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Foto: Rafa Nedderemeyer, BRICS Brasil - PR (modificado)

Investimento global no Brics cresce 425% em 20 anos. Como bloco conquistou resultado?

O Brics segue se consolidando como uma força chave na economia mundial, oferecendo um contrapeso às economias tradicionais e fortalecendo sua influência política e geoeconômica
Redação El Ciudadano
El Ciudadano
Santiago

Tradução:

Ana Corbisier

Em um contexto econômico global marcado pela incerteza, os países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) alcançaram um impressionante crescimento na recepção de investimento estrangeiro direto (IED), que registrou um aumento de 425% nos últimos 20 anos. Segundo um recente relatório elaborado pelo Conselho de Especialistas do Brics da Rússia, em colaboração com a Universidade de Moscou, esse bloco de economias emergentes passou de captar 84 bilhões de dólares em 2001 para 357 bilhões em 2021, alcançando 22% dos fluxos globais de capital.

A pesquisa, respaldada pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e pelos bancos centrais dos países membros, revela que a participação do Brics nos fluxos mundiais de IED dobrou em duas décadas, passando de 11% para 22%. Esse crescimento foi impulsionado por uma série de fatores estratégicos, como o desenvolvimento industrial e tecnológico acelerado da China e da Índia, a constante demanda por commodities provenientes do Brasil, da Rússia e da África do Sul, e a criação de instituições financeiras próprias, como o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB).

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O relatório destaca que a China e a Índia foram protagonistas fundamentais nesse avanço econômico, com um desenvolvimento industrial e tecnológico que transformou ambos os países em potências globais. Além disso, a alta demanda internacional por recursos naturais exportados pelo Brasil, pela Rússia e pela África do Sul permitiu que o bloco não apenas aumentasse seus fluxos de investimento, mas também diversificasse sua economia.

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Outro fator essencial foi a criação de instituições financeiras autônomas, como o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), que facilitou projetos de infraestrutura sustentável em países em desenvolvimento. Desde seu lançamento, o NDB aprovou um total de 32 bilhões de dólares em investimentos.

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O relatório também indica um crescimento significativo no comércio intrabloco, que alcançou 5,9 trilhões de dólares em 2022, com a China e a Índia liderando as exportações de manufaturas. Além disso, o bloco avançou na redução de sua dependência do dólar estadunidense, com um aumento de 210% nos pagamentos em moedas locais desde 2020, o que ajudou a Rússia a enfrentar os efeitos das sanções internacionais impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia.

Por outro lado, o Brasil experimentou um notável crescimento em sua participação comercial dentro do bloco Brics. O país registrou um recorde de 91 bilhões de dólares em IED em 2024, enquanto a Índia se posiciona como o sétimo maior receptor mundial de investimento estrangeiro direto.

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O crescimento econômico e comercial do Brics veio acompanhado de um aumento em sua influência política e geoeconômica. Em 2023, o bloco deu um passo importante ao admitir cinco novos membros: Arábia Saudita, Irã, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos. Essa ampliação reforça a posição do bloco nos mercados energéticos globais, e espera-se que o Brics ampliado ultrapasse 30% do Produto Interno Bruto (PIB) global até 2030.

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Com um futuro promissor, os países do Brics continuam se consolidando como uma força chave na economia mundial, oferecendo um contrapeso às economias tradicionais e fortalecendo sua influência na política global.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Redação El Ciudadano

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