 2010, ocupava o primeiro lugar e acima de todos os países da A.L. e C. (de uma amostra de países da CEPAL) que tem um elevado 12,8% do PIB, superior ao México que tem 5,2%, Peru, 2.8%; isto é, Cuba, gasta em educação, mais de 146% do que o México e mais de 357% do que o Peru.

Vale lembrar que em “Perspectivas Econômicas da América Latina” CEPAL-2015 a Cepal afirma que a “América Latina apresenta importantes deficiências no desenvolvimento de competências na educação primária; por exemplo, no terceiro grau do primário, só 11% dos estudantes da América Latina que participaram das provas de matemáticas do SERCE (Segundo Estudo Regional Comparativo e Explicativo) em 2006  reconheceram a regra de formação de uma sequência numérica e souberam encontrar médias e resolver cálculos, combinando as quatro operações básicas dos números naturais. Enquanto em CUBA mais de 50% dos estudantes resolveram os problemas mencionados anteriormente. Na República Dominicana não se supera 1% dos estudantes”. 

A “EVASÃO ESCOLAR” também é um desafio importante adicional para a educação terciária. Na região, as taxas de graduação do primeiro grau de educação terciária são baixas: 12% na Argentina, 14% na Colômbia, 18% na Venezuela, 19% no Chile e no México. Destacam-se Costa Rica, com 37% e CUBA, com 51%.

Em Pesquisa e Desenvolvimento (P+D), os países que investem entre 0.2% e 0.5% do PIB são Argentina, Costa Rica, Bolívia, Uruguai, Panamá, Venezuela e Colômbia; os que investem 0.2% de seu PIB são Peru e Paraguai; enquanto que CUBA, Brasil e Chile investem entre 0.5% e 1.0 % de seus respectivos Produtos Internos Brutos.  

Quanto a “Discriminação por Gênero no Parlamento Nacional”, em Cuba, a participação de mulheres é de 49%; poderíamos falar de uma equidade numérica entre homens e mulheres na representação parlamentar, enquanto no México é de 38%, Peru, 22%. Ressalta, também, esta participação na Bolívia (Estado Plurinacional) que foi de 53% de participação de mulheres, em 2015.

No caso do HIV AIDS e Malária, os laboratórios cubanos produzem medicamentos que distribuem gratuitamente a todos os portadores destes vírus; graças a isso o número de enfermos e mortos reduziram-se substancialmente. Têm atenção médica permanente e ambulatorial e levam uma vida normal; as mulheres portadoras deste vírus podem ter filhos sadios, com o cuidado de médicos especializados que as atendem. Mas, também, com relação à saúde materna, as gestantes recebem atenção médica gratuita e constante desde o primeiro dia da gravidez; nos lares maternos, hospedam-se por tempo indeterminado as grávidas que correm riscos e os casos mais difíceis nas clínicas neonatais cubanas  

Um tema de muito impacto social é o EMPREGO. Cuba tem uma taxa de desocupação urbana aberta de 3,4% em 2013, enquanto a média da A.L. e C. é de 6.2%, que representa quase o dobro de desocupação do que em Cuba; o México tem 5.7%, apesar da “Maquila”, o Peru, 5.9%.

Gasto público como porcentagem do PIB 

O comportamento satisfatório de todos estes indicadores socioeconômicos a favor de Cuba não é casual nem gratuito; nem é, tão pouco, a mão invisível do mercado. É o resultado de um modelo econômico que prioriza o mercado interno, com uma grande dose de nacionalismo, mas fundamentalmente, de uma profunda filantropia em favor de seu povo implementada por Fidel Castro, no marco de uma gestão transparente. 

O quadro a seguir é um desagregado simples da importância que se dá a alguns indicadores sociais e econômicos e que, necessariamente, teve impacto em seu comportamento em Cuba.                                                

Porcentagem do PIB destinada a estes setores (De alguns países) (2008-2012)

Países

Saúde

Educação

Exército

Cuba

10

13

3

Chile

3

5

2

EUA

8

5

5

México

3

5

1

Peru

3

3

1

Fonte: UNICEF-Estado Mundial da Infância-2015

Como podemos observar, nesta série de alguns países, Cuba prioriza os gastos com Saúde e Educação, por isso seus resultados são satisfatórios.

