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Itália e Portugal nos inspiram para a necessária e urgente luta contra o fascismo

Bella Ciao e Grândola Vila Morena foram a trilha sonora da necessária luta de libertação italiana e portuguesa. Que viva o 25 de abril e o comunismo!
Paulo Cannabrava Filho
Diálogos do Sul
São Paulo (SP)

Tradução:

Ainda estou emocionado pelo 25 de abril que, no nosso calendário, traz muitos motivos para se comemorar. Duas vitórias importantes que mudaram o curso da história na Europa. 

Primeiro, a derrota dos fascistas na Itália, alcançada pelo povo sob a liderança dos partigianos comandados pelos comunistas. Resgatada pelo seriado La Casa de Papel, a música Bella Ciao é uma herança desta época.

A vitória, no entanto, foi frustrada pela invasão das tropas dos Estados Unidos, que impôs um governo obediente, tal como Adolf Hitler havia feito na França. A estratégia era evitar, por todos os meios, que os comunistas assumissem e se aliassem à Rússia, quem verdadeiramente tinha derrotado o III Reich.

Bella Ciao e Grândola Vila Morena foram a trilha sonora da necessária luta de libertação italiana e portuguesa. Que viva o 25 de abril e o comunismo!

Reprodução: Winkiemidia
Resgatada pelo seriado La Casa de Papel, a música Bella Ciao é uma herança desta época.

Segundo, a derrota dos fascistas em Portugal. Veja que esta demorou décadas para acontecer. Aquele regime que servira a Hitler se manteve servindo ao novo Império e atrasando o desenvolvimento de Portugal. impressionava ver o quanto o país ibérico era subdesenvolvido, apesar de manter suas colônias na África. A luta dos africanos pela independência enfraqueceu o regime de Portugal e foram oficiais das forças armadas que se juntaram ao povo para libertar o país do fascismo. 

O 25 de abril foi um dia glorioso. Ao som de Grândola Vila Morena, oficiais cansados de serem pretores de um passado colonial em extinção, aliados a comunistas, socialistas e social-democratas, desencadearam uma revolução que ainda não acabou. 

A imagem de soldados portando fuzis e uma criança espetando um cravo vermelho ganhou o mundo. O cravo virou símbolo da utopia. Perpetuou-se o que se conhece como “A Revolução dos Cravos”. A foto foi feita no aeroporto de Lisboa pelo fotógrafo Sérgio Guimarães. O fotógrafo no lugar certo com o olho aberto, descobrindo o mundo

O povo jogava flores nos tanques que desfilavam pela principal avenida de Lisboa e chorava de emoção. Impressiona observar o quanto Portugal se desenvolveu em tão pouco tempo. Era um país do terceiro mundo e virou um país europeu. Em todos os sentido, mas, impregnado de uma cultura afro-árabe-ibérica-americana que torna esse povo maravilhoso.

Tinha chegado a hora da virada. Os operários, trabalhadores urbanos, não aguentavam mais e expressavam uma explosão eufórica de liberdade. Os camponeses, nas aldeias mais remotas, perguntavam: O que aconteceu pá? 

Diziam, Revolução! Liberdade! alguns não entendiam. Viviam em situação mais precária que nossos indígenas. Explico. Nossos indígenas são filhos da floresta, os camponeses estavam no abandono, sem nenhum recurso, sequer para a higiene pessoal. Sobreviviam com o que produziam.

A hora da virada realmente tinha chegado. Mas não havia uma proposta concreta sobre o que fazer. Veja que os soldados e oficiais eram, até a véspera, algozes do poder colonial. A estrutura do Estado colonial, de mais de 600 anos! 

E Viva o 25 de Abril!!!

E Viva o Comunismo que liberta, como diz a canção hino dos partigianos.

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Paulo Cannabrava Filho Iniciou a carreira como repórter no jornal O Tempo, em 1957. Quatro anos depois, integrou a primeira equipe de correspondentes da Agência Prensa Latina. Hoje dirige a revista eletrônica Diálogos do Sul, inspirada no projeto Cadernos do Terceiro Mundo.

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