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Isabel Allende: Contos de Paixão

Cinemateca Diálogos do Sul

Tradução:

Isabel Allende*

Isabel Allende perfilJornalista e escritora chilena, Isabel Allende é filha do diplomata Tomás Allende e sobrinha do ex-presidente chileno Salvador Allende e carrega um sobrenome famoso desde que nasceu, no Peru, em 2 de agosto de 1942. Logo ela voltou para o Chile, país que considera sua terra natal, apesar de atualmente morar nos Estados Unidos

Sua vida é marcada por eventos históricos, como o momento em que seu tio foi tirado do poder. Após o golpe militar de Augusto Pinochet, o clima instável do Chile fez a família Allende se refugiar na Venezuela, onde viveu de 1973 a 1984. Nesta conversa, a escritora e ativista Isabel Allende fala sobre mulheres, criatividade, a definição de feminismo e, claro, sobre paixão

Vale a pena conferir:

Uma Allende, Isabel

Isabel Allende1Antes de publicar obras literárias, trabalhou como jornalista de periódicos, revistas femininas e também na televisão. Atribui o sucesso como autora ao poeta Pablo Neruda, que a incentivou a interromper a carreira como repórter e se aventurar na literatura.

“Isabel Allende se beneficia de toda a literatura latino-americana produzida nos anos 60 e 70. Autores como Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa seguramente fazem parte do cânone literário da autora”, afirma Lélia Almeida, especialista em literatura latino-americana feminina.

Para Cinara, duas influências podem ser observadas na obra da autora: As Mil e uma Noites – contar histórias para sobreviver – e o Realismo Mágico, comum na literatura latino-americana. Trata-se da interferência de elementos fantásticos na narrativa realista.

“Nos romances, a história da América Latina, território mágico, é contada pela ótica das mulheres, constituindo-se como uma ruptura com a tradição histórica de base patriarcal”, comenta a professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

A escritora chilena influenciou a obra de vários autores, em sua maioria mulheres latino-americanas, como a brasileira Nélida Piñon, em República dos Sonhos  (1984), que apresenta em seus escritos características semelhantes ao estilo de Isabel.

Uma estante toda dela

Autobiográfica,

Isabel Allende se inspira em fatos reais, experiências próprias e acontecimentos familiares para escrever suas obras. Além disso, a temática da representação da mulher e a inclusão de elementos históricos também são bastante recorrentes.

Ela é conhecida tanto por livros autobiográficos, como Meu País Inventado  (2003), quanto por romances. “O sucesso das obras ficcionais e autobiográficas associa-se a um grande imbricamento entre vida e ficção na criação da autora”, acredita Cinara.

“As personagens femininas dos romances são mulheres fortes, sempre envolvidas com projetos de autonomia e realização”, afirma Lélia. E completa: “São comprometidas com a libertação das outras mulheres, de situações de violência ou submissão”.

“As narrativas têm como pano de fundo a história de países da América Latina, representada a partir de sua formação, suas dificuldades, suas revoluções, seus governos ditatoriais”, acrescenta Cinara.

“O Caderno de Maya não é um romance histórico, diferentemente das obras que consagraram a escritora”, comenta Aquiles. Mas existem semelhanças entre esse novo livro e os outros escritos por ela.

“Estão lá, mais uma vez, lendas e mitos chilenos, certo misticismo e, sobretudo, a história política do Chile, que aparece amiúde em sua obra, explícita ou implicitamente”, completa o crítico literário.

Uma de suas obras mais importantes, a já citada Casa dos Espíritos, ganhou adaptação cinematográfica em 1993. Com direção de Bille August, o filme contava com a atuação de Meryl Streep, como Clara del Valle Trueba, e Jeremy Irons como Esteban Trueba.

Casa dos Espíritos, ganhou adaptação cinematográfica em 1993

“Ela narra a saga de uma família oprimida pelo patriarca Esteban, a partir da voz da neta Alba, que representa o ponto de vista feminino da história da família e de seu país, que passa por sérias dificuldades no âmbito político e social”, conta a professora.

Outra obra memorável da carreira da autora é Paula  (1995). “Foi escrita com o intuito de registrar memórias para a filha em coma devido a uma grave enfermidade. Trata-se de um livro que tenta exorcizar o fantasma da morte através da escrita”, afirma Cinara.

Eva Luna  (1989) também merece destaque. “A personagem é influenciada pela narrativa árabe, que se caracteriza pela narrativa de uma mulher que conta histórias para sobreviver em um contexto dominado pelos homens”, diz a professora.

São muitas as obras de sua autoria: De Amor e de Sombra  (1984), O Plano Infinito  (1991), Afrodite (1997), Zorro: O Começo da Lenda (2005) e A Ilha Debaixo do Mar (2009). São mais de 10 livros escritos ao longo da carreira.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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