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Laura Sarabia (esquerda) e Kristi Noem (direita), durante encontro na Colômbia (Foto: Reprodução / X)

Inteligência, imigração e combate a narcotráfico: entenda o acordo entre Colômbia e EUA

Pacto foi assinado na última quinta-feira (27) e prevê compartilhamento de informações de segurança e mudanças na transferência de imigrantes entre Colômbia e EUA
Jairo Gómez
La Jornada
Bogotá

Tradução:

Beatriz Cannabrava

Colômbia e Estados Unidos assinaram, na última quinta-feira (27), uma “carta de intenção para fortalecer a cooperação em matéria de informação migratória”.

Após quatro horas de reunião na sede da chancelaria colombiana, a ministra de Relações Exteriores da Colômbia, Laura Sarabia, e a secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, informaram aos jornalistas, em declarações separadas, sobre um encontro frutífero no qual se elogiaram mutuamente para destacar a relação que ambas as nações mantêm há mais de 200 anos.

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Após esse encontro diplomático com a chanceler colombiana, a alta funcionária do governo Trump se deslocou posteriormente à sede presidencial para uma reunião com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro. Nesse encontro, segundo a presidência, os temas abordados foram as relações bilaterais, a segurança e a migração.

Apesar das profundas diferenças entre os dois governos, a visita priorizou os pontos em comum (Foto: Reprodução / X)

Este foi o primeiro encontro oficial entre os governos do presidente Petro e o dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, após o forte desentendimento entre ambos os mandatários no final de janeiro, decorrente das deportações de indocumentados colombianos autorizadas por Washington, as quais, segundo a Colômbia, violavam normas internacionais de Direitos Humanos.

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“Vamos assinar esta carta de intenções para garantir nossa cooperação e reafirmar, dessa maneira, a aliança e a resiliência entre Estados Unidos e Colômbia. Hoje analisamos nossos sistemas de segurança para garantir que iremos combater o movimento de pessoas (indocumentadas) envolvidas em atividades criminosas e também facilitar a transferência legal de pessoas entre o hemisfério sul e o nosso hemisfério”, declarou a secretária de Segurança estadunidense.

Por sua vez, Laura Sarabia, chefe da chancelaria colombiana e anfitriã do encontro oficial, afirmou que se tratou de um “diálogo sincero e franco”, no qual os dois países expuseram seus pontos de vista sobre migração, segurança e intercâmbio de informação.

“Foi um encontro diplomático construtivo dentro de nossa fluida agenda bilateral. Como resultado desta reunião e do diálogo contínuo entre ambos os países, hoje assinamos uma carta de intenção para fortalecer a cooperação em matéria de informação migratória. Um passo a mais para fortalecer medidas específicas, realistas e eficazes, garantindo ao mesmo tempo a consolidação de nossa relação e amizade com os Estados Unidos”, disse Sarabia ao término da reunião, que provavelmente ajudou a amenizar as tensões provocadas pelo incidente ocorrido entre os dois presidentes no mês de janeiro, via “X”.

A “cúpula” sugere ser uma extensão da reunião relâmpago realizada em Washington, onde se conseguiu neutralizar a crise binacional depois que Petro desautorizou o pouso de dois aviões com deportados colombianos em condições degradantes. A medida provocou uma forte reação do presidente Trump, que ameaçou a Colômbia com tarifas e um crescente deterioro nas relações bilaterais.

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Segundo revelou Noem, foi alcançado um “compromisso de compartilhar os dados biométricos para sermos mais eficientes e precisos, garantindo a cooperação para encontrar novas formas de seguir trabalhando juntos. O compartilhamento dos dados biométricos ajudará a Colômbia e seus cidadãos a detectar crimes e identificar criminosos que atuam ao longo das fronteiras”.

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Embora não tenha sido detalhado o alcance do compartilhamento desses dados biométricos, alguns setores questionam se a carta de intenção esclarece como essa informação será compartilhada e se haverá reciprocidade ou se apenas a Colômbia fornecerá os dados. Também gerou dúvidas o fato de que a Direção Nacional de Inteligência (DNI) não tenha participado da reunião entre a chanceler e a alta funcionária do governo dos Estados Unidos.

De acordo com a ministra Sarabia, ficou taxativamente claro que “os direitos humanos e a dignidade dos migrantes serão efetivamente respeitados”.

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As duas funcionárias manifestaram satisfação com a cooperação na luta contra o tráfico de drogas e organizações criminosas, bem como com o apoio a medidas legais e ações punitivas contra essas organizações.

Tratou-se de uma visita importante, na qual, apesar das profundas diferenças entre os dois governos, os pontos em comum foram priorizados.

O incidente anterior, que chegou a provocar o fechamento temporário dos serviços consulares dos Estados Unidos na Colômbia e ameaças de imposição de tarifas, suspensão de vistos e outras sanções, foi superado, apontam as autoridades.

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Desde então, cerca de 1.700 colombianos retornaram ao país, e as relações bilaterais retomaram certa normalidade, embora ainda persistam pontos de tensão nos setores migratório, comercial e na luta contra o narcotráfico.

A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, após visitar El Salvador e a Colômbia, de onde partiu na noite de 27 de março, seguiu para o México para continuar sua agenda sobre migração, segurança e combate às organizações armadas associadas ao narcotráfico.

La Jornada, especial para Diálogos do Sul Global – Direitos reservados.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Jairo Gómez

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