Para Saúde, enquanto Cuba destina 10% de seu PIB, o Chile destina apenas 3%, o que quer dizer que Cuba gasta 233.3% mais do que o Chile. 

Quanto aos EUA, este país gasta em Saúde 8% de seu PIB, o que significa que destina 25% menos que Cuba e ao setor educação, os EUA destinam 160% menos que Cuba; ao exército Cuba destina um equivalente a 3%, representando 66,7% menos do que os EUA. 

O México destina 233,3% menos que Cuba à Saúde, e 160% menos à Educação. O Peru, por sua vez, destina à Saúde 233,3% menos do que Cuba e à Educação 333,3% menos do que Cuba.

Nem sempre, então, o crescimento do PIB tem impacto favorável ao bem-estar da população e não necessariamente reflete um melhor status de vida de uma nação. 

A Renda Nacional Bruta Per Cápita dos EUA (2013) é de $ 53,670, enquanto o de Cuba é de, apenas, $ 5,890, significando que a renda per cápita cubana é 811.2% menor que a dos norte-americanos; também, é 158.6% menor que a do Chile e 68,8% menor que a do México. No entanto, como vimos, o bem-estar da população cubana, em relação a seus indicadores sociais e econômicos e, também, em relação a estes países é, notoriamente, satisfatório. O Diretor Geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) advertiu que para combater a fome, a pobreza e a desnutrição, aqueles que padecem desses males devem participar do processo de crescimento do PIB e de seus benefícios.

Quanto ao nível de abertura comercial (X/PIB), em 2007, Cuba se encontrava em 6,3%, o que evidencia que a dinâmica de sua economia está no mercado interno. A.L. e C. têm 24,1%, Peru, 25%. Nestes últimos 54 anos, Cuba jamais recorreu às “salvações econômicas” de organismos financeiros internacionais como o FMI, Banco Mundial etc.

Finalmente, a secretária executiva da Comissão Econômica para América Latina (CEPAL) Alicia Bárcena, declarou que “a América Latina tem que aprender muito com Cuba”, destacando que a desigualdade cresceu na região e nos países desenvolvidos, com exceção de CUBA e do URUGUAI. Existe a evidência da necessidade de políticas “Progressistas e Progressivas” contra a pobreza. Acrescenta, ainda, que “Tem o horror de ser a região mais desigual do mundo. Os países mais igualitários da América Latina são Cuba e Uruguai”, poque “O mercado jamais vai igualar, o mercado é por essência desigualador”. 

Draconianas sanções econômicas contra Cuba 

Cuba tem um mérito extraordinário e distinto por ter estes indicadores sociais e econômicos que, quase todos, são superiores à média de todos os países da América Latina e do Caribe e até, em alguns casos, ela disputa com países desenvolvidos, como EUA, Japão, Alemanha etc. merecendo, ainda, mais reconhecimento por ter superado, relativamente, as drásticas e inumanas sanções econômicas por parte dos EUA. Vejamos algumas delas:

Cuba está impedida de utilizar o dólar como moeda de transação internacional; Cuba não pode exportar nem importar nada dos EUA; desde 1992, todo navio estrangeiro -seja qual for sua procedência – que entre em um porto cubano se vê proibido de entrar nos EUA durante seis meses; todos os habitantes dos Estados Unidos podem viajar a seu país de origem quantas vezes queiram, menos os cubanos; os cidadãos ou residentes estadunidenses podiam mandar uma ajuda financeira a sua família sem limite, menos os cubanos que não podiam mandar mais de 100 dólares por mês, entre 2004 e 2009; pela aplicação da extraterritorialidade das sanções econômicas, um fabricante de carros japoneses, alemães, coreanos, ou outro que deseje comercializar seus produtos no mercado estadunidense, tem que demonstrar ao Departamento do Tesouro que seus carros não contêm nem uma só grama de níquel cubano; um pasteleiro francês que deseje entrar no primeiro mercado do mundo tem que demonstrar ao mesmo órgão que sua produção não contem uma só grama de açúcar cubano; todo turista estadunidense que consuma um cigarro cubano ou um copo de rum Havana Club durante uma viagem ao exterior já seja à França, ao Brasil ou ao Japão arrisca-se a uma multa de um milhão de dólares e dez anos de prisão; um cubano que reside na França, teoricamente, não pode comer um hambúrguer no McDonald´s; o Banco Bawag vendido (2007) ao fundo financeiro estadunidense encerrou as contas de uma centena de clientes de origem cubana que residiam na república alpina, aplicando assim de modo extraterritorial a legislação estadunidense em um terceiro país; em 16 de dezembro de 2009 o banco Crédit Suisse recebeu uma multa de 536 milhões de dólares do Departamento do Tesouro por realizar transações financeiras em dólares com Cuba.  Estas, entre outras, são as sanções impostas a Cuba e podem ser encontradas em:

“50 verdades sobre a sanção imposta a Cuba pelos Estados Unidos” de Salim Lamrani. 

