Em um contexto econômico global marcado pela incerteza, os países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) alcançaram um impressionante crescimento na recepção de investimento estrangeiro direto (IED), que registrou um aumento de 425% nos últimos 20 anos. Segundo um recente relatório elaborado pelo Conselho de Especialistas do Brics da Rússia, em colaboração com a Universidade de Moscou, esse bloco de economias emergentes passou de captar 84 bilhões de dólares em 2001 para 357 bilhões em 2021, alcançando 22% dos fluxos globais de capital.
A pesquisa, respaldada pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e pelos bancos centrais dos países membros, revela que a participação do Brics nos fluxos mundiais de IED dobrou em duas décadas, passando de 11% para 22%. Esse crescimento foi impulsionado por uma série de fatores estratégicos, como o desenvolvimento industrial e tecnológico acelerado da China e da Índia, a constante demanda por commodities provenientes do Brasil, da Rússia e da África do Sul, e a criação de instituições financeiras próprias, como o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB).
O relatório destaca que a China e a Índia foram protagonistas fundamentais nesse avanço econômico, com um desenvolvimento industrial e tecnológico que transformou ambos os países em potências globais. Além disso, a alta demanda internacional por recursos naturais exportados pelo Brasil, pela Rússia e pela África do Sul permitiu que o bloco não apenas aumentasse seus fluxos de investimento, mas também diversificasse sua economia.
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Outro fator essencial foi a criação de instituições financeiras autônomas, como o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), que facilitou projetos de infraestrutura sustentável em países em desenvolvimento. Desde seu lançamento, o NDB aprovou um total de 32 bilhões de dólares em investimentos.
O relatório também indica um crescimento significativo no comércio intrabloco, que alcançou 5,9 trilhões de dólares em 2022, com a China e a Índia liderando as exportações de manufaturas. Além disso, o bloco avançou na redução de sua dependência do dólar estadunidense, com um aumento de 210% nos pagamentos em moedas locais desde 2020, o que ajudou a Rússia a enfrentar os efeitos das sanções internacionais impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia.
Por outro lado, o Brasil experimentou um notável crescimento em sua participação comercial dentro do bloco Brics. O país registrou um recorde de 91 bilhões de dólares em IED em 2024, enquanto a Índia se posiciona como o sétimo maior receptor mundial de investimento estrangeiro direto.
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O crescimento econômico e comercial do Brics veio acompanhado de um aumento em sua influência política e geoeconômica. Em 2023, o bloco deu um passo importante ao admitir cinco novos membros: Arábia Saudita, Irã, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos. Essa ampliação reforça a posição do bloco nos mercados energéticos globais, e espera-se que o Brics ampliado ultrapasse 30% do Produto Interno Bruto (PIB) global até 2030.
Com um futuro promissor, os países do Brics continuam se consolidando como uma força chave na economia mundial, oferecendo um contrapeso às economias tradicionais e fortalecendo sua influência na política global.