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Invasão em embaixada venezuelana já dura 12 horas; governo condena, mas não intervém

Sede diplomática do governo de Nicolás Maduro foi invadida às 5h; Bolsonaro diz que tomará "medidas necessárias"
Redação Brasil de Fato
Brasil de Fato
São Paulo (SP)

Tradução:

Continua tenso o clima na embaixada da Venezuela, em Brasília (DF), que foi invadida por volta das 5h da manhã desta quarta-feira (13) por um grupo uniformizado de apoiadores do deputado autoproclamado presidente Juan Guaidó.

Às 13h33, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) se pronunciou em sua conta no Twitter repudiando “a interferência de atores externos” na embaixada. Ele garantiu que governo está  “tomando as medidas necessárias para resguardar a ordem pública e evitar atos de violência, em conformidade com a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas”.

O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), que está dentro da embaixada, afirma que a diplomacia brasileira está fazendo um “jogo dúbio que pode “ter como objetivo a ampliação do conflito”.  “Se já houve uma declaração pública do Gabinete Institucional que houve uma invasão, porque não chega aqui uma ordem para que as pessoas deixem a embaixada.”

Sede diplomática do governo de Nicolás Maduro foi invadida às 5h; Bolsonaro diz que tomará "medidas necessárias"

Erick Gimenes / Brasil de Fato
Cerca de 300 pessoas, majoritariamente militantes pró-Maduro, zelam pela embaixada do lado de fora desde a manhã desta quarta

A invasão

Segundo afirma o deputado Paulo Pimenta (PT-SP), que também está no interior da embaixada, trata-se de um grupo de paramilitares contratados para invadir o prédio.

“A embaixada está no controle do representante do Maduro, mas os invasores continuam aqui dentro”, explicou o parlamentar, em resposta a versão difundida pelo senador Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), por meio do Twitter, de que os funcionários da embaixada teriam reconhecido voluntariamente a Guaidó como presidente.

“A postura do governo brasileiro foi ruim. No primeiro momento, O Itamaraty chegou aqui, um tal de Maurício Correa, chegou aqui dizendo que o governo brasileiro não reconhece o governo Maduro: 'para nós, o presidente é o Juan Guaidó, vocês estão aqui ilegalmente'. Então, quando o governo brasileiro fez isso, ele respaldou a invasão. Algumas horas depois, Bolsonaro se manifestou em outra direção, talvez pela repercussão internacional”, criticou Pimenta.

PM faz a segurança da entrada da embaixada, zelada também por militantes solidários à Venezuela (Foto: Erick Gimenes/Brasil de Fato)  

Clima de tensão

Não há contagem oficial do número de pessoas que estão dentro da embaixada neste momento. Além dos invasores, há funcionários da embaixada que residem com as famílias no local – quatro crianças estão no interior do prédio –, e um grupo que ingressou para tentar uma conciliação.

Neste grupo, estão confirmadas presenças de três parlamentares – Paulo Pimenta (PT-SP), Glauber Braga (PSOL-RJ) e Sâmia Bonfim (PSOL-SP) –, além de um juiz federal, um delegado da Polícia Federal, um comandante da Polícia Militar e o representante do Itamaraty Mauricio Correia.

Policiais militares estão guardando o portão de entrada e o jardim da casa. Do lado de fora, por volta das 13h havia 300 pessoas entre imprensa nacional e internacional, uma maioria de apoiadores do governo de Nicolás Maduro, e manifestantes pró-Guaidó.

Entre as organizações presentes no local em solidariedade à Venezuela estão o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o PC do B, o PT, o PSOL, o PCB, a União Nacional dos Estudantes (UNE), o Levante Popular da Juventude e a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Segundo a líder da minoria na Câmara, Jandira Feghali (PCdoB-RJ), o deputado Rodrigo Maia, presidente da casa, teria iniciado uma negociação para interceder de forma diplomática no caso.

Militância do MTST também está guardando a embaixada e diz que não deixará o local enquanto não terminar a invasão (Foto: Erick Gimenes/Brasil de Fato)  

*Com informações de Cristiane Sampaio e colaboração de Igor Carvalho. 

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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