Alicia Bárcena, Secretária Executiva da CEPAL, elaborou um informe para a Assembleia Geral da ONU, avaliando em 117 bilhões de dólares em 2014 o custo do bloqueio a Cuba.

Cuba teve que realizar reformas estruturais profundas e dramáticas, consequência de severos acontecimentos de ordem interna e externa e enfrentar estes obstáculos. 

O congelamento das relações de Cuba com os países da Europa Oriental e a URSS, a dissolução do Conselho de Ajuda Mútua Econômica (CAME), junto com a reorganização de sua estrutura produtiva, tornou e torna, ainda, titânica a obra empreendida por Fidel Castro em busca do bem-estar e previsão social do povo cubano; mas, sobretudo, de conseguir uma sociedade muito mais igualitária. Desde logo, não se tratou da transformação de um regime capitalista em outro capitalista e, menos ainda, embarcar no Neoliberalismo, e sim de estruturar um modelo de desenvolvimento inclusivo e igualitário. E, desde logo, seus índices de desnutrição infantil, sua mortalidade infantil, seu consumo completo de calorias por dia, sua alfabetização distantes estão hoje, dos de outros tempos – da meca do bordel em Cuba ou de cubanos subnutridos ou crianças mendigando pelas ruas etc, etc, testemunhando, assim, o enraizamento da bondade de Cuba em benefício de seu povo.  

A evidente bondade destes auspiciosos indicadores socioeconômicos tem uma dimensão muito superior a seus “índices reais”, que por si só já não há como valorizar, uma vez que nem sequer as brutais sanções econômicas impostas a Cuba fizeram-na claudicar na consecução da DIGNIFICAÇÃO da vida do povo cubano.  

De acordo com o Banco Mundial, “Uma menina peruana, em comparação com seus compatriotas mais ricos, tem uma probabilidade seis vezes maior de ter nascido sem assistência médica, quatro vezes maior de morrer antes de completar cinco anos de idade, duas vezes maior de não ter acesso à educação primária e um terço de probabilidade de dispor de água corrente alguma vez em sua vida; um indígena peruano das zonas rurais tem, na média, uma probabilidade dez vezes maior de ser extremamente pobre que seu par não indígena das zonas urbanas”. 

O impacto desta diferenciação é dramático e funesto porque não apenas se circunscreve ao início da vida, arrasta, também, para toda sua existência, como um lastro sem salvação com repercussões, não apenas nele mesmo, mas em todos os seus descendentes. Mais tarde, no mercado de trabalho, por exemplo, quando ambos  disputarem um cargo, definitivamente, haverá abismais diferenças, que o sistema jamais poderá nivelar, ao contrário, enraizando-as e eternizando-as em um círculo vicioso, perverso e injusto. 

Definitivamente, neste ínterim, poderá haver muitos simpatizantes e outros detratores, uns muito bem intencionados, outros nem tanto, mas de modo algum será possível desconhecer as conquistas obtidas. E não se trata, como vemos, de aspectos banais e supérfluos. São as condições futuras determinantes: A vida ou a morte. Uma criança desnutrida, por exemplo, está muito mais exposta a uma morte precoce do que outra que não esteja, e, definitivamente, ficará marcada para toda a vida. É irreversível! Quando adulta, não poderá realizar trabalhos físicos normalmente, cansar-se-á rapidamente, não poderá compreender um texto e jamais  concentrar-se-á frente a uma explicação temática: A desnutrição crônica de crianças é o pior flagelo que pode existir. 


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Juan Verástegui Vásquez

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Mulheres indígenas enfrentam petroleira para proteger Rio Marañón, no Peru
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EUA mantêm Cuba como patrocinadora do terrorismo para afogar projeto cubano de soberania
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Em 60 anos, médicos cubanos já socorreram 165 países e resistem à perseguição dos EUA