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Jornalismo pode ser o mais vil dos ofícios

Gustavo Espinoza M.

Tradução:

Gustavo Espinoza M.*

gustavo espinoza perfil dialogos do sulLuis Miro Quesada de la Guerra, um dos pró homens do “El Comercio”, o mais antigo e conservador diário de Lima, lapidou uma frase a qual costuma recorrer quando se celebra o Dia do Jornalista: “O jornalismo pode ser a mais nobre das profissões, ou o mais vil dos ofícios”.

Seguramente ele nunca imaginou que o jornal a que entregou boa parte de sua vida abandonaria a primeira opção e optaria pela segunda. Em outras palavras, atuaria convertido em “El Komercio”, como porta voz da máfia em todos os níveis. E assim daría carta branca ao mais vil dos ofícios.
El ComercioDe fato, é um ofício vil incubar o ódio e fomentá-lo; denegrir as pessoas sem fundamento algum, difamar sem escrúpulo; mofar do adversario que não pode responder porque está longe, e pretender agravar a povos irmanados pela história e pela vida.
Nenhuma outra interpretação se pode dar à caricatura publicado pelo diário da oligarquia em sua edição de domingo 25 de janeiro. Com traços rápidos o caricaturista Molina faz burla indecente ao mandatario de um país fraterno, eleito por sufragio universal e direto, presidente da Venezuela Bolivariana, com apoio da maioria de seus compatriotas.
Compreende-se que Nicolás Maduro não conte com o beneplácito nem da complacencia de certas pessoas, sobretudo dos que encarnam os interesses da classe dominante em nosso continente. Mas também parece inaceitável que se envileça a imagem de quem simboliza uma nação amiga, e que se denigram símbolos pátrios de qualquer país.
Essa é uma prática que aqui, no passado, era executada pelos vândalos que queimaram a Bandeira Nacional saque 27 de julho de 1974, na praça central de Miraflores para “protestar contra a “expropriação dos diários de circulação nacional, promulgada pelo governo de Velasco Alvarado.
Essa que foi uma medida legítima orientada a devolver ao jornalismo a categoria da “mais nobre das profissões”, que estava ameaçada na medida em que se afirmavam no país as mudanças de natureza patriótica e antiimperialista.
Não é de surpreender portanto a gafe do “decano da imprensa nacional” como com gosto se auto-proclamam. Seus antecessores odiaram também a Simón Bolívar e a San Martín; a Antonio Jose de Sucre e os Libertadores. Para dizer com os versos Gonzalo Rose, eles os consideravam como “enviados secretos do Maligno”, pois se atreviam “negar a autoridade do Rei, que é da natureza”.
Depois, nos primeiros anos da vida republicana e já como expressão do “jornalismo peruano”, o diário se associou a capitais chilenos e com isso apoiou o invasor do sul na Guerra do Pacífico. Esqueceram disso?
El Comercio, nos anos 60 do século passado, teve seu quarto de hora de patriotismo e espírito nacional. Foi precisamente sob a direção de Luís Miró Quesada, o homem da frase que tomamos como referência e a quem os arpistas odiavam.
Na circunstância, o diário apoiou a luta pela expulsão da IPC (International Petroleun Co) e a recuperação das jazidas de La Brea e Pariñas. A nacionalização do petróleo, bandeira legítima, teve resistencia e foi denegrida pelos que hoje aplaudem o “Komercio” em outra barricada.
Por isso, é bom que se diga que a campanha levada a cabo hoje pelo porta=voz da oligarquia peruana, é parte da estratégia internacional patrocinada pelo governo dos Estados Unidos contra Venezuela no afã de destruir o processo libertador hoje conduzido por Nicolás Maduro desde Caracas.
Não pode haver dúvida sobre a presença da CIA, a central de inteligência dos EUA nessa operação que envolve três países: Argentina, contra a Kirchner; Peru, contra Humana e Venezuela contra Maduro.

É a chamada “Operação Deffector”

Para além das avaliações que se façam de um ou outro desses governos, o real é que a máfia não os aceita nem como pintura. E por isso denigram e atacam de maneira concertada. No fundo, o que buscam é mudar o cenário latino-americano consolidando novas autoridades servís ao Império -como ocorria no passado-. E pensam que hoje podem conseguir.
No Peru, uma especie de “guru’ da política internacional, Luis Gonzáles Posada, que aparece todo dia como convidado por um ou outro programa de televisão, concede constantes entrevistas à imprensa escrita opinando sobretudo contra a Venezuela.
Recordam que já há algum tempo se soube por fonte fidedigna que esse ex ministro apresta era formalmente funcionário da CIA, a agência de espionagem dos Estados Unidos? Seguramente a isso se deve os constantes convites que recebe.
Na Venezuela estão rompendo os elos seculares de dominação que acorrentaram esse povo. Por isso gritam e resistem aqueles que vem afetados seus privilegios conquistados sabe-se lá como. A luta é dura, luta de classes em todo seu esplendor. Uns constróem um novo regime social; e outros, o combate com o que têm à mão. É difícil comprender?
A contrarrevolução alimenta em cada cidade venezuelana os mecanismos de crise, no empenho de gerar o colapso da economia, gerar o caos na vida pública, recorrendo para isso aos mais perversos procedimentos.
Fizeram antes no Chile contra Allende. E também tentaram aqui, no Peru, a sua maneira.
Auto-proclamados “verdadeiros democratas”, se sublevaram na capital venezuelana, com a aventura golpista de abril de 2002, liderada por Pedro Carmona, o fantoche dos empresários antinacionais e cantaram vitória aqui e em toda parte.
A gritaria durou apenas algumas horas, porque o povo venezuelano, nas ruas, demonstrou que a Democracia tinha outro caráter, e um novo sentido. Que era realmente a voz soberana de um povo consciente e que olhava com esperança o horizonte socialista que se firma em nosso tempo.
Perderam força e legitimidade aqueles que arrocharam as cordas até o extremo golpista. Porém, sobre eles vale repetir o que em seu momento se dizia: Não aprenderam nada, e não esqueceram nada. Agora procuram repetir a história e, pelo menos aqui têm os áulicos que os aplauden.
Nem em Caracas, nem aqui, assimilaram as lições da vida. E hoje insistem na mesma prédica venenosa e soberba que no passado os levou à derrota. A eles podemos responder agora com as palavras do mestre de Bolívar, Simón Rodríguez, também de grata memória em nossa história.
O curso natural das coisas, é uma torrente
que arrasta tudo que encontra
e derruba o que se lhe opõem
Esta é a força que faz as revoluções;
os homens que nelas se inserem?são instrumentos da necessidade.
são atores, não autores
Abramos a história: e para o que ainda não está
leia cada um em sua memória.
Nicolás Maduro é um ator que representa os intereses de seu povo no cenário venezuelano de nosso tempo. O autor do processo que sacode a pátria de Miranda, é o povo. Esse povo que engendrou Bolívar e Sucre, e, mais recentemente, a Hugo Chávez Frías, cuja memória vive na consciencia dos que não nasceram para ser vencidos.
*Colaborador de Diálogos do Sul, de Lima, Peru


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Gustavo Espinoza M. Jornalista e colaborador da Diálogos de Sul em Lima, Peru, é diretor da edição peruana da Resumen Latinoamericano e professor universitário de língua e literatura. Em sua trajetória de lutas, foi líder da Federação de Estudantes do Peru e da Confederação Geral do Trabalho do Peru. Escreveu “Mariátegui y nuestro tiempo” e “Memorias de un comunista peruano”, entre outras obras. Acompanhou e militou contra o golpe de Estado no Chile e a ditadura de Pinochet.

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