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Homofobia de cardeal peruano provoca polêmica

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

Manuel Robles Sosa*

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Juan Luis Cipriani Thorne, cardeal ligado ao Opus Dei.

Segundo os críticos, Cipriani incorre em homofobia ao rechaçar o projeto e também ao tentar desqualificar o autor, o parlamentar Carlos Bruce, acusando-o de utilizar seu mandato para justificar ou defender sua opção sexual.

O agredido se negou a responder para não rebaixar-se ao nível ao que o cardeal levava o tema e disse que só aceita discutir ideias, e deixou claro que não estranha a reação do personagem emblema dos setores mais conservadores.

Em seu programa semanal de radio e televisão, Cipriani, da seita conservadora Opus Dei, argumentou que o projeto “é uma caricatura de matrimônio gay” e um passo à consagração desse tipo de união.

Bruce nega e afirma que só se trata de que as uniões entre pessoas do mesmo sexo tenham os mesmos direitos que os heterossexuais, como herdar um do outro ou participar de seguro saúde comum por levar uma vida em comum.

Em apoio a Cipriani saiu o ex oficial da Marinha, Carlos Tubino, parlamentar do grupo de seguidores do ex presidente Alberto Fujimori, que está preso por genocídio e roubo.

Em uma rede da Internet Tubino apeou aos princípios católicos para afirmar que a maioria rechaça a união entre homossexuais, o que determina que “nossa sociedade não é liberal, é anti gay!”

Que alguém informe ao congressista Carlos Tubino que já desde há muito tempo abandonamos as cavernas. Ele ainda permanece na cova, respondeu o jurista Ronald Gamarra.

“Combateremos contra os que procuram nos degradar moralmente e contaminar a nossas forças armadas”, respondeu Tubino, ao que Bruce esclareceu que seu projeto nada tem a ver com os militares.

O presidente do Movimento Homosexual de Lima, Giovanni Infante, recordou que o fujimorismo, a que Cipriani está vinculado, se opõem a qualquer lei de igualdade para os homossexuais e também bloqueou uma lei para sancionar com maior dureza os crimes de ódio.

“Estão sendo absolutamente consequentes: são um grupo político criado para odiar e matar de modo sistemático”, asseverou Infante.

Também o Centro de Promoção e Defesa dos Direitos Sexuais e Reprodutivos (Promsex ) defendeu o projeto de legalização das uniões entre homossexuais lembrando que apenas busca que eles tenham os mesmos direitos que têm os heterossexuais casados.

George Liendo, representante do Promsex, esclareceu que o projeto reconhece a formação de sociedade de bens comuns e sua divisão em caso de divórcio. Disse também que se aprovada a norma, em caso de emergências médicas, cada membro do casal poderá decidir sobre a atenção ao outro, como familiar de direito, e se um deles é estrangeiro, poderá adotar a nacionalidade peruana, tal como se aplica aos casais heteros.

Lindo recordou que o projeto é a quarta tentativa em 20 anos para legalizar as uniões homossexuais. O primeiro foi apresentado em 1993 pelo parlamentar de esquerda Julio Castro, e motivou uma reação conservadora tão furibunda que impediu o debate.

Daniel Parodi, colunista de um jornal local, comentou que o projeto não chega à profundidade de outros países que já legalizaram o matrimônio gay e até reconheceram o direito à adoção, e só outorga direitos recíprocos a um casal do mesmo sexo, o que não contraria a religião.

O analista pergunta se o conservadorismo católico pretende invisibilizar aos homossexuais e negar-lhes os direitos civis mais elementares devido a sua opção sexual. Por acaso a sociedade civil interfere nas regras da igreja que é, finalmente, um foro privado?, concluiu.

Em meio ao debate surgiram propostas que, pra evitar as reações contra legalização da união homossexual sugerem que a projetada norma não mencione a estes e fale das uniões entre pessoas, incluindo as de familiares ou amigos.

Liurka Otsuka, jurista de Promsex, reconheceu que as reações conservadoras podem indicar que não ha condições para o avanço dos direitos dos homossexuais mas é necessário continuar a luta pela igualdade plena e para todos.

*Prensa Latina, de Lima, Peru para Diálogos do Sul

 


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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