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Independência segundo Getúlio Vargas

Discurso de Getúlio Vargas em 7 Setembro de 1936 sobre a Independência Econômica
Instituto João Goulart
Diálogos do Sul
São Paulo (SP)

Tradução:

Discurso de Getúlio Vargas em 7 Setembro de 1936 sobre a Independência Econômica

“A independência econômica não se adquire necessariamente com a independência política: é tarefa lenta e difícil, que se arrasta por muitos decênios, que às vezes se retarda por séculos e cujo êxito final depende de inúmero fatores, alguns imprevisíveis, outros condicionados aos fenômenos gerais da organização mundial.

A independência política é um ato de força, que se prepara como revolução e que se concretiza num instante decisivo, criando uma nova ordem jurídica e traçando sobre o mapa continental os limites de uma nova soberania. Uma vez conquistada, ela se impõe como fato e como direito e os seus efeitos perduram, desde que o povo, que se fez independente, saiba conservar o bem que adquiriu.

Discurso de Getúlio Vargas em 7 Setembro de 1936 sobre a Independência Econômica

PDT
Getulio revisando um discurso em seu gabinete

Muito diversa é a independência econômica. Não provém de uma revolução, mas de um processo evolutivo, que se vai completando a pouco e pouco. Não cria uma nova ordem jurídica, porém transforma lentamente a ordem já criada, procurando adaptar o formalismo das normas às exigências materiais da vida humana em sociedade. 

Não traça no mapa das nações nenhuma limite novo de soberania, mas delimita, dentro do próprio meio social, a independência real do indivíduo e as condições fundamentais da vida – o bem-estar, a felicidade, os confortos indispensáveis à fecundidade do trabalho, e, de modo geral, aquele princípio equitativo que aconselha uma gradativa e proporcional distribuição de riqueza, dos bens materiais e das amenidades da existência entre os que trabalham e produzem.

Essa tarefa não é obra de uma geração, nem apanágio de um século: é uma soma infinita de esforços sucessivos, é produto de um longo período de adaptação às circunstâncias da vida em comum e às condições da própria economia mundial. A bem dizer, a independência econômica não tem um dia decisivo de ultimar-se, não pode fixar-se numa data histórica, como a independência política, que hoje celebramos com o mesmo orgulho e mesmo entusiasmo com que temos feito já cerca de cento e trinta anos.

A independência econômica é um eterno processo de desenvolvimento, uma sucessão de ciclos que se ampliam, que não raro se renovam, e que parecem desconhecer qualquer termo final. Para sustentá-la, portanto, para consolidá-la e para dilatá-la, é preciso manter sempre aceso o fogo sagrado e vigilante do nosso patriotismo e do nosso devotamento à uma causa pública. 

Todo nosso governo tem por missão vencer mais uma fase desse processo: e o caminho percorrido será tanto maior quanto melhor forem assimiladas e compreendidas as grandes necessidades populares. 

Aproximar-se do povo, auscultar-lhe as aspirações profundas, sentir-lhe a miséria, o sofrimento, o clamor de desespero que se levanta das camadas desfavorecidas da fortuna, acompanhar de perto os reclamos da subsistência individual, penetrar nas crises profissionais e domésticas, ouvir os apelos que saem dos lares, das oficinas, das fábricas, das escolas, das fazendas e dos campos; procurar resolver as crises, melhorar as condições de vida, aumentar o conforto e a assistência aos que trabalham, proporcionar a todos os homens padrões mais altos de existência e igualdade de oportunidade na luta pelo pão cotidiano – essa a grande e primordial missão de todos os governos.

E fazendo isso, estamos construindo lentamente a independência econômica e lutando contra os seus principais inimigos, que são o imperialismo, na esfera internacional, e a exploração do homem pelo homem, no meio interno.”

*Original do Instituto João Goulart

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