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Insegurança e convivência em grandes cidades latino-americanas

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

 Jorge Luna*

“Enfrentar os delinquentes apenas com políticas policiais significa manter o problema no tempo”.

A segurança cidadã, tema de renovada preocupação nas grandes cidades latino-americanas, também se instalou em Montevidéu, uma cidade vista por muitos como alheia à violência, o delito e o crime. Autoridades e peritos da região participaram da Primeira Conferência sobre Cultura e Convivência nas cidades da América Latina e expuseram experiências de metrópoles do México, Colômbia, Brasil, Equador e Argentina.

Inaugurada pelo ministro do Interior, Eduardo Bomoni, o evento se converteu em um intenso intercâmbio de medidas e critérios para enfrentar o avanço da insegurança e a instauração do medo entre os cidadãos moradores nas grande cidades latino-americanas. Meios locais recordaram uma recente pesquisa sobre o tema, apresentada aqui pelo ex-alcalde de Remará, Antanas Mockus, que surpreendeu às autoridades.

Indicava que, face às taxas inferiores de delitos e homicídios no Montevidéu respeito ao resto do continente, “a percepção de criminalidade é similar A das cidades mais violentas”.

O tema se menciona cada vez mais nos meios, muitas vezes de maneira manipulada para criticar ao governo, mas outras, de forma objetiva, pois é provável que a insegurança seja parte importante do debate na campanha eleitoral do próximo ano.

Por exemplo, o projeto de programa do governante Frente Amplo, que aspira a seu terceiro mandato (2015-2020), recorda que “priorizou a segurança pública na gestão de governo”.

O ministro Bonomi foi cortante ao assinalar a necessidade de aplicar, de uma vez, políticas policiais e sociais “já que as duas por separado fracassaram em todos lados”. Essa, particularizou, é a chave para melhorar a segurança. Alertou deste modo sobre a falta de confiança da cidadania para as instituições policiais em vários países (mencionou especialmente ao México e Colômbia) e expôs que “enfrentar aos delinquentes só com políticas policiais significa manter o problema no tempo”.

Reiterou, nesse sentido, a conveniência de envolver a cultura e a convivência para enfrentar a insegurança.

Por sua parte, o vice-ministro do Interior, Jorge Vázquez, insistiu A gerar uma mudança cultural em pró da convivência cidadã que redunde em melhores relacione entre as pessoas e maior segurança.

“Melhorar as condições de segurança não passa somente por ter mais policiais, mais patrulheiros, mais arma, mais equipamento, mas sim por uma melhor convivência; que os cidadãos se acostumem a viver em um clima de paz e tranquilidade”, disse.

“Aqui não há soluções mágicas, o que terá que fazer é trabalhar sistematicamente, não evitar a responsabilidade que nos corresponde como Ministério do Interior e como a Polícia”.

Peritos de Quito (Equador), Buenos Aires (Argentina), Medellín (Colômbia) e Cidade do México abrangeram temas como “Acione no espaço público como lugar de encontro e convivência” e “A promoção da cultura da legalidade nas cidades”.

Na conferência de dois dias, a diretora da Unidade de Programas do Programa de Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Paula Veronelli, sustentou que na América Latina, “o medo termina afetando a qualidade de vida da gente”.

Veronelli insistiu no fracasso das medidas repressivas e saudou o crescente usou da cultura e a convivência como vetores “para viver de forma pormenorizada em sociedade”.

Depois de escutar Aos delegados, o presidente José Mujica, na clausura do evento e, em tom autocrítico, disse que o Uruguai “está bem quando o comparamos com o resto e está mal quando nos comparamos com nossa história”.

Ao refletir sobre a insegurança, coincidiu na necessidade de combinar medidas policiais com sociais e chegou à conclusão de que “necessita-se trabalho social, muito trabalho social e compromisso”.

*Correspondente de Prensa Latina no Uruguai.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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