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Infodemia: nos afogar em notícias tem nos tornado mais conscientes e críticos?

Fadiga em meio ao acesso de informações é fenômeno que remonta ao início do século e tecnologia deve aumentar ainda mais quantidade de comunicações

David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

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O grande avanço tecnológico da era em que vivemos nos permite ser atropelados, enrolados e afogados em notícias o tempo todo. Devo confessar que há dias em que este jornalista já não quer abrir um jornal ou outros meios de comunicação, nos quais imperam as notícias quase insuportáveis por várias razões, sobretudo as apocalípticas que roubam a esperança. Além disso, se supõe que o meu trabalho é agregar ainda mais a essa torrente de informação.

Não é um fenômeno tão novo. A agência AP realizou uma investigação em 2007 na qual descobriu que com a multiplicação de informação disponível, o público estava lendo menos notícias. Ao tentar descobrir por quê, detectou o que chamou de uma “fadiga de notícias”. Recentemente, o Instituto Reuters reportou que este fenômeno continua hoje, com os consumidores evitando seletivamente notícias ou sofrendo de “fadiga de notícias”.

Em 2006, o mundo produziu o equivalente a 3 milhões de vezes mais informação que o conteúdo de todos os livros jamais escritos pela humanidade – esse número hoje, segundo alguns cálculos, se multiplicou por 60 vezes mais. Agora, com a tão chamada Inteligência Artificial, se multiplicará ainda mais a disponibilidade de informação, incluindo o enorme potencial para fabricar informação.

Nos Estados Unidos, a multiplicação de fontes e formas de informação não levou a uma população mais consciente ou crítica. Quase o contrário. O país com mais acesso à informação no mundo está em meio a um dos debates públicos menos informados.

Por exemplo, a desigualdade econômica sem precedentes em um século neste país está documentada até o último detalhe. Nicholas Kristof, no New York Times, lembrou esta semana que durante estes últimos anos foi registrada, pela primeira vez, uma redução da expectativa de vida dos trabalhadores estadunidenses e que, entre outros indicadores de uma crise para milhões de pessoas neste país, os salários semanais em média reais para trabalhadores de colarinho azul em 2023 estavam abaixo dos de 1969. Ao mesmo tempo, foi amplamente divulgado como os mais ricos estão cada vez mais ricos.

Da mesma forma, não falta informação constante sobre toda a gama de assuntos centrais do debate público atual, incluindo a informação que chega de Gaza, onde as bombas e munições estadunidenses mataram mais de 25 mil civis – grande parte deles crianças. Não há ninguém que não tenha acesso quase instantâneo a toda essa informação.

Essa informação é frequentemente distorcida pela propaganda oficial ou por um direito que está preparando o que alguns advertem que poderia ser o fim da democracia estadunidense. O fenômeno de um Trump que se promove através de campanhas de desinformação bem elaboradas com o propósito de erodir a realidade compartilhada e transmitida, como havia assinalado Hannah Arendt e outros, ao explicar esse mesmo fenômeno no século passado. E isto também está amplamente documentado.

Apesar do excesso de informação escrita, visual e áudio, tudo isso continua igual ou pior. Será que demasiada informação sobrecarrega até tal ponto que acaba provocando ignorância, talvez voluntária, ou simplesmente esmaga? É essa a característica do que parece ser uma pandemia de informação, uma infodemia?

Obviamente, a informação não é algo neutro e só tem valor se permite distinguir entre o verdadeiro e o falso. Para isso, nesta era na qual impera o imediatismo, a história, sobretudo das rebeliões, resistências e dissidências, como insistia Howard Zinn, é um antídoto vital contra a propaganda oficial e as ofensivas da direita. Mas para os que informam ou compartilham informação, talvez devamos começar com um objetivo ainda mais modesto: Pete Hamill recomendava que os jornalistas, no mínimo, “devem jurar não agregar mais estupidez ao mundo”.

Embora essa seja uma tarefa mais complexa do que parece.

David Brooks | La Jornada, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.
Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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