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Hospitais cheios e casas destruídas: Como está o Haiti após terremoto que deixou 10 mil feridos

País caribenho vive crise após assassinato do ex-presidente e terremoto de 7,4 graus na escala Richter
Michele de Mello
Brasil de Fato
São Paulo (SP)

Tradução:

A cifra de vítimas do terremoto, que atingiu o Sul do Haiti no último sábado (14), ascende a 1.914 mortos e 9.900 feridos. Nas últimas 48h, as equipes de resgate conseguiram salvar 34 sobreviventes dos escombros. De acordo com a Direção de Proteção Civil, 60.759 casas foram destruídas, assim como 13 escolas públicas após o tremor de 7,2 graus na escala Richter.

As autoridades haitianas registraram 500 réplicas durante o fim do semana, por isso a região do epicentro do terremoto permanece em estado de alerta. O maior hospital da região sul do país, Imaculada Conceição, em Les Cayes, atingiu sua máxima capacidade, com 90% de leitos ocupados por vítimas do sismo. Enquanto isso, a passagem do ciclone tropical Grace pelo Caribe aumenta o volume das tempestades no país. 

País caribenho vive crise após assassinato do ex-presidente e terremoto de 7,4 graus na escala Richter

Reprodução: Winkiemedia
Situado em zona sísmica, o Haiti sofreu outro terremoto de grandes proporções em 2010

Diante das denúncias de falta de atenção do Estado, quatro dias após o desastre natural, o diretor da Proteção Civil afirma que é necessário maior coordenação para distribuir a ajuda humanitária do exterior. “Precisamos saber se, com o envio da ajuda aos departamentos, eles vão conseguir distribuir. Se eles não conseguirem fazer isso, será necessário um planejamento adicional”, declarou Jerry Chandler ao jornal local Le Nouvelliste.

O país recebeu ajuda humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU), Venezuela, México e dos Estados Unidos. Enquanto Cuba oferece brigadas médicas para atender os feridos. 

Ativistas estadunidenses enviaram uma carta ao presidente Joe Biden solicitando a suspensão de todas as deportações de haitianos. A diretora da ONG Haitin Bridge Alliance, Guerline Jozef, denuncia que 130 solicitantes de asilo foram deportados na última semana. Em comunicado oficial, Biden disse estar “triste” pelo ocorrido, mas não respondeu o pedido dos ativistas.

O gabinete do primeiro-ministro Ariel Henry anunciou a criação de um grupo ad hoc entre seu gabinete de ministros, empresários, partidos políticos e haitianos no exterior para ajudar a dar respostas à população. “Vamos transformar essa crise em oportunidades”, declarou o premiê empossado há menos de um mês.

Segundo relatos de religiosas brasileiras que vivem no Sul do Haiti, faltam alimentos, água e medicamentos e a perspectiva é “fome e miséria”.

O país ainda não havia se recuperado completamente do último grande terremoto, que matou 300 mil pessoas em 2010, quando foi surpreendido por mais uma catástrofe.

Saiba mais:
Terremoto no Haiti: Sem campo de refugiados, pessoas estão nos escombros das casas 

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), ao menos 500 mil crianças haitianas foram diretamente afetadas pelo fenômeno natural. “São necessários US$ 15 milhões [cerca de R$ 80 milhões] para atender às necessidades mais urgentes de 385 mil pessoas, incluindo 167 mil crianças menores de cinco anos, em um período de oito semanas”, estima a Unicef.

O Haiti vive uma das maiores crises da sua história com o assassinato do ex-presidente Jovenel Moise, no dia 7 de julho, ausência de Parlamento, seguido da disputa de poderes entre o atual primeiro-ministro Ariel Henry e o chanceler Claude Joseph. Tudo isso sob risco de uma nova intervenção estrangeira. 

As eleições gerais previstas para setembro foram adiadas pelo atual primeiro-ministro para 7 de novembro e um eventual segundo turno acontece 23 de janeiro de 2022.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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